DEPUTADO ANTÔNIO CARLOS ARANTES (PSC)
Discurso
Elogia a atuação do Deputado Getúlio Neiva. Comenta suas expectativas em
relação à administração do Governador Antonio Augusto Junho Anastasia e
na questão da política de proteção ao produtor de leite e café. Comenta a
situação financeira dos Municípios e a reunião dos Prefeitos em Brasília
- DF - para reivindicar a partilha dos "royalties" do petróleo da camada
do pré-sal.
Reunião
96ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 22/12/2010
Página 176, Coluna 2
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. AGROPECUÁRIA. TRIBUTOS. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 22/12/2010
Página 176, Coluna 2
Assunto DEPUTADO ESTADUAL. ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. AGROPECUÁRIA. TRIBUTOS. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
96ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 15/12/2010
Palavras do Deputado Antônio Carlos Arantes
O Deputado Antônio Carlos Arantes* - Sr. Presidente e nobres
colegas, quero cumprimentar o caro amigo Deputado Getúlio Neiva
por mais um brilhante pronunciamento nesta Casa. Realmente V. Exa.
é diferenciado como orador, pessoa e amigo. Como V. Exa. mesmo
disse, está deixando esta Casa de cabeça erguida e com o
sentimento do dever cumprido. Não tenho dúvida de que o povo
mineiro e de Teófilo Otôni ainda precisa muito da sua capacidade,
do seu trabalho e da sua dedicação. Nestes quatro anos, posso
considerá-lo um dos melhores amigos que cultivei nesta Casa.
Eu, que já tinha boa amizade com V. Exa. quando éramos Prefeitos,
tive a grata satisfação de tê-lo como parceiro na Comissão de
Política Agropecuária e de aprender um pouquinho com V. Exa.,
principalmente na hora de usar esta tribuna. Mas quem sou eu para
sonhar um dia chegar perto de sua capacidade?
Fazendo coro com nossos amigos, quero falar sobre alguns
assuntos. Primeiramente, sobre a minha satisfação de ver este
mandato terminando de forma muito produtiva. Agradeço ao governo
Aécio Neves, cumprimento-o e o parabenizo, cumprimentos extensivos
ao governo Antonio Anastasia e a toda a sua equipe, que fizeram
diferença no Estado. Foram oito anos de progresso, de
desenvolvimento, de respeito ao cidadão mineiro, oito anos sem
corrupção. Fico muito feliz porque contribuí bastante, junto com
nosso Deputado Federal Carlos Melles, nosso grande parceiro, para
que o desenvolvimento chegasse mais rapidamente e em maior
quantidade à minha região, o Sudoeste mineiro. Não tenho dúvida de
que Aécio Neves fará também mais um grande trabalho como Senador e
de que nosso Governador Antonio Anastasia também fará mais um
grande mandato. Nós, mineiros e produtores rurais, estamos
contando, com muita esperança, com sua ajuda no que foi discutido,
comprovado e prometido, que é haver uma política diferenciada,
efetiva e direcionada para o produtor de café e de leite e para o
setor rural, buscando também melhoria das rodovias, das estradas.
Ontem foi editado um decreto, que já é parte do que foi assumido,
taxando o leite que vem de fora e ao mesmo tempo incentivando a
indústria mineira a aprimorar seu produto, o que é um grande
avanço para a indústria e para os produtores mineiros.
Deputado Getúlio Neiva, V. Exa. deve se lembrar de quando
provocamos aquela audiência pública da Comissão de Política
Agropecuária e colocamos mais de mil produtores aqui. Na ocasião
discutimos o empobrecimento do produtor rural, fruto da
dificuldade dos produtores de café e leite, setores que são as
maiores economias e que mais geram emprego. Fico feliz porque o
Governador reagiu e está fazendo sua parte na questão do leite.
