Pronunciamentos

DEPUTADO WANDER BORGES (PSB)

Questão de Ordem

Comenta a sua trajetória política, dos deputados Adelmo Carneiro Leão, Carlos Mosconi, Célio Moreira, Zé Maia, Sebastião Costa e da deputada Luzia Ferreira e despede-se dos colegas que deixarão a Assembleia Legislativa ao final da 17ª Legislatura.
Reunião 24ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 17ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/12/2014
Página 1, Coluna 1
Assunto (ALMG). DEPUTADO ESTADUAL.


24ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 18/12/2014

Palavras do deputado Wander Borges


O deputado Wander Borges - Presidente, demais colegas, fiz questão de permanecer até o final tendo em vista o que foi falado pelo nobre deputado Alencar. A vida pública é forjada de alguns encaminhamentos, os anos vão passando. Na primeira eleição que disputei, por incrível que pareça, perdemos em todas as seções. Eu era candidato a vice-prefeito da minha cidade, a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará , meu companheiro. Aquilo gerou uma indignação plena. “Meu Deus, vai perder em tudo?” Não ganhei em nenhuma. Perdemos em todas as seções. Eu disputei com o ex-prefeito dois mandatos. Ele é meu amigo, o Marcelo, que está aí. De lá para cá, fizemos essa trajetória. Depois perdemos mais uma como candidato a deputado estadual. Posteriormente fomos candidato a prefeito, fomos tocando e chegamos aqui. Quero trazer meu carinho e meu respeito aos nobres colegas. Adelmo, tivemos nosso embate republicano institucional. Você usou o Regimento, que está aí para ser usado, faz parte do jogo, mas isso não nos deixa menor, pela nossa trajetória. Discuti um pouco as eleições de Itamarandiba com você, sempre desejando boa sorte. Acho que você pode encarnar, com todas qualidades que tem, a questão do municipalismo no Congresso Nacional, na matriz orçamentária. Você tem o meu respeito, a minha admiração, sobretudo pela pessoa, pela sua trajetória, pois são anos e anos de dedicação à vida pública, à medicina. Você é um grande estudioso, e tenho certeza que Brasília ganha muito em vários aspectos, sobretudo em alguns que V. Exa. carrega, que fazem parte de V. Exa.: ética, retidão, respeito à coisa pública. Brasília precisa disso. Que Deus o acompanhe. Seja feliz. Peço que nos represente. Afinal de contas, também estou aqui para ser representado por V. Exa., minha amiga Luzia, PPS, PCB e por aí afora. Lembro-me de quando, há algum tempo atrás - se eu não tiver com a memória muito ruim - o Célio de Castro era candidato a prefeito de Belo Horizonte e o Marcos Santana a vice-prefeito pelo PPS. Foi uma luta tremenda. Ouvíamos falar da Luzia. Que Luzia é essa? A Luzia que ganhou para vereadora, a Luzia amiga do Juca, amiga do Paulo Elisiário e de tantos outros companheiros. Ela chegou a Sabará e arrumou uns votinhos lá também. Contaram uma história muito complicada. Chegaram ela, o Fábio Avelar, o Marcos Santana - acho que o Marcos já havia saído da prefeitura e era candidato a deputado federal. Então, Zé Maia, eles entraram lá, num processo extremamente complicado, as eleições muito acirradas, e alguém falou: “Não entra aqui não, porque aqui a coisa é diferente.” Mas aquilo foi só uma passagem - não é Luzia? Daí construímos essa grande amizade, esse grande respeito por você, também como vereadora. Lembro-me da coligação que fizemos - PT, PSDB, sob a tutela do PSD - , a fim de eleger o prefeito Márcio Lacerda, com a contribuição de vocês, daqueles que militavam principalmente em Belo Horizonte, como o deputado Célio Moreira, que havia sido vereador por Belo Horizonte. E ali nós afinamos, como se diz na roça, a nossa viola. V. Exa. diz aí um até breve, e aqui temos de falar de vitória, de derrota. Lembro-me de um fato. Meu irmão foi prefeito da cidade de Sabará e, faltando um ano e meio para as eleições, alguém disse: “Olhe, se continuar do jeito que seu irmão está, vocês vão perder as eleições”. Eu disse: “Em determinado momento, a derrota, dependendo do ângulo em que ela é organizada, pode ser uma grande vitória”. Geralmente a gente quer continuar, quer ter aquele encaminhamento, mas às vezes é preciso também um momento de reflexão, porque são anos e anos a fio de dedicação. Quero lembrar aqui uma passagem do saudoso senador Eliseu Resende, meu companheiro, meu amigo, amigo do meu pai, dos meus familiares. O Eliseu, já um pouco adoentado, meses antes de falecer, mesmo tendo feito aquela cirurgia em São Paulo, disse num determinado momento, no Jaraguá, na região