DEPUTADA ELISA COSTA (PT)
Discurso
Comenta investimentos do Governo Federal na área de saúde e no Programa
Bolsa-Família. Comenta a implantação de novas universidades federais e a
possibilidade de alunos carentes terem acesso ao curso superior por meio
do Pró-Uni.
Reunião
21ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/04/2006
Página 39, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. SAÚDE PÚBLICA. EDUCAÇÃO.
Aparteante Adelmo Carneiro Leão
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 20/04/2006
Página 39, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. SAÚDE PÚBLICA. EDUCAÇÃO.
Aparteante Adelmo Carneiro Leão
21ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 11/4/2006
Palavras da Deputada Elisa Costa
A Deputada Elisa Costa - Sr. Presidente, Deputados e Deputadas,
cumprimento o povo de Minas Gerais, a imprensa e demais presentes.
Ouvi atentamente as palavras do Deputado que nos antecedeu. A
saúde no Brasil e em Minas precisa de muitos aperfeiçoamentos no
atendimento e na universalização. Por outro lado, é evidente o
quanto o setor avançou principalmente na implantação do SUS.
O governo do Presidente Lula dobrou o número de equipes do
Programa Saúde da Família - PSF - e aumentou os recursos para
especialidades em diversas áreas. A saúde bucal, por exemplo,
sempre foi precária ou inexistente no governo anterior. Hoje o
Programa Brasil Sorridente é vitorioso, com centros especializados
nas cidades-pólo do País, além dos dentistas presentes no PSF e
demais iniciativas dos Municípios. Só para lembrar algumas
experiências positivas, cito também o Samu - atendimento de
emergência.
Discordo dos números, porque o governo Aécio, nesses quatro anos,
deixa um débito de quase R$3.000.000.000,00 na saúde, pois não
cumpre o compromisso de destinar 12% do valor da arrecadação ao
segmento.
O Deputado Adelmo Carneiro Leão (em aparte) - Fico apreensivo e
inquieto ao ver os Deputados da base do governo Aécio Neves
atacarem o governo federal sem, pelo menos, oferecer oportunidade
para fazermos essa discussão num espaço democrático. Ao mesmo
tempo, nada falam do governo de Minas Gerais.
O João Leite veio falar de uma coisa ultrapassada, vencida. A
CPMF, criada no governo do PSDB, naquela época não se destinou à
saúde. Depois de cinco anos e meio da aprovação da emenda na
Constituição da República, que traz outros referenciais, o
Deputado João Leite vem aqui acusar o governo Lula. Ele está
atrasado quase 10 anos no referencial para acusar o governo
federal. Isso é inaceitável. Temos que trabalhar para fazer as
críticas devidas, merecidas. É justo e importante criticar o
governo federal, mas na dimensão do nosso tempo e da
responsabilidade do governo. Não vamos arrancar do passado
questões ultrapassadas. Todos sabemos que a Emenda nº 29
estabelece que todos os Poderes da República têm responsabilidades
com a saúde.
O Deputado João Leite cita o valor da CPMF de R$29.000.000.000,00
e não sabe, por exemplo, que o governo federal dobrou os recursos
para saúde nesses quase quatro anos. Nesse tempo estamos aplicando
em torno de R$37.000.000.000,00 da União na saúde. Esses recursos
estão sendo aplicados com base na Emenda nº 29, cumprindo essa
emenda e com o reconhecimento do Conselho Nacional de Saúde. Porém
a determinação do CNS não vale para o Estado de Minas. Se valesse,
o governo de Minas, só no ano passado, teria aplicado mais de
R$800.000.000,00 apenas no setor de saúde. Isso significaria mais
remédios, melhores hospitais, melhores salários e mais dignidade
para os servidores da saúde. Essa era a proposta, mas
lamentavelmente vemos esse nhenhenhém do FHC, que não ajuda a
avançar nem contribui para a construção de um diálogo de alto
nível no Estado Democrático de Direito e de justiça. Obrigado.
A Deputada Elisa Costa - Obrigada, Deputado Adelmo. Sua
experiência e seu trabalho à frente da Comissão de Saúde é um
exemplo para todos nesta Assembléia.
O segundo tema do qual tratarei diz respeito a um dos programas
mais importantes do Presidente Lula, e que tem uma repercussão
extremamente importante no Estado de Minas Gerais. É o maior
programa de transferência de renda, não somente do Brasil, mas da
América Latina e da América do Sul. Trata-se do Programa Bolsa-
Família. Esse programa acertou ao unificar alguns programas
sociais já existentes, universalizando o atendimento e
possibilitando o repasse de maior volume de recursos e de valores
para as nossas famílias. Hoje o programa atinge 9 milhões de
famílias, quase 40 milhões de pessoas. Somente em Minas Gerais,
atende mais de 1 milhão de famílias, e, por ano, recebemos
R$2.000.000.000,00 para programas que estão mudando claramente a
vida das nossas populações, especialmente a mais empobrecida.
