Funcionários da escola especial receberam a notícia de que não haverá nenhuma medida relativa à reorganização das turmas

Escola especial é informada de que turmas não mudam este ano

Temida por pais e professores, fusão de salas é descartada durante visita de comissão à unidade, no Barreiro.

29/10/2018 - 14:49

Com 120 alunos e dedicada ao ensino especial, a Escola Estadual Doutor Amaro Neves Barreto recebeu nesta segunda-feira (29/10/18) a notícia de que não haverá unificação de turmas este ano.

A fusão de várias salas era temida por pais e professores diante de prejuízos que a medida poderia impor aos estudantes, uma vez que muitos deles têm deficiências múltiplas e severas e teriam o atendimento comprometido em turmas maiores.

A comunidade escolar foi tranquilizada do contrário em visita da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) à escola, localizada na região do Barreiro, na Capital.

O seu presidente, deputado Duarte Bechir (PSD), que solicitou a visita, relatou à diretora da unidade, Maria Piedade de Oliveira, ter recebido a garantia da Secretaria de Estado de Educação (SEE) de que não haverá fusão de salas este ano.

O parlamentar destacou que a garantia foi dada à comissão pelo chefe de gabinete da secretaria, Hércules Macedo, que recebeu a comissão no último dia 19 de outubro, tendo nesse encontro descartado qualquer medida relativa à reorganização das turmas da escola este ano.

Mobilização - Duarte Bechir, defendeu, contudo, que a comunidade escolar esteja unida em torno de uma estratégia para 2019, de forma a garantir que as demandas dos pais continuem sendo atendidas. Isso porque não estão abertas as matrículas para o próximo ano letivo, o que geralmente ocorre em dezembro, e porque um novo governo estará à frente do Estado a partir de 1º de janeiro.

Ressaltado a importância de uma mobilização nesse sentido, o deputado disse que a fusão de turmas de educação especial pode acabar por esvaziar as salas, justificando, assim, o fechamento intencional dessas escolas.

Notícia trouxe alívio para a comunidade escolar

Após ter sido informada da garantia dada pela SEE, a diretoria Maria Piedade endossou esforços da comissão e da comunidade escolar, salientado que turmas maiores não só prejudicariam o atendimento dos alunos, como também a organização do espaço físico da unidade.

“Funcionamos em um prédio adaptado, que abrigava a antiga Febem", destacou ela, ao relatar que já haveria um projeto pronto e licitado para que fosse construída uma nova sede para a escola.

Conforme a diretora, a unidade abriga hoje 12 turmas de ensino fundamental, sendo quatro à tarde e oito na parte da manhã, cuja intenção da SEE seria transformá-las em seis, com a fusão.

Há ainda seis turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), que seriam unificadas em três, além de cinco oficinas pedagógicas, disse Maria Piedade, que em reunião na ALMGm no dia 16 de setembro, relatou à comissão que a secretaria havia dado como prazo o dia 22 de outubro deste ano para que fossem feitas as fusões.

Exclusão - “Em turmas grandes, meu filho certamente ficaria num canto ou estaria em casa, porque esse negócio de inclusão na escola normal não existe”, registrou Ana Lúcia Cardoso Aris, ao mesmo tempo preocupada com a permanência da escola na região e aliviada com a notícia de que as turmas ficam como estão este ano.

Mãe de Geovane, de 7 anos, que tem paralisia cerebral, ela contou que a criança entrou para a Escola Estadual Doutor Amaro Neves Barreto há dois anos, quando pela idade já não poderia mais continuar na Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) que frequentava.

“Lá, ele ficava só rabiscando papel, separado do resto. Isso é exclusão. Aqui tem gente que sabe lidar com deficiências e ele pode aprender nem que seja o nome dele”, comparou Ana Lúcia, contando que, diante dos cuidados demandados pelo filho, teve que largar o emprego "em casa de família" quando Geovane nasceu.

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