Pronunciamentos

DEPUTADO ADELINO DE CARVALHO (PMN), Autor do requerimento que deu origem à reunião especial.

Discurso

Homenagem à Igreja Evangélica Reino dos Céus.
Reunião 212ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 27/09/2002
Página 18, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. RELIGIÃO.
Proposições citadas RQS 1815 de 2002

212ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 20/9/2002

Palavras do Deputado Adelino de Carvalho

Pastora Eva de Carvalho, Bispa Glória Mariana, Mestre Oscar, Bispos Nilson de Jesus, Paulo Reis e Paulo Cristian, senhoras e senhores, venho a esta tribuna como parlamentar eleito por todos os presentes, que em 1998 lutaram para que tivéssemos representatividade no parlamento.

A Assembléia Legislativa tem 77 Deputados, cada um representa um segmento da sociedade. Temos representantes de todas as camadas sociais, segmentos espirituais e propostas, muitas delas discordantes das nossas. Mas nos fóruns de debates que realizamos temos a oportunidade de colocar o nosso pensamento cristão, de sublimar a fé que aprendemos na valorização do ser humano e no respeito que nós, evangélicos, aprendemos quando entramos numa igreja.

É muito gratificante vê-los todos aqui. Imaginava ver muitas senhoras de cabelos brancos e jovens nesta homenagem.

A Igreja é formada de jovens, mas também de pessoas que mostram, por seus cabelos brancos, ter experiência de vida, luta e marcas de sofrimento, pela qual muitos de nós não tivemos a oportunidade de passar, mas teremos de aprender.

Quantos companheiros aqui lutaram, em momentos difíceis, contra as injustiças que a obra sofreu? Quantas vovós e vovôs lutaram para manter abertas as portas da Igreja, para que pudessem receber jovens que estavam sendo destruídos pelas drogas, bebida, enfim, por esse mundo cão, que induz adolescentes e juventude a entrar por descaminhos, a perder a identidade com a família, a desrespeitar o pai e a mãe e, muitas vezes, a não pensar no dia de amanhã, pois falta orientação, já que o mundo leva as pessoas a pensar no dia de hoje sem perspectiva de futuro, sem implantar no coração a lei da semeadura que Jesus nos ensinou e que tanto aprendemos nas igrejas evangélicas.

Quando fazemos o bem, o estamos fazendo a nós mesmos. Quando seguimos os ensinamentos de Jesus, estamos, primeiramente, colocando a nossa vida no altar de Deus, buscando a nossa salvação e a da nossa casa e família, bairro e cidade, Estado e país.

Gostaria que todas as pessoas do mundo soubessem quanto é maravilhoso servir a Deus, que todos os jovens do mundo sentissem um pouco do sabor que é estar dentro da Igreja Reino dos Céus, glorificando o nome de Jesus e vivendo a alegria do Reino, que as pessoas provassem o que provamos, gostamos e de que nos alimentamos: a comunhão, a amizade, a alegria, a felicidade de sentar-se à mesa do Senhor, receber a Sua ceia e dizer: “Honro-me por ter sido escolhido por Deus para ser diferente.

A Igreja Reino dos Céus recebe esta homenagem pela ousadia, pela coragem que temos de anunciar a nossa fé, sem sequer termos um pingo de constrangimento ou de vergonha em dizer: “Sou crente, glória a Deus por isso, essa é a minha fé”. Não temos vergonha em rejeitar bebida alcóolica, participar de coisas que destroem o corpo humano, como drogas, cigarro e outros vícios, pelo contrário, honramo-nos de carregar a palavra de Deus, de mostrar a águia que somos por dentro e por fora, no símbolo maior da nossa fé.

