DEPUTADA ELISA COSTA (PT)
Discurso
Comenta o projeto de lei que estima as receitas e fixa as despesas do
Orçamento Fiscal do Estado de Minas Gerais e do Orçamento de
Investimentos das Empresas Controladas pelo Estado para o exercício do
ano de 2007.
Reunião
68ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/12/2006
Página 57, Coluna 4
Assunto ORÇAMENTO.
Aparteante MARIA TEREZA LARA, EDSON REZENDE.
Proposições citadas PL 3645 de 2006
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/12/2006
Página 57, Coluna 4
Assunto ORÇAMENTO.
Aparteante MARIA TEREZA LARA, EDSON REZENDE.
Proposições citadas PL 3645 de 2006
68ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
15ª LEGISLATURA, EM 20/12/2006
Palavras da Deputada Elisa Costa
A Deputada Elisa Costa* - Quero cumprimentar o Sr. Presidente,
Deputado Mauri Torres, e os Deputados e as Deputadas presentes
aqui neste último dia, em que votamos importantes projetos, e
fundamentalmente agora, que encerraremos votando o Orçamento para
2007, da ordem de R$30.000.000.000,00.
Como membro efetivo da Comissão de Fiscalização Financeira e
Orçamentária, representando o Bloco PT-PCdoB, esclareço que
tivemos uma experiência positiva com os demais integrantes dessa
Comissão no acompanhamento e na fiscalização da execução do
Orçamento do Estado, nesses dois anos que passamos aqui na
Assembléia Legislativa.
Quero concordar com o Deputado Laudelino Augusto quanto a algumas
premissas muito importantes para o Orçamento. Primeiramente,
quanto à sua própria elaboração. Esperamos que cada vez mais o
Orçamento possa representar, de fato, os anseios, as necessidades
e as demandas do Estado. Ele só será efetivamente um instrumento
de planejamento e de política pública se conseguirmos aperfeiçoá-
lo por meio da participação popular, do envolvimento da sociedade,
que conhece como ninguém, na sua vivência cotidiana, as reais
necessidades de cada Município e região, em cada tema que diz
respeito a Minas Gerais.
Considero importante essa premissa, para que o Orçamento não seja
impositivo. Travamos esse debate, não somente quando fui Vereadora
em Governador Valadares, mas também aqui nesta Assembléia, junto a
todo o bloco. Entendemos que essa também seja uma premissa para o
Orçamento federal.
Esperamos que cada vez mais esse instrumento de planejamento, de
realidade, seja conquistado pela sociedade.
A segunda premissa, muito importante, é a de um orçamento que saia
dos gabinetes, especialmente das Secretarias de Estado, dos nossos
mandatos e da própria Assembléia. O Deputado André Quintão deixou
a proposta de promovermos, nos próximos anos, audiências regionais
e municipais, para que o Orçamento seja mais participativo e com
uma maior presença da sociedade.
A terceira premissa, também muito importante no nosso
entendimento, é o acompanhamento, a fiscalização e a execução do
Orçamento. Os instrumentos de transparência em relação ao
acompanhamento da execução orçamentária são muito precários na
Assembléia. Temos um único ponto na Assembléia para acessar o
Siafi a cada momento que precisamos saber sobre algum resultado da
execução orçamentária nas diversas áreas.
Em nossa Comissão, conseguimos aprovar uma proposta de nossa
autoria para que seja feito um balancete mensal especialmente
relacionado às políticas públicas mais importantes de Minas Gerais
e enviado aos Deputados, Prefeitos, Vereadores e movimentos
sociais. Esse acompanhamento e essa fiscalização ainda não existem
em todas as áreas e precisam ser mais abrangentes. A aplicação dos
recursos pela sociedade e pelos movimentos sociais precisa ser
melhor fiscalizada para que o Orçamento seja melhor executado. Os
instrumentos de democratização do acesso às informações têm que
ser ampliados na Assembléia Legislativa e no governo do Estado,
como acontece no governo federal. Todos os Deputados Federais
podem acionar o Siafi e ter acesso às informações para
imediatamente repassá-las à população e construir mais cidadania e
espaço de participação popular.
Com esses pressupostos fundamentais no debate do Orçamento,
fazemos nossa avaliação em relação ao orçamento de 2007. Há pontos
polêmicos que, para o nosso Bloco PT-PCdoB, deixaram a desejar nas
emendas que apresentamos, amplamente rejeitadas em sua maioria,
principalmente aquelas que dizem respeito à democratização e à
transparência. São emendas que nos chegaram de diversas regiões do
Estado de Minas Gerais, exatamente encaminhadas pelos movimentos
sociais. Grande parte delas não foi acolhida, conforme disse o
Deputado André Quintão, mas são questões polêmicas que deixamos
para o debate continuar e ser aperfeiçoado a cada ano.