Para o café, o mercado está fazendo sua parte hoje. O café hoje,
Deputado Getúlio Neiva, custa R$385,00 a saca. É um preço muito
bom. Mas me dá tristeza ver que o produtor de café não tem mais
café, porque ele já o vendeu faz tempo, e barato, porque estava
endividado, pobre, sofrido, muitas vezes sem crédito, o setor todo
devendo mais de 5 bilhões de reais. Ele não pode comemorar esse
aumento agora. Apenas 10% dos cafeicultores têm café para vender,
e são os que normalmente têm outra atividade, são os que não
dependem do café. Os que dependem do café para sustentar sua
família não o têm.
Entraremos depois na questão da Fiat. Uma parte dela, que poderia
ficar em Minas, está indo para Pernambuco; é uma perda de 5
bilhões. O que me assusta e me preocupa é que falam que a questão
do café é de mercado, diz respeito à lei da oferta e da procura.
Mas não é. Qualquer país desenvolvido faz sistemas e cria
políticas de proteção a essa atividade e a esse produtor. Se o
governo federal nos tivesse atendido - ele tem mais de 1 bilhão no
Funcafé só para socorrer o produtor nas horas difíceis -, se ele
tivesse usado esse dinheiro, não seria preciso pegar dinheiro da
população, do orçamento que vai para a saúde e para a educação.
Esse dinheiro é do produtor rural, do fundo que vem do café, para
apoio à atividade cafeeira. Se o governo tivesse colocado recursos
na hora certa para esse produtor, ele teria armazenado café e
agora teria essa diferença. Todos perderam porque venderam barato
o café, que hoje está na Alemanha, no Japão e na Itália. Nós
perdemos no mínimo R$100,00 por saca. Em Minas Gerais, se
multiplicarmos esse valor por 20 milhões de sacas, o resultado
será aproximadamente R$200.000.000,00 por ano. Como Minas produz
mais de 20 milhões de sacas de café, em seis anos, essas perdas
resultam em muitos e muitos bilhões que deixarão de alimentar a
economia mineira e brasileira. Quem ganha são os países europeus,
principalmente.
Precisamos conscientizar-nos de que o governo federal está
deixando de ganhar dinheiro. Quando o governo compra, melhora o
mercado, quando vende, o governo e o País ganham. O orçamento do
Estado cresce. Infelizmente, está faltando essa política, que
precisa partir de uma ação governamental mineira. Temos certeza de
que o Governador Anastasia, como já iniciou essa política de
proteção ao produtor de leite, também o fará para o de café.
Segunda-feira, fizemos uma audiência pública para debater sobre o
café, pela manhã, e uma para debater sobre o leite, pela tarde.
Fomos muito bem representados por produtores, cooperativas,
sindicatos e pelo governo do Estado.
Essa será nossa expectativa para o próximo mandato, em que tive a
felicidade de quase dobrar os meus votos, chegando nesta Casa com
quase 75 mil votos para defender o produtor rural. Defendendo a
atividade rural, estou defendendo a cidade. Se o trabalhador do
campo tem renda, gasta-a na cidade; cada emprego gerado no campo
indiretamente gera de dois a três empregos na cidade. Quando o
campo vai bem, a cidade vai bem; quando o campo vai mal, a cidade
vai mal. Por isso fazemos a defesa incessante do desenvolvimento
do setor rural.
Deputados Getúlio Neiva e Doutor Ronaldo, grandes municipalistas,
não podemos deixar de falar que os Prefeitos estão em Brasília
hoje, reivindicando a partilha dos “royalties” do petróleo. É
fácil entender a crise que assola as prefeituras. Existe muita
incompetência de Prefeitos, mas a maioria é séria, trabalhadora e
honesta. Fui Prefeito por três mandatos e conheço esse meio, a
maioria dá o sangue com seriedade e respeito, praticando um
sacerdócio. Hoje, seja aqui, seja lá em Jacuí, seja em Paraíso, de
cada compra 45% são impostos do governo federal. Os impostos são
arrecadados no Município, e, de cada R$100,00 arrecadados, apenas
R$14,00 ficam no Município, R$25,00 ficam no Estado e R$60,00
ficam na mão do governo federal, que está nadando no dinheiro
enquanto os Municípios estão quebrados, com o pires na mão,
humilhados e sofridos.