Outro dia, aqui, um Deputado disse-me: “As igrejas evangélicas deveriam colocar psicólogos, dentistas, médicos para fazer trabalho social, pegar o dinheiro do dízimo para dar cesta básica, remédio, tratamento. Disse-lhe: “V. Exa., primeiro, não sabe o que é uma igreja evangélica. Segundo, todas as igrejas evangélicas fazem trabalhos sociais”. Disse-me: “Perto da minha casa há um pastor que só sabe ficar pregando e cantando. Nunca vi dar nada a ninguém”. Disse-lhe: “Estamos no parlamento mineiro, e ninguém aqui é bobo. Todos temos ciência de tudo que acontece no Governo do Estado. Sabemos dos gastos que o Governo do Estado tem e podemos dizer que o Governo Federal e as Prefeituras também os têm. Sabemos a quantidade dos recursos, das verbas destinadas a combater a droga. V. Exa. sabe disso, porque o orçamento passa por esta Casa, a quantidade de recursos, de dinheiro público que é gasto nas penitenciárias”. Disse que sim. “Sabe quanto gasta o Governo para a recuperação de drogados em clínicas especializadas?” “Sim”. “V. Exa. sabe que o marginal que é levado a uma penitenciária sai de lá mais marginal, que um traficante levado a uma penitenciária ou clínica sai de lá pior do que entrou? Quanto custa para o Governo manter uma pessoa no presídio, quanto gasta o Governo para tentar reabilitar um ser humano para a sociedade? Sabemos, e V. Exa. sabe, que as penitenciárias não dão conta dessa recuperação e que o Governo gasta milhões com centros de reabilitação do menor infrator, com penitenciárias, clínicas de reabilitação de jovens drogados. Gastam-se milhões e milhões de reais.” Disse que sim. Perguntei-lhe, então, se esses milhões de reais são recuperados ou se algum marginal é reabilitado. Disse: “Sai pior do que entrou”. Disse-lhe, então: “Pegue esse marginal, coloque-o na Igreja deste Pastor e mande aceitar Jesus, para ver se deixa o crime e é reabilitado para a sociedade. Pegue esse marginal e coloque em qualquer igreja evangélica, mande-o aceitar Jesus e participar do “Vale da Decisão”, para ver se não é reabilitado”.


A Igreja Evangélica do Reino dos Céus e as demais igrejas evangélicas não recebem o respeito da sociedade mineira e brasileira pela “beleza dos seus olhos”; não é porque somos bonitos, mas porque temos um serviço prestado. É difícil encontrar uma pessoa em qualquer camada social que não conheça alguém que era drogado ou marginal e foi recuperado na Igreja. E, quando falo em drogas, estou incluindo a bebida alcoólica.

Sabem por que o mundo e o Brasil ainda não se tornaram verdadeiro caos? Por causa das igrejas evangélicas, que pregam a paz. A esperança do mundo são as igrejas evangélicas; onde se planta uma igreja evangélica a criminalidade diminui.

Para encerrar, conto que há 21 anos um amigo me disse: “Sua igreja tem muito povo, muito pobrezinho”. Lembro-me de que, realmente, em nossa igreja havia pessoas sofredoras, humildes. Essas mesmas pessoas continuaram na igreja, e meu amigo disse outro dia: “Como a sua igreja mudou, como tem carro parado na porta, como o povo anda bem-vestido! O que aconteceu?”. Respondi: “O que aconteceu é que aquele povo que você viu há 21 anos, formado por pessoas bem pobrezinhas, hoje tem alegria de viver, tem paz para viver. Constituíram família, alguns deram estudo aos filhos, outros lhes deram profissão, o pai parou de beber, a mãe deixou de fumar, o jovem deixou a droga. Hoje somos povo humilde e vamos continuar sendo, mas de cabeça erguida, família estruturada, vida estruturada na dignidade de quem serve a Deus! Erga a sua cabeça, meu irmão! Esta homenagem é para você. O doutor que está aqui, a vovó lavadeira, erga a cabeça, porque esta homenagem é sua, porque você está fazendo essa obra”.

Se a igreja estivesse pronta, não teria gosto, prazer. O difícil é pegarmos uma obra e uma igreja como encontramos! Muitos aqui, no seu bairro, na sua cidade, encontraram uma igreja pequena, pagando aluguel, em dificuldade, às vezes com poucas pessoas. E com luta, garra, ajudando alma a alma, vida a vida, pessoa por pessoa, estamos fazendo para o nosso Deus uma grande obra. E não somente para Deus. Ai do mundo se não fosse o sal da terra, a luz! Hoje, a Assembléia Legislativa recebe todos os irmãos para abençoar esta Casa. Parabéns!