Somado a essas experiências, integrando as condicionalidades nas
áreas da saúde e da educação, o Programa Bolsa-Família, pelo
próximo anúncio do Presidente Lula, subirá de valor, chegando a
R$120,00 por família. Além da universalização e da preocupação
ligada à política do Fome Zero, erradicando a fome deste país e
melhorando a qualidade e a quantidade da alimentação, esse
programa tem o grande mérito de somar-se a outras políticas
complementares, estruturantes e integradoras para alterar a vida
da nossa população. Políticas como a da agricultura familiar, cujo
investimento do governo federal já soma R$9.000.000.000,00,
oferece crédito a quase 2 milhões de pequenos agricultores,
ajudando a baratear a alimentação, fazendo com que os agricultores
permaneçam no campo e tenham uma vida mais saudável, agregando
valor ao produto da agricultura familiar e aumentando a qualidade
e a quantidade da alimentação de quem mora na cidade.
Há também política estruturante relacionada aos programas de
inclusão produtiva. As famílias do Programa Bolsa-Família, a
partir dos Centros de Referência da Assistência Social, passam a
ser atendidas nas áreas de assistência social e de psicologia. As
famílias vulneráveis passam a ter acesso a programas
estruturadores de geração de trabalho e renda, seja na indústria
de confecção, seja nas pequenas fábricas ligadas principalmente à
alimentação, seja nas pequenas unidades produtivas de doce, o que
alterará a vida dessas famílias que estão no Bolsa-Família, no
Centro de Referência da Assistência Social, na Casa das Famílias
ou que participam de outros programas complementares. Esses
programas melhorarão a qualidade de vida e permitirão a redução
permanente da desigualdade social, principalmente com a diminuição
da pobreza no nosso país.
A pesquisa do PNAC demonstra que, somente no ano de 2004, mais de
3 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza. Com o aumento
real do salário mínimo e com a distribuição de renda, pela
primeira vez na história caiu a renda dos mais ricos e elevou-se a
renda dos mais pobres. É um processo em desenvolvimento. A partir
do momento em que o Brasil promove o desenvolvimento sustentável
social, possibilitando a inclusão de 53 milhões de pessoas no
processo de construção cidadã, tornamo-nos um país mais justo,
igual e solidário.
Por isso, defendemos aqui o programa Bolsa-Família, cujo
atendimento, até junho, chegará a 11 milhões de famílias,
aumentando também o valor para cada uma das famílias. Espero que,
imediatamente, além dos programas que já integram as áreas da
saúde, da educação e da inclusão produtiva, possamos pensar em
alternativas para que essas famílias se emancipem, sejam
protagonistas de sua própria história, por meio de programas
complementares oferecidos pelos próprios Municípios. Com bons
projetos, os Municípios podem captar recursos do governo federal
do Presidente Lula e do governo estadual para executá-los nos
Municípios.
Podemos citar várias experiências positivas em diversos
Municípios, ao se conseguir integrar programas preocupados com o
cuidado da saúde e da educação, como os de agricultura familiar,
de geração de trabalho e renda, de inclusão produtiva.
Estamos construindo um país mais igualitário. Conseguimos
estancar o nível de desigualdade social neste país. Estamos rumo
ao desenvolvimento, com a criação de mais de quatro milhões de
empregos formais, com postos de trabalho com carteira assinada,
além da criação de quase dois milhões de trabalhos informais.
Ressalto a criação de tantas universidades federais, que já são
11. Se lembrarmos que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso só
construiu uma universidade federal, porque se construiu o Estado
de Tocantins, podemos dizer que estamos trilhando o caminho do
desenvolvimento, pensando também numa educação de qualidade.
Agora aguardamos a aprovação do Fundeb pelo Senado, o que
destinará mais recursos, ao longo dos próximos anos, à educação
infantil e à melhoria da qualidade do ensino fundamental. Há
também o comprometimento do governo federal com o ensino médio,
associando mais recursos aos poucos que são destinados pelo Estado
à educação. Todas essas ações são para que tenhamos uma educação
que promova o desenvolvimento, inclua socialmente os mais pobres e
gere cidadania neste país.
Enquanto a nossa juventude se prepara para ter acesso à
universidade pública de qualidade, que recebe cuidado especial do
Presidente Lula e do MEC, vemos o ProUni. Já são quase 120 mil
jovens vindos das classes populares com acesso à bolsa integral ou
parcial que estão estudando em faculdades ou em universidades
particulares. Só em Minas Gerais são 17 mil novas vagas para
pesquisa e para o ensino dos nossos estudantes que, dessa forma,
podem cursar o ensino superior, que é direito de todos, inclusive
de quem não pode pagar uma mensalidade.
Quero registrar os programas vitoriosos do governo Lula que cada
vez mais são demonstrados nos resultados das pesquisas. E mesmo
com tudo que a mídia tem-nos feito, o Presidente Lula continua
sendo o grande favorito nesta eleição e na sua reeleição. Muito
obrigada.