DEPUTADO DOUTOR WILSON BATISTA (PSD)
Declaração de Voto
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 06/12/2019
Página 21, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE MINAS GERAIS (CODEMIG). FINANÇAS PÚBLICAS.
Proposições citadas PL 1205 de 2019
18ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 4/12/2019
Palavras do deputado Doutor Wilson Batista
O deputado Doutor Wilson Batista – Sr. Presidente, gostaria de esclarecer duas situações. Primeiro, quanto ao argumento que foi criado para a aprovação desse projeto. Querer convencer a Assembleia e convencer a população de Minas Gerais que fazer essa negociação, vendendo e antecipando os recebíveis do nióbio até 2032, para dizer que isso é para acertar os salários dos servidores é uma grande mentira, porque, primeiro, isso não é verdade. Se for verdade, o futuro dos servidores será um desastre. Vender aquilo que está para receber, no futuro, para acertar o presente? E daqui a quatro anos, os próximos governos, se não tiverem mais nada para vender, como vão colocar em dia os salários dos servidores? Eles vão começar ou a dar calote nos servidores, ou a dar calote na educação, ou a dar calote na saúde, que já não anda bem. Então, esse é um argumento que não me convenceu, e tenho a absoluta convicção de que não convenceu ninguém em Minas Gerais. Segundo: esse projeto, como alguns deputados que me antecederam disseram, é um momento para se comemorar, disseram que estamos vivendo o melhor momento da Assembleia Legislativa com a aprovação desse projeto! Comemorar o quê? Comemorar a venda do futuro, comemorar o caos que está para vir futuramente. Acho que não há motivo nenhum para comemoração e, sim, motivo para lamentação. Nós deveríamos é fazer uma reflexão e lamentar o que foi feito no passado para que o Estado chegasse a esse caos de ter que vender receita futura para poder colocar em dia salário de servidores. Então eu acho que o Estado deveria, sim, procurar corrigir seus próprios erros, procurar identificar o desperdício que é hoje feito por Minas Gerais afora. Quantas obras inacabadas estão aí em Minas Gerais? Quantas obras propostas às vésperas de eleições? Quanto dinheiro jogado fora neste estado? Isso foi feito durante décadas para hoje termos que passar por este momento de ter que vender receitas do futuro e receber essas receitas para poder colocar em dia as contas do Estado. É lamentável alguém ter dito aqui que é um momento de comemoração. Não temos motivo nenhum para comemorar. Temos motivo, sim, para poder refletir como o Estado está sendo administrado. Como será o futuro, se a saúde hoje já não faz a contento para a sociedade. E quantos pacientes estão em filas de hospitais e não têm direito a um procedimento cirúrgico, e não têm direito a uma internação e não conseguem uma transferência? Quantos pacientes estão indo a óbito hoje em hospitais sucateados? E ainda vamos aqui dizer que estamos comemorando um fato como esse para o Estado poder pagar aos servidores? O que não é verdade. O Estado está simplesmente fazendo isso para convencer esta Casa de que esse projeto deveria tramitar de forma acelerada para que fosse aprovado. Então deixo aqui registrado, neste dia, que nós não estamos comemorando nada com esse projeto e que também não estamos fazendo isso como uma verdadeira necessidade para acertar salários de servidores. Quero acreditar que o Estado teria a capacidade de acertar os salários dos servidores sem que tivesse necessidade de fazer esse negócio. Mas, como foi feito, então que esses recursos sejam bem aproveitados e que façam o Estado voltar aos trilhos, reequilibrar suas contas e trazer saúde e segurança com qualidade para a população de Minas Gerais. Muito obrigado, presidente.