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Trabalhadores, familiares e amigos das vítimas lotaram a galeria do Plenarinho IV da Assembleia e pediram justiça
Trabalhadores, familiares e amigos das vítimas lotaram a galeria do Plenarinho IV da Assembleia e pediram justiça - Foto:Guilherme Bergamini
Relator destacou o caráter coletivo e colaborativo do documento
Relator destacou o caráter coletivo e colaborativo do documento - Foto:Guilherme Bergamini
A emoção marcou a leitura dos nomes dos mortos na tragédia
A emoção marcou a leitura dos nomes dos mortos na tragédia - Foto:Guilherme Bergamini
Relatório final da CPI: tragédia trouxe danos de várias ordens
12/09/2019 16h35

Emoção marca entrega de relatório da CPI da Barragem

Parentes das vítimas chegaram às lágrimas ao ouvirem nomes de mortos e desaparecidos na tragédia provocada pela Vale.

Familiares das vítimas do rompimento da Barragem B1, da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte), se comoveram às lágrimas, nesta quinta-feira (12/9/19), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ao ouvirem a leitura dos nomes dos 270 mortos na tragédia.

O fato ocorreu durante a reunião de encerramento dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho que, após seis meses de investigações, aprovou seu relatório final. Durante a reunião, foi lida uma síntese do documento. A íntegra, de cerca de 340 páginas, será entregue à Mesa da Assembleia e publicada oficialmente na próxima semana.

A própria deputada Beatriz Cerqueira (PT), que fez a leitura dos nomes, como homenagem póstuma da comissão, comoveu-se várias vezes e encerrou sua fala aos prantos. Os nomes foram ouvidos atentamente e com reverência, também, pelos demais parlamentares que compunham a mesa e outros que participaram da reunião.

Com faixas, fotografias e camisetas alusivas à tragédia, considerada criminosa pelos membros da CPI, os familiares das vítimas lotaram a sala de reunião e a galeria do Plenarinho IV. A eles, somavam-se vereadoras da Capital, líderes comunitários e militantes de movimentos sociais, como o dos trabalhadores sem terra (MST) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A presença mais marcante, contudo, era dos integrantes da Associação dos Familiares das Vítimas de Brumadinho (Avabrum).

A reunião foi aberta pelo presidente da comissão, deputado Gustavo Valadares (PSDB), que em seguida passou a palavra ao relator, deputado André Quintão (PT). Após a leitura da síntese do relatório, ele agradeceu ao presidente da Assembleia, deputado Agostinho Patrus (PV), pelo apoio dado à CPI, e aos colegas do Parlamento, ao corpo técnico da Casa e aos funcionários de gabinete, que auxiliaram na elaboração do documento, destacando o caráter coletivo na construção da peça.

“Conseguimos fazer um trabalho colaborativo, separando questões partidárias e secundárias”, afirmou André Quintão, acrescentando que, a partir de agora, “quem vai avaliar o relatório serão os demais parlamentares, que vão votar, e a sociedade”.

O relator agradeceu também “as instituições parceiras, os movimentos sociais e a imprensa e seus profissionais, que retrataram os trabalhos de maneira fidedigna”. O agradecimento especial dedicou às famílias das vítimas e aos trabalhadores da Vale que colaboraram e acompanharam o trabalho da CPI.

“Foi um trabalho isento, técnico, fundado em oitivas, documentos e análises, mas que teve também enorme envolvimento emocional e afetivo”, disse, afirmando que a Assembleia, agora, vai criar uma instância de grupo de trabalho para acompanhar as recomendações.

“Fizemos o melhor e o mais justo, inclusive identificando a responsabilidade do ex-presidente da Vale e seus diretores e queremos externar nossa total solidariedade às famílias das vítimas. Foi um relatório inspirado no sofrimento. Que essa tragédia criminosa não volte a ocorrer”, disse.

Com mais de 110 recomendações, o relatório aponta para a responsabilização penal da direção da Vale e de vários colaboradores, sob a alegação de dolo eventual, porque “tinham ciência do risco e ainda assim se conformaram com sua ocorrência”.