A saúde continua apresentando o mesmo problema e não demanda
apenas uma regulamentação mais clara da Emenda nº 29 na Câmara
Federal, o que defendemos, mas que seja feito um registro que
identifique melhor o que ela significa. Independentemente de ser
melhor regulamentada por uma lei federal, sabemos que a Emenda nº
29 não está sendo aplicada. Os Deputados Edson Rezende, Ricardo
Duarte e Adelmo Carneiro Leão, Presidente da Comissão de Saúde,
têm feito esse debate. Fica muito claro que os 12% de receitas e
impostos das ações e serviços de atenção à saúde não têm
acontecido em Minas Gerais, e não dá para incluir isso nesses 12%.
Para 2007, a previsão orçamentária é de 14,18%, mas, em nosso
entendimento, não passará de 7,08%. Não podemos incluir no
orçamento da saúde os recursos arrecadados pela Copasa. Durante um
semestre, debatemos sobre as funções pública e social dessa
instituição. Dos 2 bilhões previstos para a saúde no orçamento de
2007, R$1.200.000.000,00, Deputado Rogério Correia, são
investimentos da Copasa. Recursos arrecadados dos servidores do
Ipsemg e dos hospitais militares também são utilizados para
garantir esses 14% propostos pelo Governador de Minas.
Para nós, esse problema vem-se acumulando, aprofundando-se, e,
cada vez mais, poucos recursos são aplicados na área de saúde do
Estado de Minas Gerais. Em 2005, foram executados 4.56%; até
setembro de 2006, 5.09%. Conforme nossa avaliação, na previsão
orçamentária para o próximo ano, essa execução não passará de
7,06% por causa da inclusão dos recursos da Copasa, do Ipsemg e
dos hospitais militares.
Continuaremos a debater esse assunto que é bastante polêmico. Isso
se torna mais evidente na pesquisa nacional feita pelo Ibope e
pela CNI sobre o segundo mandato do Presidente Lula. Os resultados
dessa pesquisa colocam a saúde como prioridade nacional, seguida
de geração de empregos, segurança e educação. Como Minas Gerais
participou dessa pesquisa, significa que o nosso Estado precisa
dar mais atenção à área de saúde. Precisamos de mais recursos, de
mais investimentos, além de remunerar melhor os nossos servidores.
Destacamos também como ponto polêmico - que deverá ser debatido no
próximo ano - os poucos recursos destinados ao orçamento para a
recuperação de salários e remuneração dos servidores do Estado. A
política dos servidores de Minas Gerais esteve ausente durante
esses anos, nesse primeiro mandato do Governador Aécio Neves. Se
continuar no próximo ano como está no orçamento, deixará um débito
muito grande, uma dívida muito grande para com os servidores do
Estado de Minas Gerais que não puderam recompor seus salários
nesses quatro anos.
Os servidores da área de educação, há cerca de 12 anos, estão
aguardando uma recomposição salarial digna. O mesmo acontece com
grande parte dos demais servidores do Estado. Ao falarmos sobre os
servidores da educação e da saúde, estamos falando também sobre os
demais servidores, mas essas duas categorias somam quase 350 mil
servidores de Minas Gerais, que representam as políticas mais
importantes, ou seja, as políticas sociais.
No que diz respeito aos servidores, tudo ainda é muito confuso na
atual política do Estado. Aprovamos planos de carreira. As tabelas
salariais foram uma enganação. Verificamos que o único acréscimo
feito na política remuneratória foi uma data-base. O adicional de
desempenho, aprovado aqui, no nosso entendimento, significa um
retrocesso no que diz respeito à legislação vigente desde 2003.
Para o próximo ano, precisaremos fazer um grande movimento
estadual em todas as categorias, já que isso está incluído na lei
que garante os reajustes a partir da arrecadação do ICMS. E temos
discordâncias nesse ponto, porque, para aumentar o salário dos
servidores, não pode ser apenas em relação à arrecadação de ICMS,
mas deve ser relativamente a todos os impostos e transferências
que o governo de Minas recebe. Aí haveria de fato um reajuste e
uma recuperação mais dignos. Investimento em servidor significa
investimento em política pública de qualidade para Minas Gerais.
