DEPUTADO WANDER BORGES (PSB)
Discurso
Comenta a necessidade de duplicação da BR-381 (Rodovia Fernão Dias),
entre os Municípios de Belo Horizonte e João Monlevade.
Reunião
87ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/11/2010
Página 56, Coluna 4
Assunto TRANSPORTE.
Aparteante Deputado João Leite, Deputado José Henrique
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 24/11/2010
Página 56, Coluna 4
Assunto TRANSPORTE.
Aparteante Deputado João Leite, Deputado José Henrique
87ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 18/11/2010
Palavras do Deputado Wander Borges
O Deputado Wander Borges - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
senhoras e senhores. O motivo de nossa vinda é retomar o assunto
referente a uma cobrança que fizemos nestes quatro anos de mandato
na Assembleia Legislativa, relativa à BR-381.
A condição de predominância do transporte rodoviário no País, que
corresponde a cerca de 96,2% da matriz de transporte de
passageiros e a 61,8% do transporte de cargas, faz com que a rede
rodoviária seja elemento fundamental nas cadeias produtivas,
unindo mercados e promovendo a integração de regiões e pessoas.
É denominada Rodovia da Morte o trecho da Rodovia Federal Fernão
Dias, a BR-381, entre os Municípios de Belo Horizonte e João
Monlevade, com extensão aproximadamente de 105km, que vem
registrando inúmeras tragédias nos últimos anos. Conforme
estatísticas da Polícia Rodoviária Federal, a cada quilômetro
desse trecho morrem três pessoas. Ressalto que vários Deputados
desta Casa se empenharam em ação permanente de cobranças por
melhorias nessa rodovia.
Nos anos de 2006 a 2009 ocorreram 358 mortes, 81 destas ocorreram
em 2009. As estatísticas referentes a 2010 ainda não foram
divulgadas. Entretanto, se as ocorrências continuarem, conforme
noticiado normalmente pelos jornais, pela televisão e pela rádio,
com certeza o número ultrapassará expressivamente o do ano de
2009.
Em 2009, à altura do Km 435, na cidade de Sabará, um caminhão
carregado com vigas metálicas não conseguiu fazer uma curva e
tombou, atingindo uma “van” que transportava 15 estudantes
universitários, dos quais 5 morreram no local. Muitos se lembram
desse episódio, quando moças e meninos de Caeté vieram a falecer.
Esse fato mobilizou a Assembleia Legislativa junto à comunidade
local, provocando várias paralisações ao longo deste ano que ora
se encerra. Segundo avaliação da Polícia Rodoviária, o motorista
do caminhão trafegava em alta velocidade.
No início deste ano, apenas em dois dias, 4 pessoas morreram e 51
ficaram feridas em dois acidentes. O primeiro ocorreu na noite do
dia 30 de janeiro, com uma batida frontal de dois veículos, que
resultou em 3 mortes e 5 feridos. No dia seguinte, um ônibus
tombou no canteiro central, causando a morte de 1 criança e
ferimentos em 46 pessoas. No feriado da Semana Santa, ao fazer uma
ultrapassagem, um caminhão invadiu a contramão e colidiu de frente
com uma carreta e dois veículos de passeio. Com o impacto, o
caminhão caiu em uma ribanceira e arrastou um dos veículos,
causando 1 morte e ferimentos em 8 pessoas.
Em junho, 9 pessoas morreram no Km 425, quando dois carros
alugados para levar 10 pessoas a um casamento foram esmagados por
uma carreta que transportava bobinas de arames de aço. A carreta
perdeu o controle, invadiu a contramão e tombou. Com o impacto, a
carga se soltou e foi arremessada sobre os automóveis. Em
setembro, 6 pessoas morreram e 5 ficaram feridas. O primeiro
acidente ocorreu no Km 415, em Nova União, onde um veículo saiu da
pista e caiu em uma ribanceira, matando 2 pessoas e ferindo outras
tantas. No dia seguinte, no Km 421, em Caeté, um motorista
utilizou o acostamento para ultrapassar dois veículos e, ao
retornar para a pista principal, perdeu o controle, invadiu a
faixa contínua e foi atingido de frente por uma carreta que
transportava cimento. Após a batida, a carreta foi lançada sobre
outro veículo e tombou, esmagando um terceiro automóvel. O
acidente causou a morte de 4 pessoas e ferimentos em outras 3
pessoas. No feriado da Proclamação da República, a BR-381
confirmou a fama de ser a rodovia mais violenta do Estado de Minas
Gerais, uma vez que das 35 mortes contabilizadas nas estradas
federais, 10 ocorreram na Rodovia da Morte.
