DEPUTADO JOSÉ HENRIQUE (PMDB)
Discurso
Comenta a cassação do mandato do Vereador, ex-Cabo da Polícia Militar do
Estado de Minas Gerais - PMMG -, José Alan Kardec Rodrigues de Oliveira,
do Município de Itaparuba.
Reunião
272ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/08/2001
Página 23, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
Aparteante Durval Ângelo.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/08/2001
Página 23, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
Aparteante Durval Ângelo.
272ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 23/8/2001
Palavras do Deputado José Henrique
O Deputado José Henrique* - Sr. Presidente, Srs. Deputados, na
semana passada, nesta tribuna, o Deputado Durval Ângelo fez um
relato de fato ocorrido no Município de Taparuba, onde esteve
presente em ato público. E, neste momento, nesta tribuna, S. Exa.
falava sobre a Polícia Militar, sobre segurança pública, e relatou
que um Vereador do PT, ex-Cabo da Polícia Militar, estava sofrendo
perseguição política, porque havia uma comissão processante que
estava tentando cassá-lo. O Deputado relatou que estavam armando
uma farsa e que o Vereador não tinha garantia de defesa. Nesse ato
público, o Deputado Durval Ângelo faz uma acusação à Polícia
Militar do Município de Ipanema, dizendo que o comando foi
arbitrário ao fazer uma ocorrência a mando do Prefeito.
Gostaria, desta tribuna, de falar sobre a verdade dos fatos
envolvendo o Vereador e ex-Cabo da Polícia Militar. A opinião
pública merece ser esclarecida.
O nobre Deputado Durval Ângelo, em seu pronunciamento feito da
tribuna desta Casa, na reunião ordinária do dia 14/8/2001, afirmou
que está havendo uma farsa para cassar o mandato do Vereador, Sr.
José Alan Kardec Rodrigues de Oliveira, não permitindo a ele o
direito de defesa. Ele relatou o episódio ocorrido durante um ato
público na cidade, em que a Polícia Militar teria agido de forma
autoritária, cumprindo ordens do Prefeito, Sr. Paulo Ladeira, com
o objetivo de acabar com uma festa. As circunstâncias em que o
fato ocorreu e os motivos que levaram à instalação de uma CPI na
Câmara Municipal para investigar denúncias contra o referido
Vereador devem ser claramente expostos.
O ex-Cabo da PM e atual Vereador de Taparuba, Sr. José Alan
Kardec, acaba de ter seu mandato cassado por 2/3 dos membros da
Câmara Municipal, por quebra da dignidade e do decoro parlamentar,
sendo o processo de cassação conduzido pela Câmara de forma legal,
garantindo ao acusado ampla defesa.
A denúncia de quebra de decoro parlamentar diz respeito a crime
de lesão corporal, definido no art. 129 do Código Penal, que fora
praticado pelo ex-Cabo da PM e Vereador contra a vítima Eva
Bernardes, no dia 25 de maio deste ano, conforme denúncia que a
própria vítima apresentou à Câmara e que agora resultou na
cassação do mandato do citado Vereador.
Há também um processo no Fórum da Comarca de Taparuba, onde esse
Vereador foi condenado por lesões corporais.
Não procedem as afirmações do parlamentar, Deputado Durval
Ângelo, de que o Vereador e ex-militar não teria cometido crime
algum, porque a própria certidão da Secretaria Judicial do Fórum
da Comarca de Ipanema aponta a existência de ação penal por crime
de ameaça, figurando como vítima a jovem Eva Bernardes.
Além disso, o ex-Cabo da PM, José Alan Kardec Rodrigues de
Oliveira, possui outros antecedentes criminais, conforme apontam
os registros do Sistema de Informações Policiais da Secretaria de
Estado da Segurança Pública, figurando também como autor de ato de
abuso de autoridade, punível na forma da Lei nº 4.898, de 9/12/65,
sendo a vítima Adriana Pereira de Lima Knupp, conforme registro na
Delegacia da Mulher da Comarca de Manhuaçu.
Portanto, conforme certidão judicial e registros oficiais, o
referido Vereador possui maus antecedentes em sua ficha policial,
não se podendo falar que está sendo perseguido pela Câmara
Municipal ou qualquer outra autoridade do Município de Taparuba,
mesmo porque coube ao Plenário do Legislativo Municipal, pela
maioria de seus membros, proceder ao julgamento político-
administrativo do Vereador, acatando a denúncia de quebra de
decoro parlamentar.