Outro ponto polêmico que também será debatido pelos Deputados são
os poucos recursos para o ensino superior em Minas, para as nossas
universidades estaduais, especialmente a UEMG. Não conseguimos
avançar muito. A UEMG precisa ser efetivamente uma universidade
estadual de Minas Gerais. A exemplo do governo Lula, que está
estimulando as extensões universitárias nas cidades-pólo e também
os Cefets, como bem falou o Deputado Edson Rezende, precisamos ter
efetivamente esse apoio em Minas Gerais, como ocorre no Rio de
Janeiro, em São Paulo e em outras unidades da Federação. Minas
Gerais, que é um grande Estado do Brasil, precisa dar apoio
efetivo às suas universidades estaduais para garantir o ensino
público superior, e não apenas estimular o ensino privado em seu
território.
Minas Gerais deve ter de fato uma universidade estadual. A
Unimontes conseguiu avançar em seus "campi" e extensões, mas a
Uemg precisa sair do papel e tornar-se efetivamente a Universidade
Estadual de Minas Gerais. Esta Casa é muito sensível a essa causa,
mas esse debate não está reproduzido no Orçamento. Ainda não saiu
do papel, do discurso a consolidação da nossa Uemg.
Apesar de não termos recursos para todos os setores, eles existem
para propaganda e publicidade em Minas Gerais, que está orçada em
27 milhões. Em 2005 foi orçada em 10 milhões, mas gastou 81
milhões. Este ano foi orçada em 18 milhões, mas ainda não sabemos
quanto foi gasto, porque os valores relativos à publicidade não
foram disponibilizados. Diferentemente de todas essas
necessidades, a publicidade tem destaque em Minas Gerais com o
Governador Aécio Neves.
Por fim, destaco algumas emendas e avanços que considero positivos
no Orçamento. Foi dito pelo Deputado André Quintão que, até menos
do que conseguimos no Orçamento deste ano, que foram
R$6.000.000,00, os R$4.000.000,00 vieram através da participação
popular, da própria Comissão e dos movimentos sociais. É
importante que uma parte do nosso orçamento de fato tenha a
presença da sociedade. Como ele bem disse, houve ampliação na
segurança alimentar, na assistência social, nos direitos humanos,
na parte da criança e do adolescente com o acolhimento das emendas
populares. Não foi tanto quanto seria necessário em função,
Deputado André, da política social que temos em Minas Gerais.
Outra grande ausência deste governo é o comprometimento com os
programas e políticas sociais. Para o próximo ano, é preciso rever
com profundidade a política de saúde, de educação, de assistência
social, dos servidores públicos, de segurança alimentar e de
promoção social, a fim de que o povo mineiro e o brasileiro tenham
mais dignidade.
Portanto são algumas avaliações que queria deixar na discussão do
Orçamento. Realmente ressinto que tantas emendas populares e
tantas outras foram rejeitadas, mas a luta continua. A sociedade
se fará cada vez mais presente nos debate.
Gostaria de citar as duas emendas positivas que conseguimos
aprovar por meio da bancada do Rio Doce e dos Deputados da nossa
Comissão. Agradeço a sensibilidade de todos os Deputados que fazem
parte da nossa Comissão. Essas duas emendas não se referem apenas
ao Rio Doce; elas ampliam a questão ambiental da Bacia
Hidrográfica do Rio Doce. Duzentos e trinta Municípios são
percorridos e banhados pelos afluentes e pelo Rio Doce. Destaco a
contribuição dos Deputados Sebastião Helvécio, Jayro Lessa, José
Henrique, Domingos Sávio e Dilzon Melo para a aprovação dessa
emenda.
Deputado Jayro Lessa, foram destinados, no Orçamento do Estado,
por meio do empenho da Cipe, R$4.000.000,00 a projetos relativos
ao Rio Doce Limpo. Esses R$4.000.000.00 serão destinados aos
projetos de ETEs e à despoluição do Rio Doce. Acrescentamos também
mais recursos na recuperação das matas ciliares, na revitalização
da bacia, na recuperação da mata atlântica, no cuidado das nossas
nascentes e na contenção de enchente na maioria das cidades
banhadas pelo nosso Rio Doce. Moramos numa cidade onde há enchente
todos os anos. Neste ano, houve enchente não apenas em Governador
Valadares, mas também em grande parte do Rio Doce, em Caratinga,
onde os afluentes que deságuam no Rio Doce e provocam, a cada ano,
as cheias. Desalojadas, milhares de famílias precisam da
contribuição não somente do Ministério da Integração Nacional, do
Ministério do Meio Ambiente, mas também da Secretaria de Meio
Ambiente, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano - Sedu -, e de
outros órgãos para, de fato, minimizarmos os efeitos das enchentes
em todas as nossas regiões.
