Pronunciamentos

DEPUTADA MARIA OLÍVIA (PSDB)

Discurso

Transcurso do 90º aniversário de fundação do Colégio Arnaldo, do Município de Belo Horizonte.
Reunião 208ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 07/09/2002
Página 34, Coluna 3
Assunto CALENDÁRIO. EDUCAÇÃO.

208ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 29/8/2002 Palavras do Deputado Maria Olívia Exmo. Sr. Deputado Paulo Pettersen, amigo Pe. Gilson, Exma. Sra. Silvana Nascimento, Exmo. Sr. Deputado Marco Régis, senhoras e senhores, ex-alunos, alunos, professores, sejam bem-vindos à nossa Casa, que é a casa do povo. Ao solicitar a realização desta reunião, quis que todo o povo de Minas Gerais pudesse compartilhar comigo a alegria de ver a coroação de anos tão profícuos. O Colégio Arnaldo é das mais tradicionais instituições culturais e educacionais de Minas Gerais. Mas o que se destaca nestes 90 anos não é a quantidade medida pelo tempo, e sim a intensidade com que foram vividos. O selo do colégio está fixado no caráter de milhares de alunos que por ali passaram, marcados que foram pelo saber, pela seriedade, pela ética, e, sobretudo, pela fé na vida. O começo do Colégio Arnaldo em Belo Horizonte é prova incontestável de que era a vontade de Deus que estava sendo realizada. José Maria Cançado conta, em seu livro: "Colégio Arnaldo - uma escola nos trópicos", que, para começar as aulas, o colégio não tinha nem sequer uma carteira. Foi preciso recorrer a um empréstimo de 100 carteiras, depois de muita luta dos responsáveis pela Escola. Esse exemplo, simples e corriqueiro em muitas escolas, mostra a determinação dos religiosos em atender ao apelo de Deus. Começava ali o grande espaço de educação e evangelização.O maior legado da educação é o preparo para uma vida feliz com Deus e com os irmãos. A maior sabedoria é a que vem de Deus. Foi isso que ensinou em toda a sua vida Pe. Arnaldo Jansen, e é isso que todos os mestres do colégio têm procurado passar para seus alunos. Causou-me muita honra ter sido solicitada pelos meus amigos do Colégio Arnaldo para acompanhar, junto ao MEC, a aprovação da Faculdade de Administração, com especialização em Meio Ambiente e Marketing, e a de Direito. Não fiz mais do que minha obrigação. Não seria justo a qualidade do Colégio estender-se somente até o ensino médio, privando seus alunos de terminar sua formação profissional sem perda de qualidade. Esta simples homenagem não representa quase nada diante da grandeza dessas mulheres e homens heróicos, que fazem da educação o seu sacerdócio. Doam de si o que têm de mais precioso: a sabedoria dada por Deus, missão que poucos conseguem desenvolver com tamanha competência como os mestres do Colégio Arnaldo. Educadores, o que seria de nossas famílias se não fosse a valiosa colaboração que dão na educação de nossos filhos? As famílias têm sofrido diretamente com a transformação acelerada por que passa a sociedade brasileira, trazendo inúmeros problemas de ordem econômica, social e ética, e muitas vezes acabam desagregadas e vítimas da violência. O Colégio Arnaldo consegue o que poucos centros educacionais conseguem: envolver os pais numa efetiva participação no processo educativo de seus filhos. Esta é a essência do método pedagógico. A criança e o jovem não existem sem seu contexto familiar, fora de uma sociedade. A integração da escola com a família e com a comunidade é essencial. Parabéns, mestres, por fazer isso com tanta competência. Mas não podemos nos esquecer também de que vivemos num mundo de crescente miséria. Miséria de comida, saúde, habitação e capacidades. Milhões de pessoas vivem à margem do processo de desenvolvimento, excluídas dos benefícios trazidos pelo progresso científico e tecnológico. Nesse aspecto, mais uma vez o Colégio Arnaldo mostra sua sensibilidade diante da realidade dura. Além de passar para seus alunos a consciência de cidadania, como responsáveis pela transformação da sociedade, sai de seus muros e vai até a população carente, com projetos revolucionários. Escolheu, dentre outras, duas regiões emblemáticas da injustiça social com que o mundo convive: o vale do Jequitinhonha e o Bairro Taquaril, na periferia de Belo Horizonte. Pelo que conheço dos responsáveis pelo Colégio, este trabalho ali desenvolvido não é peça de “marketing”. É fruto da consciência cristã, que vem desde os desbravadores de tão belo trabalho. Educadores, educadoras, mesmo tendo colhido tantos frutos, têm pela frente missão muito difícil: não ceder às pressões da sociedade que, cada vez mais, se materializa. A sua missão é educar para o bem comum. Educação a serviço da vida e da esperança, na construção de uma sociedade a serviço da felicidade das pessoas, marcada pelo amor e não pelo dinheiro. Vivemos numa sociedade marcada por preconceitos de cor, raça, sexo, religião, cultura. Por isso os senhores têm a missão de ajudar a encontrar maneiras novas de relacionamento humano, colaborando na construção de uma comunidade que leve ao desenvolvimento sadio de identidades diferentes, mas complementares. A sua missão é continuar lutando por uma educação que resgate a dignidade da pessoa humana, ao desenvolver nela a parte física, psíquica, intelectual, espiritual, social e moral, desenvolvendo, assim, nas suas relações básicas consigo, com os outros, com o mundo e com Deus. É missão muito difícil, mas muito dignificante. Mas vocês não estão sozinhos. Além de contar com a proteção de Deus, podem contar conosco, porque a causa de vocês é a de todos nós. Para terminar, gostaria de apropriar-me das palavras de um dos maiores educadores que este País já teve, o grande mestre Paulo Freire: “Não é possível refazer este País, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério com adolescentes brincando de matar, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor!”. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida, e não da morte, da eqüidade, e não da injustiça, do direito, e não do arbítrio, da convivência com o diferente, e não de sua negação, não temos outro caminho, senão viver a nossa opção. Encarná-la, diminuindo a distância entre o que dizemos e o que fazemos. Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a serem sérios, justos e amorosos da vida e dos outros! Muito obrigada.