DEPUTADO AGOSTINHO PATRÚS (PTB)
Discurso
Elogia o trabalho desenvolvido pela empresa Plantar.
Reunião
252ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/07/2002
Página 19, Coluna 1
Assunto MEIO AMBIENTE.
Aparteante João Batista de Oliveira.
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/07/2002
Página 19, Coluna 1
Assunto MEIO AMBIENTE.
Aparteante João Batista de Oliveira.
252ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 4/7/2002
Palavras do Deputado Agostinho Patrús
O Deputado Agostinho Patrús - Sr. Presidente, Srs. Deputados, o
que me traz a esta tribuna é a discussão do projeto de lei do
ilustre Deputado Adelmo Carneiro Leão, com o qual concordamos
plenamente. Quem somos nós para discordar desse Deputado, que é um
exemplo nesta Casa.
E a nossa presença ainda se faz necessária, Sr. Presidente,
porque o Poder Legislativo tem suas funções principais, como
fiscalizar, legislar, discutir e dialogar, mas deve também premiar
aqueles que trabalham em prol do Estado. Então, venho aqui para
homenagear uma empresa pioneira na sua área e que, há 35 anos, é
uma marca do empreendimento e da capacidade de empreendimento dos
mineiros. Refiro-me à Plantar, cuja logomarca todos que aqui
conhecemos: são duas mãos protegendo uma planta.
Essa empresa trabalha com reflorestamento, mas o faz respeitando
as normas de proteção à ecologia - por isso, merece nossos
aplausos -, respeitando os propósitos do Protocolo de Kyoto,
referendado pelo País, para a redução de emissão de gases,
especialmente aqueles que provocam o efeito estufa.
A Plantar vem desenvolvendo, desde 1998, o seu Projeto de
Biomassa Cultivada como Fonte de Energia Renovável para a Produção
de Ferro-Gusa. Esse projeto representa muito para Minas Gerais. O
ferro-gusa sempre foi considerado “patinho-feio” pelos
ecologistas. Na realidade, esse segmento utilizava-se de matas
nativas, com desmatamento às vezes desordenados, usando o carvão
vegetal para produzir ferro-gusa. Mas, hoje, está comprovado, por
esse projeto da Plantar, que o uso da biomassa cultivada na
produção de ferro-gusa evita que 3t de CO2 sejam despejadas na
atmosfera para cada tonelada de ferro-gusa que se produz no País,
quando a via é a do combustível, ou seja, carvão mineral ou coque.
Esse projeto representa menos poluição, protege as águas e os
solos, evitando erosão, em virtude do reflorestamento que é
realizado; gera empregos em regiões geralmente carentes do Estado,
como o Norte de Minas e o vale do Jequitinhonha, onde a Plantar é
responsável por mais de 6 mil empregos diretos e dezenas de
milhares de empregos indiretos. Mas o mais importante é que a
Plantar tem o Selo Verde de Projeto Ambientalmente Correto,
certificado por empresas internacionais, como a Forest Stewardship
Council, a mais importante instituição internacional de
certificação ambiental.
Minas Gerais tem tradição na siderurgia a carvão vegetal, tem
terras adequadas, sem concorrer com as atividades agrícola e
pecuária, tem minério de ferro, como todos sabemos, cujas reservas
ultrapassam os 200 anos de exploração, e precisa gerar empregos e
manter o homem no campo.
O projeto da Plantar tem todas as condições para ser aplicado em
todo o setor de ferro-gusa do Estado e do País. A tecnologia
florestal desse projeto, em que são utilizados clones de eucalipto
de alta produtividade e rápido crescimento, vai permitir que se
salve o que ainda resta da cobertura nativa do Estado, pela oferta
de madeira plantada. Por causa dessa madeira, que tem crescimento
mais rápido, já não há necessidade de se ampliar a área de
florestas artificiais para aumentar a produção de ferro-gusa por
meio do carvão vegetal e, com isso, diminuir a poluição de CO2. A
falta de financiamento adequado inibiu até aqui o plantio de
árvores cuja colheita demora sete anos.
Essa iniciativa é digna de nosso aplauso. Consideramos que,
através da comercialização dos créditos de carbono que o projeto
vai gerar, divisas preciosas entrarão no País, além de deixarmos
de despender divisas com a importação do carvão mineral. Essas
divisas serão decisivas para complementar a viabilidade dessa
atividade tão importante econômica e socialmente para o Estado, a
qual se está tornando, cada vez mais, uma atividade em extinção,
com graves reflexos na economia de muitas cidades mineiras que têm
nas atividades florestal e industrial sua principal fonte de renda
e de empregos. Eu sei que a Plantar é a maior empregadora tanto em
Curvelo como no sertão mineiro.