Deve ser esclarecido que a cassação do mandato do ex-policial e
Vereador foi realizada pela Câmara Municipal, processando a uma
denúncia de eleitora do município, que fora agredida a socos e
pontapés, em plena via pública, pelo então acusado. Assim, não
houve participação do Prefeito de Taparuba no processo de
cassação, uma vez que tal atribuição é do Poder Legislativo
Municipal.
Quanto ao episódio ocorrido em 10/8/2001, na cidade de Taparuba,
durante o evento público patrocinado pelo Deputado Durval Ângelo,
é preciso assinalar que o 1º-Ten.PM Luciano Correia dos Reis foi
ao local do evento por ter sido solicitado expressamente pelo
Prefeito Municipal, como atenderia a qualquer cidadão que
acionasse o telefone 190.
Foi lavrada uma ocorrência, que ficou à disposição de todos os
interessados, não tendo havido preocupação em prejudicar o
Vereador e ex-Cabo Alan Kardec, informando o referido Tenente que
a manifestação realizada em Taparuba não foi previamente
comunicada à Polícia Militar. Dessa forma, não procedem as
afirmações do nosso colega parlamentar, em seu pronunciamento no
dia 14 de agosto último, da tribuna desta Casa, uma vez que a
atuação do Tenente foi normal e dentro da legalidade, não havendo
submissão ou postura autoritária seja do Tenente, seja do Prefeito
Municipal de Taparuba, cuja administração vem sendo desenvolvida
em total respeito aos Poderes constituídos no município, às
autoridades e à população em geral.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - Deputado José Henrique,
nobre parlamentar do PMDB, com orgulho atuamos politicamente na
mesma região. E conhecer bem de perto os problemas da população,
organizada ou não, da região engrandece o nosso trabalho.
V. Exa. há de convir que, na questão do processo de cassação do
Vereador Alan Kardec, sequer as testemunhas apresentadas foram
ouvidas, sendo que me encontro entre elas, assim como alguns
dirigentes da Associação das Praças da Polícia Militar e dos
Bombeiros Militares - ASPRA. Além disso, os prazos não foram
cumpridos, e, por isso, o advogado do PT entrou com uma ação na
justiça, por causa do constrangimento do direito de defesa. Se o
processo tivesse sido democrático, este parlamentar e outras
testemunhas teriam sido ouvidos. Como a Câmara encerrou o
processo, sem que eu tenha recebido intimação ou comunicação nesse
sentido? Isso, por si só, já derruba por terra a informação que
lhe foi passada de amplo direito de defesa.
A Constituição é clara ao restringir o comunicado à Polícia
Militar apenas ao período da Lei Eleitoral - 24 horas de
antecedência. Não preciso comunicar a minha ida a uma cidade, para
participar de uma festa na casa do Vereador. É vedada pela
Constituição apenas a manifestação pública com armas. Como a
manifestação era desarmada, não precisávamos prestar contas ao
Prefeito, nem a um militar.
Estranhamente, antes de ir à manifestação, o militar - talvez
essa informação não lhe tenha sido prestada - ficou meia hora na
casa do Prefeito. E, depois que saiu para lavrar o boletim de
ocorrência, foi fazê-lo na casa do Prefeito. Lá existe um
destacamento policial, e ele poderia ter chegado antes e, ao
partir, lavrar o boletim de ocorrência.
No mínimo, essa posição adotada pelo 1º-Tenente é estranha.
Acredito que a justiça será feita nesse caso. Novamente me armarei
de dados para, logo, fazer um novo pronunciamento, discutindo e
abordando algumas idéias que V. Exa. levantou. Solicito-lhe uma
cópia do seu pronunciamento, porque será importante, para que, na
semana que vem, possamos travar um novo debate democrático nesta
tribuna.
O Deputado José Henrique* - Segundo o Tenente, que esteve lá,
pessoalmente, conversando com o Deputado, havia um ato, que não
ocorreu apenas na casa do Vereador. O som estava em um carro em
via pública. Foi cumprir a solicitação. De forma alguma foi
conivente. Foi cumprir a sua função. Pelo que relatei, na verdade
o nosso ilustre Vereador não é tão inocente. Há várias outras
queixas de violência cometida por esse ex-Cabo da PM. O senhor
disse, desta tribuna, que esse Vereador era inocente.
O Deputado Durval Ângelo (em aparte)* - A sua ficha policial na
PM não indica isso. Na próxima semana, traremos esse assunto a
debate novamente. V. Exa. reconhecerá que está equivocado.
O Deputado José Henrique* - Obrigado, Sr. Presidente.
* - Sem revisão do orador.