Deixamos aqui nossa solidariedade a todas as famílias que se
encontram desalojadas no Estado de Minas Gerais, principalmente na
nossa região. Isso realmente acarreta enorme prejuízo às cidades e
às famílias.
Essa emenda prioriza o ensino superior gratuito e soma-se à grande
experiência do governo Lula ao possibilitar a criação de
universidades. Entretanto, onde não podem mais ser criadas, haverá
extensões universitárias nas cidades-pólo. Assim, democratizaremos
o ensino superior em Minas Gerais tornando-o acessível à juventude
mais pobre e construiremos políticas públicas de pesquisa e
desenvolvimento regional. Universidades são fundamentais para
avançarmos os projetos em cada região. A emenda garante mais
recursos a Minas para dar contrapartida aos investimentos federais
nos ensinos superiores a serem criados nas cidades-pólo de
extensões universitárias. Portanto, nossa juventude terá mais
oportunidades.
Temos de cuidar das nossas crianças, dos nossos adolescentes,
especialmente da nossa juventude, que está morrendo em muitas
cidades mineiras, onde a violência atinge principalmente os mais
pobres e negros. Os nossos jovens estão morrendo em muitas
Capitais, em muitas cidades-pólo e em muitas cidades menores de
Minas Gerais.
O Pró-Jovem, que foi instituído pelo governo Lula, deve-se somar
agora à Poupança Jovem, com recursos da ordem de 50 milhões. Além
de serem destinados à Região Metropolitana de Belo Horizonte,
também precisam, todos os dois projetos, serem estendidos às
cidades onde o índice de violência em Minas Gerais é muito alto,
como, por exemplo, Montes Claros, Governador Valadares, a região
de Uberlândia e outras regiões de Minas, que são consideradas mais
violentas.
Não há nada melhor para se combater a violência do que sua
prevenção por meio dos programas sociais destinados às famílias, à
juventude e aos adolescentes. Então, que esses programas e que
essas políticas passem pelo Conselho Estadual da Assistência
Social e pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do
Adolescente, a fim de gerar frutos novos a partir de 2007.
A expectativa da nossa população - brasileira e mineira - é muito
grande, especialmente para com o governo Lula. São expectativas de
mudanças de políticas públicas e de compromisso com a maioria da
população mais pobre de Minas e também do Brasil.
Então, quando discutimos o Orçamento, também discutimos as
prioridades, fazemos escolhas e nos comprometemos com quem o
Estado deve, de fato, cuidar: as populações mais sofridas, que
precisam dos recursos da promoção social para ter direitos e
cidadania.
A Deputada Maria Tereza Lara (em aparte)* - Aproveito a
oportunidade para cumprimentá-la pela sua brilhante atuação, que
muito honra a nossa bancada feminina. Na sua pessoa, cumprimento a
Deputada Jô Moraes, que agora está indo para a Câmara Federal. A
bancada feminina, que tem representado bem a mulher mineira, é
exígua em número, mas certamente ficará fortalecida.
Também cumprimento a Deputada Maria Olívia, que tem sido uma
Deputada extremamente solidária e atenciosa para com esta Casa
durante todo esse período. Por isso, agradeço-lhe a convivência.
Gostaria de reafirmar a necessidade de que o orçamento neste país,
nas três esferas de governo, federal, estadual e municipal, seja
impositivo, e, não, autorizativo. Isso será um grande ganho.
Além da sua explanação a respeito da necessidade de investimento
nos ensinos técnico e universitário, sobretudo em relação à Uemg,
em Minas Gerais, gostaria de acrescentar a questão da merenda
escolar do ensino médio. Parece simples, mas ela traz qualidade de
vida e condição de educação para os jovens. Essa também é uma
bandeira que não deixamos cair de forma nenhuma. Então, que
continuemos a lutar por ela, pois se trata de uma reivindicação
que tem sido permanente em todas as audiências públicas das
Comissões de Participação Popular e de Fiscalização Financeira, em
todos esses anos.
Aproveito a oportunidade para, de público, agradecer aos
Deputados, particularmente ao Deputado Ricardo Duarte, nosso Líder
do Bloco PT-PCdoB, por ter sido extremamente competente durante
esses dois anos, trabalhando para que nosso Bloco pudesse
permanecer na unidade e contribuindo para a discussão nesta Casa.
