DEPUTADO AGOSTINHO PATRUS (PV), Presidente. Autor do requerimento que deu origem à homenagem.
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/07/2019
Página 28, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM.
Proposições citadas RQN 11448 de 2018
RQC 12611 de 2018
Normas citadas DNE nº 295, de 2019
17ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 16/7/2019
Palavras do presidente (deputado Agostinho Patrus)
O presidente - Muito boa noite a todas às senhoras e aos senhores aqui presentes. Permitam-me saudar o amigo, presidente da Fiat Chrysler Automóveis na América Latina e nosso homenageado, com muita justiça, no dia de hoje, Antonio Filosa; saudar também o excelentíssimo Sr. Cônsul da Itália em Belo Horizonte, Dario Savarese; saudar o amigo e prefeito de Betim, Vittorio Medioli, que, com tanto sucesso empresarial, dedica-se agora a retribuir à população de Betim, com o seu conhecimento, com a sua gestão, e que tem feito um trabalho que é modelo para toda Minas Gerais e para todos os municípios do Brasil; saudar o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe – quero falar da alegria de recebê-lo aqui, Flávio, parceiro sempre importante nas iniciativas da Casa e também no desenvolvimento de Minas Gerais; saudar o presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de Minas, Valentino Riziolli, e, na sua pessoa, todos os membros aqui do Sistema Itália, Acibra e outras entidades; saudar o presidente do Clube Atlético Mineiro, Sérgio Sette Câmara, que também nos honra com a sua presença; saudar a esposa do homenageado, Maina, e a sua mãe, Lílian, que também abrilhantam esta noite; saudar o amigo deputado Gil Pereira e agradecer a todos os diretores e funcionários da Fiat Automóveis e de todas as empresas do grupo; saudar as demais autoridades e todos os empresários presentes na pessoa do amigo Pietro Sportelli.
Um cidadão honorário é um indivíduo reconhecido pela grande identificação com uma comunidade onde não nasceu, mas na qual se tornou respeitado pela admiração despertada tanto por seu trabalho quanto por suas atitudes pessoais. A Assembleia tem a grande alegria de realizar esta solenidade que distingue um dos mais jovens cidadãos que mereceram a honraria. Ela não se deve apenas ao fato de o engenheiro Antonio Filosa presidir a Fiat Chrysler para a América Latina, mas, acima de tudo, por ele se identificar tão fortemente com o nosso povo e pelos seus esforços para renovar e ampliar a planta automobilística de Betim.
É ele o mensageiro de um grande acontecimento, ao trazer novos e altos investimentos para que o Estado se ponha no caminho de superação dessa incômoda crise que vem afetando nossas receitas e nossa economia. Minas Gerais e a Fiat vivem, há mais de 40 anos, uma história que gerou, além de empregos e renda, também grandes laços afetivos que comandaram o desenvolvimento da região metropolitana, com o decisivo impulso para o crescimento de Betim. Desde então, vem a Fiat participando ativamente da vida mineira, e não apenas pela contribuição no âmbito econômico, mas também pelo social, desenvolvendo importantes projetos, como o Árvore da Vida, e com grandes patrocínios no âmbito esportivo e apoio às artes, com as memoráveis mostras que ocorrem na Casa Fiat de Cultura.
Há quatro décadas, Minas Gerais estava pronta para receber a montadora, que aqui encontrou o entusiasmo da população, devido à forte influência da imigração peninsular. Belo horizonte, em especial, foi em parte erguida pela mão de obra italiana, tanto de operários, quanto de construtores.
Nomes como Rafaello Berti, Romeo de Paoli e Luiz Signorelli construíram ou projetaram, no século passado, belas residências bem como vários hospitais e escolas.
São reflexos dessa influência de origem italiana várias construções emblemáticas na capital, como as sedes do Minas Tênis Clube, da Academia Mineira de Letras e do Centro Cultural Banco do Brasil.
O sangue ítalo-mineiro nos deu casa e também nos ofereceu pão. Várias gerações se lembram da acirrada concorrência entre as padarias Boschi e Savassi, inegavelmente as melhores daquela época. A última deu seu nome a um bairro, hoje um de nossos mais dinâmicos e festivos pontos de referência, com importantes eventos de rua, lembrando as marcantes características do espírito e das cidades italianas.