É por isso que os Prefeitos estão lá hoje. Os “royalties” do
petróleo são os impostos arrecadados pela produção de petróleo.
Aí, os Estados que produzem mais petróleo, principalmente Rio de
Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, querem ficar com todos esses
impostos. Mas não são eles que vão consumir todo o petróleo - o
óleo “diesel”, a gasolina. Para que produzam, o País tem de
consumir. E Minas Gerais consome muito petróleo - são bilhões de
litros de combustível gastos em seus Municípios. Ou seja, se há
produção, isso é porque há consumo; então nada mais justo que a
divisão dos “royalties”. Nós, os Deputados Estaduais, não temos o
poder de nos manifestar, pelo voto, favoráveis ou contrários, mas
temos companheiros federais que são nossos amigos e parceiros,
como o Deputado Carlos Melles, que é a favor de repartir o
“royalty” para os Municípios que consomem petróleo, e são todos.
Então precisamos apoiar esse movimento e cobrar do Presidente Lula
que divida o bolo com todo o mundo, porque o petróleo é consumido
por todo o País.
E os Municípios pequenos, como Jacuí, minha cidade, vai arrecadar
R$600.000,00 por ano, o que vai ajudar muito a melhorar a saúde.
Essa é uma obrigação do governo federal, mas ele não tem repassado
aos Municípios os recursos necessários para manterem uma saúde de
qualidade. E não me refiro apenas aos pequenos Municípios. O
Doutor Ronaldo, que é um médico conceituado, um homem que tem um
coração maior que esta Casa e que vive as dificuldades que
enfrentamos no dia a dia, sabe que as santas casas estão falidas e
que a saúde está em situação horrível. Tudo isso é fruto da falta
de repasse por parte do governo federal. Para os Municípios, o
“royalty” seria uma forma de amenizar as dificuldades que
enfrentam hoje. Hoje, frequentemente, é preciso pegar um carro em
Jacuí ou em São Pedro da União e trazer o doente para Belo
Horizonte para fazer uma cirurgia de média complexidade, como a
cirurgia de joelho. Isso não tem cabimento; essa cirurgia deveria
ser feita na região. Mas, quando se faz a partilha das PPIs, AIHs
e de um punhado de sigla de que o povo não quer saber - e nem
precisa saber mesmo; o que ele precisa é ter saúde; precisa saber
de seus direitos e ser reconhecido, atendido -, vê-se que isso
ainda não é possível. É fundamental que o governo federal entenda
que não pode construir um império em Brasília, com um monte de
dinheiro na mão do governo, vazando pelas mãos de pessoas
inescrupulosas - basta olhar os jornais para vermos que até o
relator do Orçamento já caiu, porque estava repassando o dinheiro
de forma ilegal para um punhado de entidades; a outra, da mesma
forma, já está tendo problemas. Enquanto isso, aos governos
estaduais e municipais que gastam o dinheiro honestamente, como é
o caso do governo Anastasia, faltam recursos suficientes para
fazer muito do que gostariam de fazer. Essas são as nossas
preocupações.
Mas não podemos deixar de agradecer muito a Deus. Sou católico,
cristão, praticante, e digo que, onde Deus está na frente, com
gente boa do lado e muito trabalho, as coisas dão certo. Assim, em
mais um mandato que se encerra com muito trabalho, guardamos a
esperança de continuar a luta com nossos amigos. Lembro que
deixamos de conviver também com o Doutor Ronaldo, que volta para
Sete lagoas. Mas não tenho dúvidas, Doutor Ronaldo - um homem do
bem, pessoa que passamos a admirar e de quem gostamos muito -, de
que um futuro brilhante e muito bom é reservado ao senhor, pessoa
que sempre usou o seu cargo como instrumento para melhorar a vida
das pessoas, principalmente das mais humildes. Deus está do seu
lado, e o senhor também terá grandes missões pela frente para
construir uma Minas Gerais melhor para todos nós. Um abraço e que
Deus nos proteja a todos. Muito obrigado.
* - Sem revisão do orador.