A violência relatada aqui é atribuída a vários fatores, entre
eles o excesso de velocidade, as chuvas e a imprudência; todavia,
Deputados João Leite e José Henrique, temos de fazer um paralelo,
pois em um trecho da mesma rodovia - aquele que nos leva de Belo
Horizonte a São Paulo - não ocorre o mesmo número de acidentes que
acontecem no trecho de Belo Horizonte a Valadares. A sinalização
precária e o asfalto em más condições também são responsáveis por
muitos desastres no trecho, agravando a situação. Além disso, a
falta de divisórias físicas entre as pistas aumenta o risco de
colisões frontais.
O Deputado João Leite (em aparte) - Obrigado, Deputado Wander
Borges, cujo pronunciamento acompanho atentamente. Sua voz é forte
em defesa não apenas da população de Minas Gerais e da região
cortada pela BR-381 Norte, mas também de todos os brasileiros que
se utilizam dessa passagem, uma ligação do Mercosul com o Nordeste
e o Norte brasileiro.
O esquecimento e o abandono dessa rodovia pelo governo federal é
inaceitável. Temos de conviver, lamentavelmente com essas mortes
diariamente. Os números que V. Exa. apresenta dão a mostra do
absurdo. Só uma medida de muita força, Deputado Wander Borges,
para que o governo federal seja incriminado pelos acidentes que
vêm acontecendo. O mais triste é que, acompanhando os números que
V. Exa. está expondo da BR-381, já estamos no final do ano, quando
os mineiros irão para a praia e utilizarão essa estrada e correrão
esses riscos.
Concordo com o pronunciamento de V. Exa. Se é velocidade, ela
deve ser coibida. Se a causa é motorista malpreparado, deve-se
capacitá-lo. Essa é uma estrada construída em 1950, quando um
caminhão carregava 7t. Hoje, os caminhões carregam 50t e passam
pela mesma estrada. Parabéns, Deputado Wander Borges! Conte comigo
nessa luta. Tivemos, ontem, mais um acidente na descida do Bairro
Betânia, no Anel Rodoviário. Infelizmente, o governo não faz nada.
Parabéns, Deputado Wander Borges, conte com o nosso apoio para
qualquer medida contra o governo federal, que deve ser
responsabilizado pelas mortes que vêm acontecendo na BR-381 e os
acidentes do Anel Rodoviário.
O Deputado Wander Borges - Conforme o informado pelo Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT -, o edital da
licitação para duplicação do trecho entre a Capital e Governador
Valadares, em um total de 310km, será publicado no segundo
semestre de 2011, e, considerando as mais promissoras
perspectivas, apenas no ano de 2015, poderemos ter algum tipo de
obra.
Uma coisa é importante relatar, Deputado José Henrique. A obra
está orçada em R$3.000.000.000,00 aproximadamente, o equivalente a
menos de 0,5% do Orçamento geral da União, que neste ano já chega
ao Congresso Nacional com valores da ordem de
R$1.000.000.000.000,00. Por isso é importante protocolarmos aqui
nesta Casa, como fizemos hoje, a solicitação para que o Ministério
Público Federal proponha um termo de ajustamento de conduta ao
DNIT. O jornal “Estado de Minas” de hoje mostra que o Ministério
Público Estadual está promovendo um termo de ajustamento de
conduta entre o Município de Congonhas e as mineradoras, para que
os caminhões sejam lavados e não deixem a poeira, que tanto faz
mal à saúde, acumular-se em Congonhas. O jornal “Hoje em Dia” diz
que o Ministério Público quer obrigar as empresas a colocar mais
horários no percurso entre Belo Horizonte e Governador Valadares
no chamado trem de ferro, composição da Vale chamada Vitória -
Minas.
Então é mais do que justo requerermos ao Ministério Público
Federal que proponha um termo de ajustamento de conduta no qual o
DNIT se comprometa a divulgar para a sociedade o cronograma dessas
obras, quais são os prazos, quando e como vai ocorrer e qual o
custo do projeto executivo. Que respostas daremos à sociedade?
Enfim, toda a semana estamos enterrando os nossos companheiros que
transitam na BR-381. Isso não pode continuar.
Teremos de voltar, Deputado José Henrique, a fazer aquelas nossas
manifestações e paralisarmos novamente a BR-381, para que,
realmente, isso seja prioridade. Uma coisa são os recursos, que já
vimos que estão aqui. Outra coisa é vontade política de resolver
um problema que se arrasta há anos. As curvas, o traçado
geométrico dessa rodovia já não permitem que se utilizem
automóveis e caminhões como os de hoje, como o transporte de aço e
seus derivados, que faz a economia pujante deste Estado.
