Debate sobre criminalidade em Betim lotou auditório da Assembleia de Minas, nesta terça-feira (8)
Deputados defenderam a manutenção das unidades policiais no município

Betim não aceita fechamento de companhias da Polícia Militar

Participantes de audiência da Comissão de Segurança Pública discutiram medidas de combate à criminalidade no município.

08/05/2018 - 15:59

A população de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), não aceita o fechamento das Companhias 187 e 188, da Polícia Militar do Estado, localizadas nos bairros Jardim Alterosa e PTB. Essa foi a tônica dos discursos da maioria dos convidados em audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (8/5/18). A reunião teve por objetivo debater o aumento da violência em Betim e discutir medidas de combate à criminalidade.

O fechamento de companhias da PM foi criticado, também, pelos deputados presentes, que apontaram aumento nos índices de criminalidade no Estado e no município de Betim. Eles criticaram também as tentativas de “maquiar os dados” de segurança por parte do governo, conforme se referiu o presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT). A ausência de representantes do Comando da Polícia Militar na reunião também foi criticada pelos parlamentares.

O autor do requerimento para realização da audiência, deputado Ivair Nogueira (PMDB), defendeu esforço conjunto dos órgãos públicos e sociedade, bem como a descentralização no atendimento, de forma a aproximar a população dos serviços prestados pelo Estado. Lembrou que Betim é sede de grandes empresas, como a Fiat e a Refinaria Gabriel Passos, contribuindo com cerca de 20% para o PIB mineiro. Apesar disso, ressaltou, ao longo dos anos vem se notando um “sucateamento” das polícias em geral, com prejuízo para a cidade, que conta apenas com um delegado de homicídio para 550 mil habitantes.

"A cidade dispõe de 500 policiais militares, quando precisava de, no mínimo, 900”, disse. O parlamentar garantiu que vai “lutar pela permanência das companhias” no município e elogiou a criação das Apacs, as Associações de Proteção e Assistência ao Condenado, que considera “um caminho de ressocialização”.

Boicote e retrocesso - O deputado Sargento Rodrigues, por sua vez, denunciou o “descompromisso do governo com a segurança pública”. Lembrou promessas feitas na área de segurança, “até hoje não cumpridas”, como o aumento do número de servidores para o sistema prisional.

O parlamentar insistiu que o fechamento de companhias e sua substituição por bases móveis, que não considera móveis, mas fixas, é prejuízo para a população. “Trocar companhias de 100, 120 homens, por um posto fixo, é um retrocesso no policiamento”, disse. Ele lamentou que a cidade não possua um centro de internação de adolescentes em conflito com a lei.

Já o deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) considerou que as mortes provocadas pela violência em Betim refletem um quadro "pior do que o de qualquer guerra". Também classificou como assustadoras informações como as de que o município contaria com apenas cinco detetives, pontuando que Betim contribui expressivamente para a arrecadação do Estado, e defendeu a prevenção por meio de programas sociais como caminho para reduzir a criminalidade. "Mas, com o descaso desse governo, o que vemos é o encerramento de vários desses programas por falta de apoio e de repasses financeiros", criticou.

O vereador Roberto Carlos da Silva, de Betim, informou que um abaixo-assinado com 10 mil assinaturas será entregue à Secretaria de Segurança Pública do Estado, pedindo a manutenção das companhias militares.

Representante do governo assegura que houve queda na criminalidade

O subsecretário de Estado de Segurança Pública, Danilo Emanuel de Oliveira Santos, defendeu o governo, assegurando que, a partir de 2016, houve queda na criminalidade do município. Os índices, segundo ele, que citou dados do Observatório Cidadão, teriam caído mais de 35%.

As informações de Danilo foram reforçadas pelo coronel PM Júlio Cézar Raquel de Paula, secretário de segurança pública de Betim. Conforme afirmou, no primeiro quadrimestre de 2018, houve uma redução de 40% nos homicídios em relação ao mesmo período de 2016, graças, entre outros pontos, ao trabalho de inteligência do Grupo de Intervenção Estratégica.

“Isso não é maquiagem, pois não tem como maquiar número de homicídios consumados”. “Betim está com a criminalidade em franca redução”, afirmou.

Semiliberdade - Por sua vez, o subsecretário Danilo acrescentou que está em processo de licitação a implantação de um projeto de criação de unidades socioeducativas de semiliberdade em três municípios da RMBH - Betim, Contagem e Ribeirão das Neves, com 20 vagas para Betim. As unidades deverão estar prontas nos próximos três anos. “Serão, no total, 27 unidades, 17 já empenhadas”, disse, informando que elas serão destinadas ao adolescente que pratica ato infracional de maneira eventual.

O deputado João Leite (PSDB) criticou a iniciativa, alegando que unidades de semiliberdade podem “trazer problemas gravíssimos”. “Não é possível colocar 20 adolescentes em conflito com a lei junto com uma comunidade. Essa política tem que ser rechaçada de pronto pela população de Betim”, conclamou.

O defensor público de Betim, Maxnei Gonzaga, defendeu políticas públicas e investimentos sociais visando a ressocialização dos adolescentes infratores e destacando a importância do projeto Reintegra, de ressocialização.

O projeto Reintegra e as Apacs também foram elogiados pelo procurador geral e secretário municipal de Governo de Betim, Bruno Cypriani. O secretário destacou ainda os investimentos que estão sendo feitos na Guarda Municipal e defendeu mais investimentos em educação, como forma de prevenir o crime.

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