Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Agropecuária e Agroindústria debateram a crise na suinocultura e na avicultura em razão do alto preço do milho
Parlamentares afirmaram que os produtores não conseguem mais ter uma vida sustentável no campo

Deputados pedem incentivo às criações de suinos e aves

Segurança dos produtores rurais também foi apontada como responsável por crise dos setores.

14/06/2016 - 19:45 - Atualizado em 15/06/2016 - 12:13

Os impactos do alto preço do milho e da soja e a falta de segurança no campo foram citados como os dois principais fatores para justificar a crise na suinocultura e avicultura mineira. Produtores e entidades civis pediram incentivos por parte do governo estadual em reunião conjunta das Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (14/6/16).

O presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), Antônio Ferraz de Oliveira, citou perda média de R$ 100 a R$ 120 por animal comercializado devido ao aumento do custo do suinocultor.

“A suinocultura é uma das atividades mais importantes do Estado. Enquanto o preço da carne de porco não foi impactado pela inflação acumulada, o milho aumentou 60% de janeiro a maio desse ano, em relação ao mesmo período do ano passado”. Ele julgou imprescindível a ajuda do governo para a compra dos grãos.

O presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Antônio Carlos Vasconcelos Costa, chamou as cotações do milho e da soja de “estratosféricas e irreais” e disse ter certeza de que a oferta de carnes e ovos será impactada.

“O capital de giro das empresas e produtores já não existe mais. O governo deveria criar uma ferramenta de controle das vendas futuras, para termos uma noção de como estará o mercado. O desequilíbrio produtivo prejudicará a todos, inclusive, futuramente, os vendedores de grãos. É preciso incentivar o plantio do milho, aumentar a produção para atender a demanda a preços mais razoáveis”, afirmou Antônio Carlos.

O superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto, reforçou que a entidade está trabalhando desde o primeiro trimestre para tomar medidas a favor dos produtores rurais, semelhantes às tomadas no Sul do País. “Eles diminuíram o ICMS na entrada do milho na região e reduziram a base de cálculo do ICMS de saída de suínos vivos para outros estados. Em março, a Faemg protocolou junto ao governo pedido de equiparação desses incentivos. Queremos evitar um desequilíbrio”.

A gerente técnica da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (OCEMG), Bárbara Barroso Vieira, falou do drama vivido por alguns avicultores. “É grande o impasse enfrentado pelos produtores, já que o acesso ao crédito para pagar as contas e regularizar a situação está bastante dificultado. As granjas estão enfrentando muitas dificuldades para fechar cada mês”.

Segurança – O prefeito de Curvelo (Região Central do Estado), Maurício Guimarães, criticou a falta de segurança na área rural e a desconexão entre a população do campo e da cidade. “As pessoas precisam parar de achar que tudo vem do supermercado; esquecem a importância do campo. O homem do campo é quem está carregando o Brasil nas costas”.

Os deputados endossaram a fala do representante do Executivo. O deputado Fabiano Tolentino (PPS) afirmou que muitos produtores têm sido roubados com frequência e não conseguem mais ter uma vida sustentável no campo, com segurança.

O autor do requerimento para a reunião, deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB), foi além e disse que o Estado possui margem para cobrar menos impostos e incentivar o produtor rural. “São 60 mil granjas, 240 mil membros de famílias trabalhando, 230 mil empregos nas granjas, 120 mil empregos na indústria de transformação e 160 mil no comércio”.

Os deputados Fábio Avelar Oliveira (PTdoB) e Nozinho (PDT) foram enfáticos ao pedir que o governo encontre alternativas para os agricultores e produtores rurais “não pagarem a conta”.

Fiscalização – Representantes das entidades criticaram a atuação do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) junto aos produtores rurais. Falando pela Superintendência de Agricultura em Minas Gerais, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Nelson Guedes defendeu a atuação da instituição. “Sempre estivemos abertos ao diálogo. Muitas vezes a legislação e a fiscalização enfrentam dificuldades de acompanhar as mudanças, mas estamos sempre discutindo e orientando. A fiscalização é indispensável porque alguns empresários abusam e colocam em risco a segurança alimentar”.

A coordenadora de Sanidade do IMA, Júnia Mafra, rebateu as críticas dizendo que as fiscalizações realizadas seguem a legislação vigente. “Minas é o quarto maior produtor de suínos do País. O objetivo de todos nós é preservar isso”, ressaltou.

Requerimentos – Durante a reunião, foram aprovados ainda pedidos de visitas das duas comissões aos secretários de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento; de Fazenda; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, para discutir a possibilidade de incentivos a suinocultores e avicultores.

Consulte o resultado da reunião.