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Com capacidade para 145 pessoas, incluindo três lugares para acomodar cadeiras de rodas, o Teatro foi idealizado para ser um dos mais bem equipados de BH
Com capacidade para 145 pessoas, incluindo três lugares para acomodar cadeiras de rodas, o Teatro foi idealizado para ser um dos mais bem equipados de BH - Foto: Clarissa Barçante
Segundo Dalmir de Jesus, a ALMG procurou se colocar na vanguarda na redemocratização do Brasil
Segundo Dalmir de Jesus, a ALMG procurou se colocar na vanguarda na redemocratização do Brasil - Foto: Ricardo Barbosa
Ludovikus, Cláudia Bento e Dinho acompanharam a implementação do Teatro
Ludovikus, Cláudia Bento e Dinho acompanharam a implementação do Teatro - Foto: Guilherme Bergamini
A peça "Ações Ordinárias", com Elizabeth Savalla, inaugurou o local
A peça "Ações Ordinárias", com Elizabeth Savalla, inaugurou o local - Foto: Arquivo ALMG
Espetáculo "Jojô e Palito em O Mágico de Oz". A dupla encanta a criançada com seus personagens
Espetáculo "Jojô e Palito em O Mágico de Oz". A dupla encanta a criançada com seus personagens - Foto: Divulgação
Joselma Luquini estreou peça no ano de inauguração do espaço
Joselma Luquini estreou peça no ano de inauguração do espaço - Foto: Willian Dias
08/08/2017 10h50
25 Anos do Teatro

Teatro da Assembleia de portas abertas para a democracia

Espaço, que comemora 25 anos, fomenta novos talentos e aproxima o Poder Legislativo dos cidadãos mineiros.

LUCIENE FERREIRA

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O ano era 1992. O dia, uma segunda-feira após a fracassada convocação do então presidente Fernando Collor de Mello, que era acusado de corrupção, para que a população vestisse verde e amarelo em apoio a seu governo. Num clima político agitado, que culminou com o afastamento do primeiro presidente democraticamente eleito no Brasil após o golpe militar de 1964, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) inaugurava o seu Teatro, um dos primeiros a funcionar dentro de uma casa legislativa.

Em 17 de agosto, na peça que inaugurou o palco do Teatro da Assembleia, os atores copiaram a população que foi às ruas na véspera e se vestiram de preto. Foi uma apresentação-protesto da peça “Ações Ordinárias”, que narrava a escusa relação entre empresas e políticos no caminho da corrupção. A atriz Elizabeth Savalla protagonizava o espetáculo e a indignação com o momento político do Brasil.

A política e a arte marcavam uma nova era. Belo Horizonte ganhava uma moderna sala de espetáculos que era também um espaço de aproximação com o trabalho parlamentar. “O Teatro começou bem sintonizado com a questão política do País”, lembra a servidora da ALMG e atriz Cláudia Bento, que acompanhou a implantação do espaço e hoje é sua gestora.

Legislativo mais próximo dos cidadãos

O então diretor-geral da ALMG, Dalmir de Jesus, explica que a implantação do espaço foi uma das estratégias estabelecidas pela Casa para aumentar a interação com os cidadãos. Segundo ele, o Poder Legislativo acabou se distanciando dos cidadãos durante a ditadura militar. “Com a abertura democrática, a Assembleia precisava se mostrar para a sociedade”, relembra.

Constatada essa necessidade, foi traçado um plano que abrangeu várias frentes, como a criação da Escola do Legislativo, a interiorização do trabalho das comissões e a abertura da Praça Carlos Chagas para o uso da população.

“A Assembleia tornou-se uma porta aberta para a sociedade. Além disso, havia muitos talentos artísticos e poucos espaços disponíveis, especialmente para os anônimos”, afirma Dalmir de Jesus.

O presidente da ALMG, deputado Adalclever Lopes (PMDB), também destaca a importância do espaço para a democracia e a cultura. "O Teatro da Assembleia, 25 anos depois de sua inauguração, continua cumprindo seu papel, trazendo a população para dentro do Parlamento e valorizando a cultura de Minas", ressalta.

Espaço para grandes nomes e jovens talentos

A consolidação do Teatro ficou a cargo de um trio de servidores da ALMG: Cláudia Bento, Luiz Carlos Moreira, o Ludovikus, e Edivaldo Cândido de Souza, conhecido como Dinho. Cláudia Bento lembra que o espaço foi inaugurado num momento em que a vida cultural brasileira passava por um movimento inverso: fechavam-se centros culturais para dar lugar a empreendimentos empresariais.

Com capacidade atual para 145 pessoas, incluindo três lugares para acomodar cadeiras de rodas, o local foi idealizado para ser um dos mais bem equipados de Belo Horizonte. Dinho, atual chefe de palco do Teatro, lembra que foram adquiridos os mais modernos equipamentos existentes. A mesa de luz, por exemplo, totalmente digital, foi a segunda do País – a outra estava no Teatro Nacional de Brasília.