Mais uma vez, Deputada, desejo-lhe todo sucesso na próxima
legislatura, e que, na sua pessoa, a próxima bancada feminina
possa marcar fortemente a presença feminina na Assembléia de
Minas, como já tem feito.
O Deputado Edson Rezende (em aparte) - Foi muito importante sua
intervenção a respeito do cumprimento da Emenda à Constituição nº
29.
Apresentei um projeto a esta Casa, que foi rejeitado pela Comissão
de Constituição e Justiça. O referido projeto tratava
especificamente do cumprimento da Emenda à Constituição nº 29,
definindo o que são ações e serviços de saúde.
A luta dos grupos da saúde, da representação popular, enfim, de
todos os Deputados, continua no próximo mandato, na próxima
legislatura, para que o cumprimento da Emenda à Constituição nº 29
dê um outro caráter, uma nova condição para a assistência à saúde
em Minas Gerais.
Quero só lembrar que, há alguns anos, somente eram aplicados cerca
de 3,5% do Orçamento em saúde, Deputado Rêmolo Aloise. Conseguimos
chegar a 6,5%, quase dobramos esse valor. Foi um avanço muito
importante. Mas é preciso, em seu cumprimento, chegar a 12%.
Chegando a 12%, o cenário de atenção à saúde em Minas Gerais
mudará completamente, porque teremos condição de pagar melhor aos
profissionais, teremos equipamentos em melhor condição, a
regionalização do serviço de saúde será implementada, também o
setor de regulação, a Vigilância Sanitária, enfim, há uma série de
projetos, ações e serviços de saúde. Se chegarmos a 12%, de fato,
em atenção à saúde, vamos dobrar o orçamento da saúde e teremos
condições inequívocas de melhorar a condição de assistência à
saúde em Minas Gerais. É uma luta que permanece não somente para o
Presidente da Comissão da Saúde, mas para toda a Casa.
Queria, Deputada Elisa Costa, Sr. Presidente, repetir mais ou
menos as palavras do Deputado Paulo Piau, para deixar aqui uma
frustração minha. Creio que esse assunto também deve ser motivo de
discussão para a próxima legislatura.
Vivemos hoje uma situação, em Minas Gerais e no Brasil, da
abertura indiscriminada das escolas na área da saúde, como em
outras também. Falarei sobre a área da saúde, que é a minha área.
Uma série de cursos superiores são abertos indiscriminadamente em
Minas Gerais, como Medicina, Medicina Veterinária, Biologia,
Fonoaudiologia, Fisioterapia, Educação Física. Para vocês terem um
idéia, em 1997 havia, na área da enfermagem, em Minas Gerais,
cerca de 14 escolas de Ensino Superior. Em 2005, esse número
saltou para 96 escolas. A mercantilização desses cursos tem
trazido um resultado muito ruim para a qualidade desses
profissionais. Outra face também ruim da moeda é a superlotação, a
produção indiscriminada, uma quantidade imensa de profissionais,
que, no mercado de trabalho, hoje estão tendo dificuldades para
achar um espaço, para trabalhar. Falarei sobre os fisioterapeutas,
fonoaudiólogos, professores de Educação Física, que hoje começam a
ter problemas sérios para conseguir um trabalho em razão da
multiplicação desses profissionais no mercado.
É importante que essa discussão também continue, pois não
conseguimos colocar esse nosso projeto na pauta para votação em 2º
turno porque havia sinalização do Conselho Estadual de Educação
para a sua não-aprovação, por isso ele não foi colocado na pauta.
Também o governo do Estado, pela sinalização do Conselho Estadual
de Educação, não obteve acordo para colocar esse projeto em
votação nesta Casa. Quem hoje está na Presidência do Conselho de
Educação de Minas Gerais é dono de uma escola particular. Há
interesses particulares, privados, e a mercantilização desses
cursos superiores. Esta Casa tem de se debruçar sobre essa
matéria, continuar essa luta, para que possamos vencê-la. É
preciso que haja regulamentação. Nosso projeto traz claramente que
os conselhos das profissões devem dar um parecer sobre o caso. E o
Conselho Estadual de Saúde dará o outro parecer para, enfim, esses
pareceres chegarem ao Conselho Estadual de Educação, para que os
profissionais, os conselhos dessas profissões, conhecendo a
realidade dos que estão sendo formados, possam orientar, traçar um
perfil e um cenário para que o Conselho Estadual de Educação possa
tomar a decisão.
