Os problemas do hospital e as queixas de usuários foram verificados em visita dos deputados, que percorreram o Serviço Médico de Urgência, a Radiologia e a Oncologia
Usuários reclamaram dos elevadores; Suzana Rates disse que eles serão modernizados

Demanda de urgência no Hospital do Ipsemg cresce 30%

Aumento é atribuído à dengue e se soma a dificuldades financeiras e atrasos em obras realizadas na unidade hospitalar.

31/05/2016 - 19:19

O Hospital Governador Israel Pinheiro, conhecido como Hospital do Ipsemg, em Belo Horizonte, enfrenta em 2016 um aumento de 30% na demanda do pronto-socorro, obras em atraso e dificuldades financeiras. Os problemas, assim como outras queixas apresentadas por usuários, foram verificados em visita realizada nesta terça-feira (31/5/16) pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Durante reunião dos deputados Arlen Santiago (PTB) e Doutor Jean Freire (PT) com a diretora de Saúde do Ipsemg, Suzana Rates, foram relatados também problemas de outra unidade do Ipsemg, o Centro de Especialidades Médicas (CEM). A diretora admitiu que os pacientes do CEM enfrentam hoje uma “fila” para consultas médicas e que a unidade está com um aparelho de raio X inoperante, além de carência de outros equipamentos, como ultrassom e sonar.

Suzana Rates atribuiu o aumento da demanda no pronto-socorro aos casos de dengue e doenças respiratórias. Para enfrentar o problema, ela afirma que o Ipsemg priorizou a reforma de um anexo do hospital, que estava desativado e deverá estar pronto até o final de junho.

Durante a visita, os deputados percorreram o Serviço Médico de Urgência (SMU) e os setores de Radiologia e Oncologia. Foram acompanhados por representantes de uma entidade representativa dos usuários, o Conselho de Mães, Mulheres e Avós, que procurou a Comissão de Saúde e apresentou uma série de queixas relativas ao atendimento médico do Ipsemg.

Entre as queixas apresentadas à Comissão está a paralisação de obras, que já teriam sido pagas. Também criticaram a redução de leitos, que teriam passado de 543 para 344. Suzana Rates negou que tenha ocorrido redução de leitos durante o atual governo. O número atual de leitos é de 396. Segundo ela, a redução que ocorreu, antes da atual gestão, foi decorrente da adequação da unidade hospitalar a normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ela também negou que as obras suspensas tenham sido pagas.

Ala com 70 leitos permanece fechada

Suzana Rates admitiu que o setor de internação está desfalcado pelo fechamento de uma ala com 70 leitos, que precisa de reformas. “Quando assumimos a gestão, essa ala estava lacrada. Tão logo a gente consiga o reequilíbrio financeiro, a ideia é que voltemos a reformar essa ala”, afirmou a diretora. Ela disse que o déficit no início da atual gestão era de R$ 250 milhões, decorrente da transferência de recursos para o caixa único do Estado. “Em 2014, tudo foi para o caixa único. Hoje, toda a parte da contribuição dos servidores já vem para o Ipsemg”, afirmou Suzana Rates.

Outra queixa dos usuários é relativa aos seis elevadores da unidade hospitalar. Em abril de 2016, segundo relatório do Conselho de Mães, Mulheres e Avós, apenas um dos elevadores estava funcionando. A diretora de Saúde admitiu que os elevadores estão em situação precária e não são suficientes para a demanda. A programação, segundo ela, é iniciar a modernização dos elevadores até o início de 2017.

A diretora negou, no entanto, que o Hospital do Ipsemg enfrente falta de materiais básicos, como novalgina, papel higiênico ou luvas, como relatado pelo conselho de usuários. Ela afirmou ainda que, mesmo sem ampliar a estrutura, foi possível quase dobrar o número de internações entre 2013 e 2015, passando de 8.900 para 15 mil. Isso foi feito, segundo a direção, por meio de uma readequação de espaços e procedimentos. Foi inclusive criada uma nova ala para atendimento exclusivo a pacientes com suspeita de dengue.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Arlen Santiago, afirmou que a Assembleia irá cobrar providências urgentes do Estado para reequipar o Centro de Especialidades Médicas. Ele atribuiu o atraso no agendamento de consultas à redução do atendimento no interior do Estado. “Em alguns lugares, pelo preço que o Ipsemg paga, os credenciados não estão conseguindo atendimento, como em Uberlândia. Por isso, a demanda tem aumentado muito (na Capital)”, afirmou o deputado.

Ele acrescentou que a tabela do Ipsemg está congelada há cerca de sete anos e que o Governo do Estado poderia resolver a situação aumentando sua contribuição para o Ipsemg.

O deputado Doutor Jean Freire elogiou a atual gestão do Hospital do Ipsemg. “O hospital estava, há pouco mais de um ano, com as obras todas paralisadas. O que a direção passou é que já foram iniciadas algumas obras e se aumentou o número de internações. Vejo um esforço em fazer uma gestão mais enxuta”, avaliou. Ele acrescentou que diminuir o tempo de internação contribui para reduzir o perigo de infecções hospitalares e o custo das internações.

Consulte o resultado da visita.