O presidente da CPI, deputado Gustavo Valadares, parabenizou o relator pelo “excepcional trabalho”, destacando a competência da Consultoria e da Assessoria da Assembleia.Também agradeceu a constante presença dos familiares ao longo dos trabalhos, manifestando a solidariedade de todos os membros da comissão. “Tudo o que fizemos foi por conta da presença constante de vocês”, disse.

Relatório foi considerado “marco histórico”

“Foi um marco histórico nessa Casa”, disse, sobre o relatório, o vice-presidente da comissão e primeiro signatário do requerimento que levou à instalação da CPI, deputado Sargento Rodrigues (PTB). Ele também agradeceu aos colegas e ao corpo técnico da Casa e citou os nomes de alguns envolvidos na tragédia presentes à reunião, entre eles o sobrevivente Sebastião Gomes.

O parlamentar também fez questão de citar os nomes dos indiciados, “criminosos e assassinos” em suas palavras, afirmando que eles mereceriam a pena de morte, se ela fosse legalizada no País. “O que me moveu o tempo todo nesse trabalho foi a dor de vocês”, disse, dirigindo-se aos parentes das vítimas e pedindo que se mantenham mobilizados. “Não podemos deixar que essa tragédia criminosa perpetrada pela Vale, reincidente, caia no esquecimento”, afirmou.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) considerou “exímio” o relatório e sua apresentação, fruto de construção coletiva. Defendeu a continuidade da luta e o enfrentamento aos projetos minerários predatórios e ressaltou a importância de se cuidar da memória das vítimas, alegando que “quando a gente não sente a dor do outro, se desumaniza”.

Em seguida, passou à leitura dos nomes das vítimas, comovendo-se várias vezes e emocionando muitos dos presentes.

Deputado critica falhas nos licenciamentos e danos ao meio ambiente

Na condição de presidente da Comissão de Meio Ambiente, o deputado Noraldino Júnior (PSC) focou o seu discurso na defesa da fauna e da flora e na crítica às falhas de licenciamento.

Após destacar a “seriedade e competência do relator”, agradeceu aos colegas, funcionários da Casa e familiares das vítimas, e disse que a CPI serve também para cobrar “rígida punição a todos os responsáveis diretos e indiretos pelo dano ambiental irreparável”.

“Que o relatório sirva para que novos crimes não venham a ocorrer”, disse, afirmando que, para ele e para todos, participar da CPI foi “uma experiência dolorosa mas enriquecedora do ponto de vista técnico”.

O deputado Bartô (Novo), suplente da CPI, manifestou “total solidariedade às famílias das vítimas diretamente atingidas” e também parabenizou a Assembleia, os colegas e o corpo técnico da Casa. “Me sinto honrado de ter feito parte desse trabalho. A CPI traz à luz vários questionamentos, que levamos à sociedade", declarou.

Ele defendeu a atividade minerária conduzida com seriedade e disse que é preciso “penalizar as pessoas e não as empresas” pelos “procedimentos sorrateiros que negligenciaram fatores de risco em favor do lucro”. Encerrou fazendo a leitura dos nomes dos indiciados.

Membro da comissão, o deputado Glaycon Franco (PV) também saudou o presidente da Assembleia por ter acatado o apelo dos deputados e da sociedade pela criação da CPI e cumprimentou o corpo técnico, “que deu arcabouço necessário ao relator”. Também manifestou solidariedade aos familiares.

A deputada Andréia de Jesus (Psol) ressaltou a importância de a CPI contar com a participação de uma mulher entre seus representantes, referindo-se à colega Beatriz Cerqueira. A parlamentar também lembrou de outras cidades mineiras “que estão vivendo esse velório permanente de Brumadinho”, em razão de riscos de rompimento de barragens. “Sabará (RMBH) também pede ajuda para impedir a chegada da mineração na Serra da Piedade”, disse.

Consulte resultado da reunião.


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