Foram constatados problemas em 70% dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida, entregues à população há pouco mais de dois anos
Representante da CEF informou que os problemas serão resolvidos antes das chuvas

Caixa anuncia reforma de casas em Prudente de Morais

Problemas estruturais nos imóveis do Minha Casa, Minha Vida são relatados em audiência de comissão.

07/07/2016 - 23:58 - Atualizado em 08/07/2016 - 14:21

Trincas em paredes, infiltrações, goteiras, janelas e portas emperradas. Esses são apenas alguns dos problemas encontrados nas casas do programa Minha Casa, Minha Vida no distrito de Campo de Santana, em Prudente de Morais (Região Central do Estado). O assunto foi discutido nesta quinta-feira (7/7/16), no município, pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante a reunião, a Caixa Econômica Federal (CEF), que financiou a obra, prometeu solução rápida para os problemas.

A audiência reuniu dezenas de moradores do Condomínio Roseiral, que receberam as casas há pouco mais de dois anos. A Associação de Moradores do Subdistrito de Campo de Santana e Adjacências (Acasa) vistoriou 70 dos cem imóveis do Minha Casa, Minha Vida e encontrou problemas em 70% deles.

Entre os casos mais graves estão quatro casas próximas a barrancos que podem desmoronar e duas que já sofreram algum tipo de desmoronamento. Em outros imóveis, há problemas com o aquecedor ou com falta de água ou, ainda, com fossas que não funcionam e precisam ser esvaziadas regularmente.

“Minha casa está caindo e eu não posso arrumar porque ela está na garantia. Ela foi construída no aterro e não fizeram o muro de arrimo. Eu trabalhei na Copermil. O serviço deles é uma porcaria”, relatou Jean Paulo de Souza Santos, proprietário de uma das unidades, referindo-se à construtora que fez o condomínio. “O dia em que recebi a casa foi um sonho. Agora virou pesadelo”, resumiu, chorando, Deise dos Santos da Silva.

Muitos moradores afirmaram que procuraram a CEF e a Prefeitura, chegaram a receber técnicos para vistoria, mas ainda não houve solução.

Banco orienta registro formal de reclamação

O gerente da Regional Leste de Minas da CEF, Marcelo Luis Baião Salgado, afirmou que a instituição vai solucionar os problemas, de forma rápida, antes do período das chuvas. Ele pediu que cada morador registre sua reclamação no telefone gratuito do programa (0800-7216268), um procedimento burocrático necessário para acionar o seguro das casas.

Ana Lúcia Brangione, gerente de Habitação da Regional Leste de Minas da CEF, acrescentou que os imóveis que possuem reclamação registrada já estão com processo aberto e em fase de orçamento para reforma. Ela também esclareceu dúvidas quanto às casas fechadas no condomínio, uma vez que, de acordo com moradores, uma delas teve a fiação roubada e virou ponto de droga.

O deputado Douglas Melo (PMDB), autor do requerimento para a audiência, lamentou a ausência de representante da Construtora Copermil, responsável pela obra. “O programa Minha Casa, Minha Vida não é um favor para o povo. A casa não tem que ser entregue de qualquer forma, pior do que um imóvel comprado por outro tipo de financiamento. Tem crime nisso”, concluiu o parlamentar.

Requerimentos – O parlamentar anunciou, entre outras medidas, envio de requerimentos à Defesa Civil do Estado, para que vistorie as casas; ao Ministério Público Federal, para que investigue se houve superfaturamento da obra e para que obrigue a Copermil a alugar imóveis para os moradores em situação de risco; e ao Ministério Público Estadual, para que impeça a Copermil de participar de obras públicas até que o problema de Prudente de Morais seja resolvido. 

Marcelo Luis, da CEF, adiantou que todas as tratativas com a construtora foram esgotadas. “A Copermil ou seus responsáveis técnicos não construirão e não venderão nenhuma unidade financiada pela Caixa no País até que a solução seja dada ao problema do Condomínio Roseiral”, garantiu.

O gerente salientou que, embora qualquer instituição financeira possa trabalhar com o Minha Casa, Minha Vida, o banco financiou 98% dos 4 milhões de imóveis já construídos ou em construção no País. “Só tem problemas quem faz”, ponderou.

Antes do posicionamento da CEF, o vice-prefeito de Prudente de Morais, Jocimar César Brandão, afirmou que há cerca de dois anos, um engenheiro da Prefeitura esteve em uma casa com solo rachado e fez um laudo apontando riscos. “O documento foi enviado para a Caixa e, se tivesse sido considerado, os problemas não teriam se agravado”, criticou. 

O secretário de Assistência Social de Prudente de Morais, José de Lima Natal, falou da atuação de sua pasta no caso, que envolveu a orientação aos moradores e contatos com o banco. No último contato com a Caixa, segundo ele, foi informado que os reparos estavam sendo providenciados, o que se confirmou, depois, pela fala dos representantes da CEF.

Vereadores da cidade também participaram da audiência e relataram pedidos de providência à Prefeitura.

Consulte o resultado da reunião.