DEPUTADO AGOSTINHO PATRUS FILHO (PV), Presidente "ad-hoc". Autor do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/05/2018
Página 16, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM. SETOR PRIVADO.
Proposições citadas RQO 3198 de 2018
9ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 21/5/2018
Palavras do presidente (deputado Agostinho Patrus Filho)
Palavras do Presidente
Muito boa noite, senhoras e senhores. Vejo aqui vários proprietários de bares, de botecos. Infelizmente, sou menos cliente do que gostaria, pois adoro ir aos bares e botecos de Belo Horizonte e da Grande BH. Em primeiro lugar, então, quero saudar cada um de vocês. Permitam-me saudar também a Sra. Maria Eulália Araújo, organizadora do Comida di Buteco; a Flávia Rocha, também organizadora; e o Ronaldo Perri, também organizador e incentivador dos bares e botecos no Brasil inteiro. Quero ainda saudar o amigo vice-presidente da CDL-BH, Anderson Rocha; e o diretor da Abrasel, Adelcio Castro Coelho, agradecendo-lhe a presença.
É importante dizer aqui que fiz questão de apresentar o requerimento para que fosse feita esta homenagem – que foi prontamente atendido e aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais –, como deputado que sou, mas também como incentivador e membro da Frente da Gastronomia Mineira. Por isso, quero também mandar o meu abraço ao nosso coordenador, Ricardo Rodrigues, que também é idealizador desta homenagem, mas que, infelizmente, não pôde estar aqui devido a um compromisso no exterior.
É com muita alegria que nos reunimos hoje para prestar uma merecida homenagem ao concurso Comida di Buteco, vitrine que, há quase duas décadas, projeta a gastronomia de Minas, nacional e internacionalmente. Se hoje a gastronomia mineira vem alcançando justo reconhecimento pela sua qualidade e autenticidade é porque houve quem apostasse nesse vetor de desenvolvimento econômico e social no passado – quando o setor gastronômico ainda engatinhava – e pavimentasse a estrada que o levou aos patamares em que hoje se encontra.
Impossível falar da cultura gastronômica mineira sem falar dos botecos, espaços de interação onde alegria, tristeza, namoro, reunião familiar ou profissional convivem harmoniosamente e refletem o costume dos mineiros de se reunirem em torno de uma mesa para compartilhar emoções. Acima de tudo, os botecos são locais acessíveis a todos os públicos, e foi esse caráter democrático que permitiu a construção de uma das nossas mais singulares representações de identidade cultural.
Sem dúvida, o mineiro tem, de fato, um caso de amor com os botecos. Não é à toa que o jornal americano The New York Times se referiu, em reportagem sobre Belo Horizonte, à nossa capital como a cidade onde “o mundo é um bar”. É bar, sim, mas é mais do que bar. Bar é tira-gosto, bebida gelada, bate-papo com amigos e diversão. Boteco é tudo isso e muito mais. O boteco é um bar em estado puro, o que o torna ainda mais genuíno dentro do cenário nacional. Ele representa a autenticidade mineira no seu modo descontraído de ser, no serviço simplificado e, sobretudo, na hospitalidade que nos caracteriza.
Não poderia ser mais apropriado, portanto, que nascesse em Minas o maior concurso de comida de boteco do País. Entretanto, tornar o que é apropriado um negócio economicamente viável, socialmente sustentável e temporalmente duradouro é tarefa que demanda competência e persistência, e tais atributos jamais faltaram à equipe do Comida di Buteco, desde a sua criação.
Já seria isso um fenômeno merecedor de muitos aplausos, se o Comida di Buteco tivesse se tornado, depois desses 19 anos, um concurso anual que, no período de um mês, envolve 600 estabelecimentos, vende mais de 390 mil petiscos e conta com a participação de mais de 5 milhões de pessoas de todas as regiões do País. Mas os números são apenas uma das faces do sucesso do Comida di Buteco. O diferencial do nosso homenageado é a sua capacidade de transformar vidas, e não só a trajetória comercial dos estabelecimentos participantes, que ganham visibilidade e oportunidade de se inserir no cenário gastronômico local, contribuindo sobremaneira para a almejada sustentabilidade financeira.
O Comida di Buteco também transforma as vidas de muitos frequentadores do evento. Temos exemplo aqui mesmo, dentro desta Casa. Durante os encontros preparatórios para a reunião especial, ouvimos o testemunho do gerente de relações públicas, do Cerimonial da Assembleia, Henrique Gonçalves, que disse: “Casei-me por causa de uma saideira do Comida di Buteco. Foi lá que conheci minha esposa, Virgínia, num domingo de junho de 2005, Dia dos Namorados”.
É em nome de muitos Henriques e Virgínias, de centenas de botecos, de inúmeros fornecedores e de um sem-número de prestadores de serviço que trazem o Comida di Buteco impresso em suas histórias de vida que nos reunimos aqui. Se hoje o Comida di Buteco é grande, se é case de sucesso entre os empreendimentos gastronômicos, se recebe prêmios e homenagens nos quatro cantos do País, faltava-lhe receber oficialmente o reconhecimento e o carinho do Estado onde nasceu.
No ano passado, Adélia Prado, nossa grande poeta de Divinópolis, ao ganhar o prêmio de literatura do governo de Minas, agradeceu com estas palavras de extraordinária simplicidade e lirismo: “Estou achando uma coisa muito importante, não porque recebi um prêmio, mas porque é o reconhecimento da minha terra, da minha história, do Estado onde tive minha primeira visão de vida, em que mamei o leite de minha mãe”.
O Comida di Buteco cresceu, mas não esqueceu suas raízes. Esta homenagem tem, portanto, uma dimensão simbólica: a de mostrar que Minas também não se esquece de reconhecer e homenagear, em sua própria casa, aqueles que levam os valores culturais mineiros para além das montanhas. Esta homenagem não vem de mim ou do meu mandato. Esta homenagem vem de Minas Gerais, através da Casa que representa todo povo mineiro, povo este que acompanha o Comida di Buteco há 19 anos e que, a cada ano, aguarda, com ansiedade, a edição do ano seguinte. Que o espírito plural, democrático e inclusivo do concurso se propague por muitos mais lugares, trazendo sempre alegria aos participantes e prosperidade aos colaboradores. Vida longa ao Comida de Buteco! Muito obrigado.