Os descendentes dos primeiros imigrantes também incentivaram o esporte, inicialmente para a colônia e depois para todos, ao fundarem o Palestra Itália, que se transformaria no Cruzeiro Esporte Clube, e tornou respeitadas, em todo o mundo, importantes equipes de futebol e de vôlei.
Permitam-me registrar que o homenageado desta noite, num gesto democrático, nutre um sentimento alvinegro, fazendo um contrapeso aos conterrâneos que torcem pelo time que criara.
Numa das partes mais alegres e comunicativas da península ao Sul da Europa, Antonio Filosa veio ao mundo.
Na região da Campânia, junto ao Mar Tirreno, o Golfo de Nápoles oferece a quem chega de barco ou navio uma deslumbrante paisagem que, dizem, só encontra uma rival de peso na nossa querida Baía de Guanabara. Alguém um dia – há quem diga que foi o portentoso escritor alemão Goethe – cunhou a célebre frase: “Ver Nápoles e depois morrer”.
Nessa Campânia, de tão fortes tradições, nasceu Antonio, que herdou dos pais, Fillipo e Rosalina, uma paixão pelos automóveis, paixão que une os italianos modernos, tanto nas grandes corridas esportivas quanto na produção que envolve a mais alta tecnologia e o mais arrojado design. É assim que a garagem da casa de Rosalina, em seu país, guarda um antigo Alfa Romeo, ligado ao amor do casal e ao nascimento do filho. E cedo começou sua história na Fiat Chrysler, fazendo uma triunfante carreira, até se tornar presidente da empresa na América Latina.
E, para usar certos anéis, é preciso ter o estofo que o cargo exige. Formado pelo famoso Instituto Politécnico de Milão, também estudou gestão na nossa Fundação Dom Cabral. Em 20 anos, acumulou atuação nas áreas de manufatura, compras e supply chain, novos produtos, marketing e gestão de projetos, além de ter ocupado cargos na Espanha, Estados Unidos, Itália e também na Argentina. No Brasil, o ápice de sua carreira se dá na mesma época em que a Fiat Chrysler anuncia seu maior investimento em Minas Gerais desde a criação da planta brasileira no ano de 1976. Certamente a confiança na força de trabalho e na competência dos funcionários mineiros pesou nessa decisão, que envolveu toda a alta direção do grupo.
Vários outros projetos constam da programação para os próximos anos, incluindo a modernização da linha de produção e o lançamento de novos modelos adequados às novas necessidades do mercado num mundo que se volta cada vez mais à energia e ao desenvolvimento sustentável. A ampliação da planta de Betim, com a criação de uma nova fábrica de motores turbo e flex, representa um investimento altíssimo, que foi disputado também por vários países, dentre eles a China.
Não há dúvidas de que Antonio Filosa é merecedor deste título, porque está conscientemente trabalhando por um futuro melhor para Minas Gerais e sua gente. Deste modo, o Brasil e, especialmente, Minas Gerais entraram em sua vida. Além de se casar com a mineira Maina, prestigiada arquiteta, tornou-se recentemente pai de um mineirinho. Com o mesmo nome do avô paterno, o pequeno Filosa é herdeiro de uma história familiar que entrelaça o amor entre duas pátrias.
Seu pai, que adotou nossos costumes e é um frequentador, como confessa, de nosso Mercado Central, é um homem que acredita no Brasil. Quando o abraçamos, ao torná-lo um mineiro honorário, abraçamos um amigo. A esse amigo, relembramos os versos de dois poetas brasileiros, conhecidos pela extraordinária capacidade lírica. Disse Vinícius de Moraes: “De um amigo ninguém se livra fácil. A amizade, além de totalmente contagiosa, é totalmente incurável”. Mário quintana acrescentou: “A amizade é um amor que nunca morre”.
Há mineiros de nascimento e mineiros por escolha. Obrigado, Antonio Filosa, por escolher Minas e por Minas trabalhar com tanto afinco e dedicação. Muito obrigado.