Obras no Residencial Nova Ituiutaba dependem de nova licitação para serem concluídas
Os deputados Elismar Prado e Paulo Guedes prometem acompanhar outras obras em atraso no Estado
Maria de Fátima está morando em uma casa emprestada

Entrega de casas em Ituiutaba deve atrasar mais seis meses

Prazo mínimo para conclusão das obras do Minha Casa Minha Vida foi anunciado pela CEF. Moradores aguardam desde 2016.

26/04/2018 - 19:37

Beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida em Ituiutaba (Triângulo Mineiro), que deveriam ter tomado posse dos imóveis há mais de um ano, terão que aguardar por, pelo menos, mais seis meses até a entrega das chaves.

A estimativa é da Caixa Econômica Federal (CEF), que financia a obra, e foi dada nesta quinta-feira (26/4/18), durante visita ao local feita pela Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Cerca de 800 famílias aguardam a conclusão dos residenciais Nova Ituiutaba 2 e 4. Segundo Nilva Rosa de Jesus, representante dos beneficiários, os contratos foram assinados em junho de 2016, com promessa de entrega em dezembro daquele ano e prazo máximo contratual até junho de 2017. Mas as obras, que já estavam praticamente concluídas, não foram finalizadas.

O superintendente regional da CEF, Luís Carlos Alves, explicou que a Elglobal Construtora teve problemas financeiros. Segundo ele, para evitar uma pendência judicial, que poderia se arrastar por anos, foi feito um distrato e aberta nova licitação.

“Das oito empresas habilitadas, seis já vistoriaram o local. Vamos aguardar a proposta mais vantajosa”, afirmou Alves. Para concluir a licitação, porém, faltam também dois documentos da Elglobal: o habite-se parcial da obra, já solicitado à Prefeitura de Ituiutaba, e a Certidão Negativa de Débito junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Estamos trabalhando para concluir as obras em seis meses”, reforçou o superintendente. Ele ressalvou, porém, a possibilidade de recursos de empresas perdedoras, entre outros atrasos comuns em licitações. A prefeitura não enviou representante à visita, mas vereadores se comprometeram a pressionar para garantir agilidade na emissão do habite-se.

Famílias denunciam depredações e furtos

Enquanto as chaves não vêm, famílias beneficiadas pelo programa federal adiam o sonho da casa própria e denunciam o abandono do local. “As construções estão sendo depredadas. Há roubo de fiação, de vaso sanitário e lavatório e até de aquecedor solar”, afirmou Nilva.

Durante a visita, vários seguranças da Elglobal patrulhavam os residenciais, mas as famílias dizem que essa não é uma cena comum. O deputados Elismar Prado (Pros), autor da solicitação para o encontro, e Paulo Guedes (PT), presidente da comissão, entraram em algumas unidades, já praticamente finalizadas.

Em outros pontos, porém, há construções mais atrasadas, sem janelas, sem forro e até sem aquecedor solar. Vidros quebrados, sujeira, mato alto e instalações elétricas incompletas – não se sabe se por fazer ou depredadas – também foram encontradas.

O superintendente da CEF afirmou que 95% das obras foram concluídas, mas alguns serviços, como a pintura, terão que ser refeitos. Ainda segundo ele, a Elglobal permanece como responsável pelo empreendimento e por eventuais avarias.

Famílias não perdem a esperança

Mesmo vivendo situação dramática, as famílias não perdem a esperança. Maria de Fátima de Oliveira, 58 anos, está morando em uma casa emprestada que, segundo ela, pode desabar a qualquer momento. O filho Josival, de 29 anos, está desempregado.

Afastada do trabalho por motivo de acidente, ela conta que o benefício de um salário mínimo mal dá para os remédios, as contas de água e luz e a alimentação. O sorriso só aparece no rosto de Maria de Fátima quando ela fala sobre o lote 42 da quadra 13. “É minha casa. Quero logo a minha casa!”, disse.

Após perder o emprego, Rosângela Silvestre, 36 anos, teve que se mudar de Ituiutaba com o marido, também desempregado, e duas crianças. Tudo porque o casal já não podia mais pagar o aluguel. Agora, ela está de volta, mora na casa da irmã, enquanto o marido foi trabalhar em São Paulo.

A família ficou desfeita, mas Rosângela acredita que tudo será diferente quando tiver sua própria casa. “Qualquer dinheirinho extra que entrar, a gente poderá investir. Já até sonhei comigo quebrando parede”, brinca. Ela garante que tem tudo planejado, dos móveis à decoração do banheiro.

Parlamentares anunciam providências

O deputado Elismar Prado lamentou que as moradias, praticamente prontas, não estejam cumprindo sua função social. “As famílias estão aguardando, pagando aluguel. É uma total incompetência do governo federal”, criticou.

O deputado Paulo Guedes reforçou a crítica à gestão do presidente Michel Temer e à redução dos recursos para o Minha Casa Minha Vida. Ele lembrou que o programa já foi uma “vitrine” para o Brasil, como modelo de acesso à moradia. “É um retrocesso”, sentenciou.

Os dois parlamentares se propuseram a visitar os órgãos federais em busca de solução e a realizar audiência na ALMG para ouvir os envolvidos. A ideia é que todas as obras do Minha Casa Minha Vida em atraso no Estado sejam acompanhadas.

“Em alguns casos, são as obras complementares que estão faltando, como posto de saúde, creche e escola”, adiantou Guedes.

Consulte o resultado da visita.