Ele destaca também o tratamento acústico, que oferece qualidade de som para o artista e para o público. “O ator pode falar de costas, que é ouvido perfeitamente e não precisa elevar a voz”, diz Dinho. O técnico afirma que o espaço foi implantado com capacidade para abrigar qualquer tipo de espetáculo. “É o único da cidade que promove uma aproximação entre palco e plateia”, completa Ludovikus.

Programação plural - Apenas em seu primeiro ano de existência, o espaço recebeu mais de 50 apresentações artísticas – além de "Ações Ordinárias", o show de Fernando Brant e Tavinho Moura (ambos realizados no primeiro dia de funcionamento do espaço), o espetáculo teatral “Enfim só”, com Rogério Cardoso, e a apresentação do músico Guilherme Arantes.

Foi o primeiro teatro que cobrava apenas uma porcentagem sobre a bilheteria dos espetáculos, o que permitia redução dos custos das produções. Atualmente, a cessão do espaço é totalmente gratuita, sendo retidos apenas os valores de tributos e direitos autorais.

A ocupação é feita por concorrência pública anual, com edital publicado no Diário do Legislativo. São apresentados espetáculos para crianças e adultos, nas seguintes modalidades: teatro, música, dança, contação de histórias e stand up comedy.

A programação artística vai de sexta a domingo. Os outros dias são reservados para eventos institucionais da ALMG, à exceção das segundas, quando ocorre o programa Segunda Musical, e sextas, reservado ao Zás. O Teatro compõe o Espaço Político-Cultural Gustavo Capanema (EPC), que conta, ainda, com a Galeria de Arte e o Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira.

Celebração - Para celebrar o aniversário de 25 anos, o Teatro contará com uma programação especial no mês de agosto.

Um marco na vida de muitos artistas

Nesses 25 anos, o espaço marcou a vida de muitos artistas. Tavinho Moura conta que, a partir do show de inauguração com Fernando Brant, criou-se o espetáculo “Conspiração dos Poetas”, transformado em álbum mais tarde e apresentado em vários países pelos dois músicos até a morte de Brant, em 2015.

O espetáculo levava para o palco o que já ocorria no quintal de Brant – um encontro entre amigos que discutiam assuntos variados, tocavam e se divertiam. “Muitas pessoas que participavam dessas reuniões nos sugeriam usar o formato em shows. Experimentamos na Assembleia e não paramos mais”, relembra Tavinho Moura.

Jojô e Palito – Dois personagens muito populares entre o público infantil de Belo Horizonte também nasceram naquele palco. A atriz e escritora Joselma Luquini, servidora aposentada da ALMG, estreou a peça “A rosa encantada”, que lançou a dupla Jojô e Palito, no ano de inauguração do espaço. Até hoje, junto com o parceiro de palco Olavino Marçal, Jojô encanta a criançada com os personagens, que são presença constante no espaço.

Joselma apresentava, com Olavino, os personagens a Gorda e o Magro, no programa infantil de Tia Dulce na TV Alterosa. O fim do programa coincidiu com a abertura do Teatro da Assembleia e Joselma viu a oportunidade de continuar com seus espetáculos. Atualmente ela também realiza oficinas teatrais com estudantes do projeto Parlamento Jovem de Minas, na Escola do Legislativo.

A vizinha agradece – Vizinha da ALMG, a relações públicas Maria das Dores Pontes, a Dôra, é frequentadora assídua do local. Ela assiste sempre ao Segunda Musical e, quando pode, também prestigia outros espetáculos.

“O Teatro da Assembleia oferece a oportunidade de assistir a bons espetáculos, alguns deles gratuitos. É um espaço muito democrático, que não faz restrições aos shows”, avalia. Ela gostaria de ver mais vizinhos frequentando o espaço e sugere uma divulgação mais direcionada aos moradores da área. “Acho que muita gente não conhece a qualidade da programação”, diz.

A visão de quem ocupa o palco

“Um espaço desse numa casa do povo, com a qualidade e o cuidado com que foi tratado, é muito valioso”, considera o escritor Olavo Romano, que também participou da programação inaugural do Teatro da Assembleia e esteve presente em muitos outros eventos. Em sua opinião, a programação regular faz do espaço uma referência em Minas Gerais.

O comediante Carlos Nunes destaca a infraestrutura de alta qualidade e o tamanho compacto do Teatro. “É aconchegante e permite maior interação com o público”, ressalta. A localização privilegiada, segundo ele, também contribui para tornar o espaço um dos melhores da Capital.

“Uma casa de espetáculos é uma luz que se acende nessa escuridão que estamos vivendo”, afirma Joselma Luquini. Segundo ela, um diferencial são os servidores da ALMG. “São técnicos que não deixam faltar nada. Nesses anos todos, o Teatro não degradou; pelo contrário, só melhorou”, compara.


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