em que ele morava - ele morava aqui, no Rio e em Brasília: “É engraçada a vida pública. Às vezes a gente corre, corre, corre e procura não sei quê; e a gente morre sem entender o que nós procuramos”. A vida é fazer, e ele disse: “Fiz a vida toda. Acho que fiz muito, mas chega uma hora em que a gente tem de refletir”. Logo depois, dois meses, três meses, ele partiu desta. Mas fica aqui essa admiração por cada um de vocês, como o Célio, com quem tive oportunidade de partilhar ações. E há uma questão particular. Fiquei privado do convívio dos colegas e amigos durante três anos, quando secretário, e vi um Célio diferente. Faltando aproximadamente quatro dias para as eleições, nós subimos no caminhão para pedir voto para o Aécio, até numa imitação ao nosso colega Rogério Correia. E não é que a coisa é boa, Célio! É um aprendizado bacana aquele negócio de andar no caminhão pedindo votos, porque uns falam assim (- Gesticula positivamente com o polegar.); outros falam assim (- Gesticula negativamente com o polegar.) Tem de tudo um pouco. Foi um momento muito interessante, porque a gente acaba aprendendo até a respeitar mais os colegas, que são 77, sendo cada um de um jeito, cada um de um lado; quando chega a quinta-feira, todo mundo viaja, cada um buscando seu encaminhamento. Às vezes nem sempre você se afina com todos, mas há alguns que são mais próximos. Quero desejar-lhe êxito e dar-lhe um abraço muito carinhoso. A você Tião, eu gostaria de render uma homenagem. Quero dizer que fico triste de você estar indo embora, muito triste. Sei que você está muito animado. Com essa minha ausência daqui por três anos, perdi a grande oportunidade de aprender mais com você. Não sei se observou, mas, todas as vezes em que nos encontrávamos, eu queria prosear com você. Eu queria, infelizmente, não ser egoísta, mas sugar um pouco mais de você, da sua sabedoria, do seu jeito de ser, do seu jeito ameno, carinhoso, fraterno, com essa voz mansa - podemos até dizer doce e angelical. Sabe, Tião, você vai sair daqui, mas há um outro companheiro que diz que nem sempre as pessoas de quem a gente gosta são aquelas com quem precisamos conversar todos os dias, mas sim aquelas em quem a gente pensa carinhosamente todo dia. São aqueles que quando falam, como o Sebastião Costa, de quem a gente se lembra com saudade, carinho, amor ao próximo, fraternidade. Quem aqui não gosta do Sebastião Helvécio, que hoje é conselheiro do Tribunal de Contas? Esta Casa é a nossa Casa, a Casa do povo. Então faça daqui também a sua casa, a casa do seu filho. A vida pública é assim. Seu moleque está com 26 anos e teve mais de 40 mil votos. Daqui a pouquinho nós, por circunstâncias das questões divinas, vamos passando. A nossa passagem aqui é tão rápida! Quando cada um olha para trás, como disse aqui o Alencar, são sete, oito mandatos, cinco; o outro foi prefeito; o outro vereador. Realmente chega o momento em que vamos passando por essa grande avenida. Entretanto, fica o legado: o legado da história, da retidão, do caráter e do amor à causa pública. Amor esse que você dedicou às comissões, juntamente com o nosso colega Zé Maia. Quantas vezes o Zé Maia foi tão mal compreendido aqui porque... Xingado? Bota xingado nisso. Foi ameaçado, tendo de sair escoltado pela polícia. Mas, afinal de contas, é o jogo. O Rogério jogava para a plateia, e você segurava. Agora vai acontecer o contrário, alguém vai jogar para a plateia, e o Rogério vai ter de segurar. Mas esse é o exercício das divergências, buscando a convergência e o bem comum. Um, com as próprias razões; e, você, com as suas razões, constitucionais, legais, jurídicas, soube representar bem. Então, da mesma forma que os meus amigos disseram, esse é um até breve, viu, Maia? Se há algumas lamentações para serem feitas, digo que você, Mosconi, Célio, Luzia, que foi para o plano federal, e o Sebastião são pessoas que realmente vão fazer falta. O aprendizado da política não se escreve nos livros; o aprendizado da política é a construção do dia a dia, é entender sentimento, é colocar-se no lugar do outro e sentir o que o outro está sentindo, é entender que se pode fazer mais. Fica o meu abraço carinhoso a todos vocês e aos outros companheiros que aqui não estão, como o Romel Anízio, figuraça, sujeito de uma excepcionalidade grande demais, e a Maria Tereza. Mas a vida é assim, é vida que segue. Quero desejar duas coisas, Tião: saúde e muita paz. O resto, meus amigos, vamos arranjando por aí afora. Muito obrigado. Vão com Deus e um bom Natal. Felicidades.