Quero dizer que é nosso dever e nossa obrigação aplaudir e
apoiar, com todo o vigor, essa iniciativa pioneira no Estado e no
mundo, gerada nos rincões de Minas Gerais, a qual pode reerguer e
resgatar a dignidade de uma atividade que, antes do projeto da
Plantar, caminhava aceleradamente para a marginalização e a
extinção, com a paralisação de muitos fornos de gusa, que terão de
produzir para que as nossas empresas produtoras de aço possam
continuar a produzi-lo. Pelo contrário, ao demonstrá-la como uma
atividade muito mais amigável ao meio ambiente, ao buscar com
incansável persistência os recursos financeiros complementares dos
créditos de carbono, a Plantar está mostrando para todos nós que é
possível preservar a atividade de ferro-gusa no Estado, obedecendo
aos melhores princípios do desenvolvimento sustentável. E são
iniciativas como essa que queremos deixar como exemplo para
aqueles que nos sucederem.
Quero deixar aqui um voto de congratulações com essa empresa,
que, com certeza, será acompanhado por unanimidade nesta Casa, por
considerá-la uma empresa-modelo, séria, competente e orgulho de
Minas e do País. Reflorestar, sob a chancela do Selo Verde, com
acompanhamento das entidades não governamentais responsáveis pela
preservação do meio ambiente em nosso País deve merecer de nossa
parte aplausos, porque ela vai, a cada momento, com seu exemplo,
mostrando que essa atividade é importante, social e economicamente
para o Estado e o País. Posteriormente, queremos aprofundar esses
estudos ao lado da Plantar, que é pioneira. Com tudo isso,
poderemos estar diminuindo a emissão de gases, de CO2, hoje
preocupação mundial, em defesa da ecologia e do meio ambiente.
O Deputado João Batista de Oliveira (em aparte) - Meu caro
Deputado Agostinho Patrús, eu estava aguardando V. Exa. concluir
seu raciocínio para aparteá-lo e juntar-me a V. Exa. nessa
homenagem. A Plantar é uma empresa mineira exemplar, que com o seu
trabalho, vem gerando riquezas para o Estado e suscitando nova
mentalidade, provando que desenvolvimento sustentável não é
necessariamente coisa dos radicais, mas coisa de quem tem
responsabilidade para com o País. A Plantar, como empresa de
excelência, mostra sua responsabilidade para com todos. Ao
desenvolver pesquisas e trabalhos científicos para otimizar sua
produção de biomassa, com toda a certeza, ajuda a preservar a mata
nativa de Minas Gerais.
O comentário que eu gostaria de acrescentar ao pronunciamento de
V. Exa., na sua homenagem à Plantar, é que esta Casa aprovou
recentemente a nova lei de proteção à biodiversidade e ao
desenvolvimento sustentável. Assim, acabamos prestando uma
homenagem à Plantar e a todo o segmento de ferro-gusa, de aço e
das siderúrgicas de Minas Gerais. Esta Casa aprovou, e o
Governador já sancionou, a melhor lei, o melhor código florestal
estadual do Brasil, que preserva nossas matas, convidando e
facilitando a vida de quem quer reflorestar em um plano de auto-
suprimento. Com essa nova lei aprovada em Minas Gerais, uma mata
de reflorestamento de eucalipto, por exemplo, vai receber o mesmo
tratamento de uma roça de milho: quem planta tem direito de colher
e de comercializar, coisa que não era permitida pela lei antiga.
Às vezes, a empresa fazia reflorestamento, e não conseguia colher
depois. E o que ocorria era que a mata nativa de Minas Gerais
pagava a conta, porque siderúrgica não pode parar.
Essa lei aprovada pela Assembléia legislativa em nome do povo de
Minas Gerais - aproveito para agradecer o apoio de V. Exa., que
foi seu relator - vai fortalecer o reflorestamento e o fazendeiro
florestal. A partir de agora, ele vai saber que, se plantar, vai
poder colher e comercializar. Com isso, vamos preservar as matas
nativas de Minas Gerais. Por tudo isso, quero juntar-me a V. Exa.
nessa homenagem à Plantar e cumprimentá-lo por seu pronunciamento.
O Deputado Agostinho Patrús - Agradeço ao Deputado João Batista
de Oliveira, essa figura maiúscula de nossa Casa, respeitada por
todos nós, pelo carinho com que complementou nossas palavras e o
apoio ao nosso pronunciamento. Isso só vem enriquecer nossa fala.
Muito obrigado.