Assembleia ficará iluminada até 9 de dezembro, em alusão à campanha de prevenção à infecção ao vírus do HIV - Arquivo ALMG
Número de infecções por HIV está crescendo no Brasil

Dezembro Vermelho alerta para combate ao HIV/aids

Assembleia participa da campanha, que tem por objetivo conscientizar as pessoas para a necessidade do auto-cuidado.

30/11/2018 - 12:23 - Atualizado em 03/12/2018 - 13:03

Dia 1° de dezembro é Dia Mundial de Combate à aids (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) e com o lema Prevenir + Testar + Tratar = Cuidar, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) adere, mais uma vez, à campanha Dezembro Vermelho, com o objetivo de sensibilizar a população para o autocuidado e a prevenção combinada.

O Parlamento mineiro iluminará a parede de mármore do Palácio da Inconfidência, localizada no Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira (Edjao), com a cor vermelha, até o dia 9 de dezembro.

Além disso, a ALMG realizará na próxima sexta-feira (7/12/18), às 10 horas e às 15 horas, no Teatro da ALMG, duas palestras para os adolescentes trabalhadores da Associação Profissionalizante do Menor (Assprom) para apresentar conceitos-chave da campanha, com noções de prevenção e combate ao vírus do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).

Número de infecções cresce no Brasil

Apesar da grande quantidade de informações difundidas sobre a síndrome, o número de novas infecções por HIV está aumentando no Brasil. Segundo a Unaids – agência da ONU para assuntos relacionados à aids -, em 2000 estimava-se que o número de novos casos de HIV estava entre 29 mil e 51 mil. Em 2014, entre 31 e 57 mil. No Estado, entre 2010 e 2015, foram diagnosticados mais de 18 mil casos, tendência de crescimento progressiva de 10% ao ano.

A Unaids trabalha com a meta 90/90/90, que significa 90% diagnosticados/90% em tratamento/90% com supressão viral. Segundo a instituição, 20 anos de evidências demonstram que o tratamento do HIV é altamente eficaz na redução da transmissão do vírus, e as pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral que têm carga viral indetectável têm chance insignificante de transmitir o HIV sexualmente.

Muita gente não sabe, mas existem diversas formas de evitar o contágio pelo HIV e todas elas envolvem o auto-cuidado. As recomendações do Ministério da Saúde apontam para a redução de danos e a prevenção combinada usando diversos métodos, sendo eles:

  • Usar preservativo masculino ou feminino e gel lubrificante nas relações sexuais;
  • Diagnosticar e tratar as pessoas com IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e HV (hepatite viral);
  • Controle e prevenção a Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), que são a porta de entrada para o vírus HIV;
  • Imunizar para HBV (Hepatite B) e HPV (Papiloma Vírus Humano);
  • Prevenir a transmissão vertical (Pré-natal);
  • Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP);
  • Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP);
  • Tratar todas as pessoas vivendo com HIV/aids.

PEP e PrEP – A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras ISTs, que consiste no uso de medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Trata-se de uma urgência médica, que deve ser iniciada o mais rápido possível - preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição e no máximo em até 72 horas.

A duração da PEP é de 28 dias e a pessoa deve ser acompanhada por uma equipe de saúde. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como: violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha); e acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico). A PEP é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)Consulte aqui onde você pode encontrá-la.

Já a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com ele. Essa profilaxia é a combinação de dois medicamentos (tenofovir + entricitabina) que bloqueiam alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar o organismo.

Caso a pessoa tome PrEP diariamente, a medicação pode impedir que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. Mas a PrEP só terá efeito se os comprimidos forem ingeridos todos os dias. Caso contrário, pode não haver concentração suficiente do medicamento na corrente sanguínea para bloquear o vírus.

A PrEP não é indicada para todas as pessoas, mas apenas para aquelas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV. O Ministério da Saúde considera as populações-chave gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; e trabalhadores(as) do sexo.

Além disso, esta profilaxia é indicada se a pessoa frequentemente deixa de usar camisinha em suas relações sexuais (anais ou vaginais); tem relações sexuais, sem camisinha, com alguém que seja HIV positivo e que não esteja em tratamento; faz uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV); e apresenta episódios frequentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pessoas insistem em ignorar prevenção

De acordo com o professor do Departamento de Clínica Médica da UFMG, Unaí Tupinambás, mesmo com tantas informações e tratamentos disponíveis as pessoas insistem em não se prevenir e os motivos para isso englobam vários fatores.

“Poderíamos nos perguntar: por que ainda temos tantos fumantes? Vamos pensar na questão dos tabus sobre sexualidade: as representações sobre a perda de prazer com uso de camisinha, ou que a mulher que propõe o uso preservativo seria considerada ‘fácil’.

É forte a questão do machismo e as dificuldades da mulher negociar o uso da camisinha nas relações", aponta. "Some-se a isso a precária educação sexual no Brasil. E que tende a piorar diante das declarações recentes do futuro ministro da saúde”, lamenta Unaí Tupinambás.

O infectologista ponderou também que muitos adolescentes e adultos jovens se consideram “imunes”, “invulneráveis” à doença. “É grande a negação do risco da infecção pelo HIV. Ainda no imaginário da população isso acontece apenas entre homossexuais. Temos que reforçar a educação nas escolas, disponibilizar preservativos, oferecer diagnóstico da infecção pelo HIV e, em algumas situações, oferecer a profilaxia pré-exposição”, completou.