O Deputado José Henrique (em aparte) - Agradeço o aparte,
Deputado Wander Borges.
Na verdade, trata-se de uma luta de mais de uma década. Estou
cumprindo o meu quarto mandato. Lembro-me de que, ainda na década
de 90, já fazíamos o movimento da “duplicação já” da BR-381. Nas
reuniões da Cipe Rio Doce, na região do Vale do Rio Doce, em
Coronel Fabriciano, em Governador Valadares, houve vários
encontros. Lembro-me ainda de que, no final do governo Eduardo
Azeredo, o Secretário Israel Pinheiro foi apresentar em Valadares
o projeto de privatização, que daria à iniciativa privada a
duplicação da BR-381. Naquela época, houve críticas às
privatizações. Nesta terça-feira, no Parque da Colina, houve o
enterro de mais uma pessoa de nossa região, morta nessa estrada. O
acidente ocorreu na segunda-feira, no trevo de Ravena: perdemos o
nosso amigo e grande médico e professor da universidade federal,
José Teubner Ferreira (conhecido como “Zecão”), originário de
Aimorés. Era aposentado, vivia tranquilo na sua cidade. Ele não
gostava de viajar pela BR-381, por isso sempre usava a estrada de
ferro; entretanto, naquele dia ele aceitou o convite do irmão para
viajar de carro pela BR-381 e acabou sendo vítima de um acidente,
vindo a falecer.
Não basta fazermos movimento por paralisação da rodovia.
Participei de debate público com o ex-Deputado Roberto Carvalho,
Vice-Prefeito de Belo Horizonte, que dizia que houve melhora de
alguns trechos da BR-381. Recapearam algumas áreas dessa rodovia.
Entretanto, como eu disse, isso foi pior porque agora os acidentes
irão aumentar em virtude do aumento da velocidade dos carros. O
que há muito já deveria ter sido feito é a duplicação das pistas.
O número de acidentes aumentou. Paralisar a rodovia não é a melhor
solução, porque as mortes não deixarão de ocorrer; contudo, se
essa paralisação afetar a economia, ou seja, se pararem os
veículos que transportam produtos da Usiminas, da Cenibra e das
empresas que ali estão, aí, sim, vamos ver a rodovia duplicada.
Essa paralisação só será útil se causar prejuízos às grandes
empresas. Enquanto essas pobres famílias continuarem morrendo,
vítimas de acidentes, não haverá duplicação.
Na verdade, não se conhece nem mesmo o projeto de duplicação
dessa rodovia. Faz dois anos que aguardamos por esse projeto.
O Deputado Wander Borges - Há de se ressaltar, Deputado José
Henrique, que, das 78 balanças instaladas nas estradas do País, 15
encontram-se em Minas Gerais; contudo, para a adequada
fiscalização do excesso de peso de carga, a que V. Exa. se
referiu, seriam necessários mais 15 dispositivos dessa natureza.
Os especialistas estão dizendo que a redução dos acidentes graves
dependem da intensificação da fiscalização do excesso de peso dos
caminhões.
Por oportuno, é importante ressaltar que inexiste balança de
passagem no trecho compreendido entre a Capital e João Monlevade.
Só há um único equipamento instalado próximo a Jaguaraçu e
Timóteo. Assim sendo, há uma premente necessidade de se combater o
que está acontecendo. Espero que o Ministério Público Federal atue
na defesa dos interesses coletivos e difusos das pessoas que
trafegam por essa rodovia.
Por fim, outra luta que precisamos empreender é não deixar que o
governo federal continue a centralizar recursos em suas mãos. Os
Municípios brasileiros estão morrendo. Há 20 anos, praticamente
12% a 13% do bolo tributário era destinado aos Municípios, e hoje
ficamos apenas com 6% a 7% desses tributos. Os Municípios
brasileiros estão em estado de calamidade pública, e isso precisa
ser reorganizado. A economia tem de ser reorganizada; aliás, isso
é dito e reconhecido por cada Prefeito, Vereador e liderança
municipal que ouvem o clamor das pessoas. Precisamos tentar
destinar mais recursos aos Municípios, e não basta que sejam
recursos de emenda de Deputados Estaduais e Federais ou de
Senadores. Os recursos deverão vir da chamada receita corrente
líquida. Muito obrigado, Srs. Deputados.