Servidores da segurança ameaçados de morte procuraram a comissão desesperados diante de ações de despejo movidas pelo Estado
Cabo Coelho defendeu o direito dessas famílias a moradia funcional
Deputado pede suspensão de processos de despejo de policiais que vivem em moradia funcional

Cohab vai pedir suspensão de ações de despejo

Famílias de servidores da segurança pública temem perder direito a moradia funcional do programa Lares Geraes.

11/09/2018 - 12:45

A Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab) vai solicitar à Advocacia-Geral do Estado (AGE) a suspensão de ações de despejo de famílias de policias militares e civis, bombeiros e demais agentes de segurança que ocupam imóveis do programa Lares Geraes.

A informação foi trazida pelo diretor de Planejamento e Gestão Estratégica da Cohab, Ivan Alves Soares, que participou, nesta terça-feira (11/9/18), de audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Por meio do Lares Geraes, o Estado disponibiliza moradia funcional temporária para esses servidores da segurança. São 138 apartamentos que foram adquiridos em 2004 e destinados ao programa.

Essas residências foram criados para abrigar policiais, bombeiros e agentes que fossem ameaçados de morte em decorrência da sua atividade. Entretanto, várias famílias estaria enfrentando ações de despejo movidas pelo Governo do Estado, por meio da AGE.

Ivan Alves Soares explicou que a Cohab está assumindo a administração desses imóveis e que pretende solicitar a suspensão das ações de despejo. “Queremos dar uma tranquilidade a esses famílias e analisar cada caso”, afirmou.

Ele destacou que a atividade policial é de alto risco, sendo fundamental valorizar o trabalho desenvolvido pelos servidores da segurança. Ivan ainda explicou que, recentemente, a Cohab esteve em todos os imóveis com o objetivo de verificar a situação e dar início a análise de cada caso.

Insegurança - A moradora do Residencial Parati e esposa de um policial militar, Luciene Santos de Souza, afirmou que as famílias estão apreensivas, com medo de perder a moradia.

Ela explicou que o marido foi ameaçado de morte e que tiveram que se mudar para o residencial para sair da situação de risco em que se encontravam. “Queremos o fim dessa insegurança, desse medo de ter que sair do residencial”, ressaltou.

Representantes de policiais criticam risco de despejo

O presidente da Associação de Servidores do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Minas Gerais, sargento Alexandre Rodrigues, lamentou o tratamento que está sendo dispensado pelo governo aos servidores da segurança pública. “São pessoas que estão sendo ameaçadas por criminosos e que não estão contando com o apoio do Estado”, disse.

O presidente licenciado do Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares de Minas Gerais, cabo Álvaro Rodrigues Coelho, destacou que a moradia funcional não é nenhum privilégio dos servidores da segurança pública, uma vez que é destinada a pessoas em situação de risco.

Segundo ele, a situação desses profissionais é muito complicada, uma vez que são pessoas psicologicamente abalados pelas ameaças de criminosos e que não estão contando com o apoio do Governo do Estado. Álvaro Coelho acrescentou que o atual governo ainda acabou com um programa habitacional que era destinado a esses servidores para que pudessem adquirir uma residência própria.

O presidente da comissão e autor do requerimento para realização da audiência, deputado Sargento Rodrigues (PTB), afirmou que foi procurado em seu gabinete por famílias de policiais, bombeiros e agentes penitenciários que estariam desesperadas diante de ação de despejo movida pelo Poder Executivo. “Essa ação de despejo está assombrando as famílias”, afirmou.

O parlamentar ainda lembrou a existência de dispositivo da legislação que prevê a preferência para essas famílias caso os imóveis funcionais sejam colocados a venda.

Falta de recursos - O deputado João Leite (PSDB) afirmou que Minas Gerais está vivendo um momento complicado, com a falta de repasses de recursos para a saúde, para a segurança e os atrasos nos pagamentos dos servidores, entre outros problemas.

Ele lamentou o risco de despejo dos servidores da segurança pública e lembrou a dificuldade que os militares estão enfrentando para conseguir atendimento médico, diante da falta de repasses de recursos para os hospitais conveniados com o instituto de previdência da categoria, o IPSM.

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