Ruy Castro conta ao Memória & Poder algumas das histórias que viveu e registrou

Memória & Poder entrevista jornalista e escritor Ruy Castro

O mineiro de Caratinga popularizou o mercado de biografias no Brasil. Programa da TV ALMG vai ao ar neste sábado (16).

12/12/2017 - 17:44

“De vez em quando vou dar uma beliscada nesta Sprite. É para molhar o bico”. A frase singela – dita antes da entrevista de quase três horas – talvez passasse desapercebida se não tivesse saído da boca de um ex-alcoólatra que abusou do gosto pela bebida por quase metade da vida. Coincidência ou não, após largar o vício, Ruy Castro chegou ao apogeu da carreira, tornando-se um dos responsáveis por popularizar as biografias no Brasil. O mineiro de Caratinga, na região Central do Estado, mas carioca de carteirinha, é o entrevistado do programa Memória & Poder, que estreia neste sábado (16/12/17), às 20 horas, na TV Assembleia.

Confira a sintonia da TV Assembleia na sua cidade.
Veja outros vídeos do programa Memória & Poder.

“A dependência é maior do que o medo da morte”, crava Ruy ao se lembrar da resistência que teve em buscar tratamento contra o vício. Dois anos depois de se internar em uma clínica no interior de São Paulo, publicou “Chega de Saudade”, livro que conta a história da geração de músicos da bossa-nova e que marca a primeira incursão de Ruy no gênero das biografias.

 “Começamos a fazer biografias de uma maneira diferente do que se fazia antigamente. Não tinha conversa fiada. Era informação em cima de informação o tempo inteiro. Mas de um jeito que não asfixiava o leitor. As pessoas não estavam esperando por aquilo”, lembra-se. “O Jornal do Brasil me elegeu o muso do verão. A primeira frase da resenha de Veja era: ‘Esse livro é formidável’”, orgulha-se.

Paixão pelo passado - Se o rigor na apuração das informações dos textos de Ruy veio dos tempos em que trabalhou no Correio da Manhã, a febre em recriar, nos detalhes, as épocas em que viveram seus personagens remonta à infância do escritor. Ruy foi criado numa casa repleta de gibis, discos, filmes e muitas revistas e jornais velhos. “Não se jogava fora a palavra”, explica. “Eu lia aquelas coisas do passado como se fossem parte da minha vida. As pessoas dizem que sou saudosista. Mas como eu posso ter saudade de uma coisa que está atrelada às minhas costas?”, reflete.

Com tanta informação dentro de casa, Ruy só teve de ir à escola aos 9 anos, por orientação dos próprios professores de Caratinga. Aos 5 anos, já datilografava. Com 11, escrevia sobre futebol e cinema em dois jornais da região. “Desde os 6 anos eu sabia que seria jornalista”, conta os ex-repórter de O Pasquim, Jornal do Brasil, Manchete, Playboy e Folha de S.Paulo, e ganhador do prêmio Esso aos 19 anos.

Além de Chega de Saudade, Ruy Castro fez sucesso com Anjo Pornográfico (biografia de Nelson Rodrigues), Estrela Solitária (biografia de Mané Garrincha) e Carmen (sobre Carmem Miranda). Tendo perdido uma irmã aos 10 anos, superado o vício em cocaína, nos anos 1970, o alcoolismo, nos anos 1980, e um câncer na garganta, nos anos 2000, Ruy, certa vez, foi perguntado sobre o que era preciso para se tornar um bom biógrafo. “É preciso ter uma vida biografável”, sintetiza.

Reprises - Esta edição do programa será reprisada no domingo (17), às 15h30; na segunda-feira (18), à meia-noite; e na terça-feira (19), às 21 horas.