Aproveito este momento, Deputada Elisa Costa, para parabenizá-la
pelo seu trabalho e também para me despedir desta Casa. Estive
aqui durante seis anos e posso falar sobre o convívio, a riqueza
do aprendizado nesta Casa, do olhar companheiro. Podemos discordar
no campo das idéias, mas a relação companheira nesta Casa é
importante para manter esse nível de relacionamento humano que não
deixamos de ter.
Quanto a idéias, podemos discordar e o fazemos. Temos aqui este
espaço para discordar, evidenciar os conflitos, mas toda essa
relação é um enriquecimento para nossa vida, um grande aprendizado
que nos dá a oportunidade de continuar trabalhando pelo povo de
Minas Gerais e do País.
Deixo um abraço a todos os parlamentares, agradecendo o convívio e
o aprendizado dele decorrente. Desejo a todos os que se reelegeram
um trabalho profícuo nos próximos quatro anos; aos demais, que
prossigam em seu trabalho, onde estiverem, como militantes; e aos
que foram para a Câmara Federal, um grande espaço para continuar
um trabalho em prol da melhoria da qualidade de vida do nosso
povo.
Feliz Natal a todos. Continuaremos na luta pela melhoria da vida
dos mineiros e dos brasileiros.
A Deputada Elisa Costa* - Obrigada, Deputado Edson Rezende.
Encerrando nossa participação no debate do Orçamento de 2007,
fazemos um agradecimento aos Deputados e servidores desta Casa.
Foram dois anos de aprendizado, companheirismo e solidariedade.
Deixo à Deputada Maria Olívia o nosso abraço. Tivemos pouco tempo
de convivência, mas sua presença feminina e amiga referencia sua
história.
Deixo uma palavra final, em nome da nossa Bancada e do Bloco PT-
PCdoB, aos meus queridos companheiros Deputados Rogério Correia,
Ricardo Duarte, Adelmo Carneiro Leão, Laudelino Augusto, Edson
Rezende, Maria Tereza Lara, Biel Rocha, Jésus Lima e Carlos Gomes,
companheiros que não conhecemos neste Parlamento, pois, há 30
anos, somos amigos de luta pela construção da democracia, do
Partido dos Trabalhadores. Nós nos conhecemos no final da ditadura
militar, lutando pela redemocratização deste país, nos movimentos
sociais, no início da construção do nosso partido. São
companheiros que têm uma história e uma trajetória que não
começaram nesta Assembléia nem nela se encerrarão.
Quando aqui cheguei, fui acolhida de maneira fraterna por todos os
companheiros da Bancada e me senti em casa. Alguns companheiros
continuarão conosco em 2007 e atuarão em outras frentes de lutas,
seja no movimento social, seja nos movimentos de democracia, de
cidadania e de participação popular. Quero dizer a cada um deles
que implemente as políticas do governo do Presidente Lula. Que
todos continuemos integrando essa grande frente, esse projeto
nacional que quer, cada vez mais, transformar o Brasil, mudá-lo,
garantir dignidade aos mais pobres, distribuir renda e levá-la
para os mais necessitados, a fim de que haja mais igualdade
social. Nós nos encontraremos nessa luta desde o início.
Vamos continuar em outra instância, porque a justiça social faz
parte da nossa história. Enquanto houver alguém sofrendo, enquanto
houver alguém que sofra com a pobreza, com a marginalidade e com o
preconceito, estaremos lutando, especialmente nossos companheiros
de bloco, que dedicaram suas vidas a essa causa.
Quero terminar minha fala deixando meu abraço, minha solidariedade
e meu carinho a todos, pois vamos nos encontrar em outros momentos
da nossa história. Muito obrigado pela oportunidade de ter
partilhado com vocês essas experiências da ética, do compromisso
social, do compromisso especial com o ser humano. Lutamos pela
dignidade, pela igualdade social e pela fraternidade.
Companheiros e companheira Maria Tereza, a luta continua. Vamos
nos encontrar, porque precisaremos do apoio de todos vocês, para
que nossa atuação aqui seja melhor, para que os movimentos sociais
garantam os direitos da nossa sociedade e para que tenhamos
democracia, participação e cidadania. Desejo um feliz Natal a
todos e um Ano-Novo de maiores expectativas, que brotam de nossos
corações. O povo espera de nós muito mais dedicação, muito mais
desprendimento, muito mais compromisso com as causas e com nossas
comunidades. O ano de 2007 vai ser muito melhor, pois o povo
espera de nós mais responsabilidade.