Encontro na ALMG reuniu o presidente Adalclever Lopes e o prefeito de BH, Marcio Lacerda
Planta prevê prédio com elevação para não impedir a visão da rodoviária

Assembleia quer viabilizar centro administrativo da PBH

Casa se propõe a intermediar discussões para conciliar o projeto da prefeitura com o da linha 3 do metrô da Capital.

15/04/2016 - 16:53

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai intermediar as negociações entre o Governo do Estado e a prefeitura da Capital para viabilizar a implantação do Centro Administrativo de Belo Horizonte no estacionamento da rodoviária, no Centro da cidade. O projeto encontra resistência porque interfere em outro empreendimento, a construção da linha 3 do metrô, que prevê um acesso à plataforma de embarque, conhecido por shaft, também no estacionamento.

Em reunião realizada na ALMG nesta sexta-feira (15/4/16), com as presenças do presidente da Casa, deputado Adalclever Lopes (PMDB), e do prefeito de BH, Marcio Lacerda, ficou decidida a formação de um grupo técnico para tentar compatibilizar os dois projetos, ao mesmo tempo em que o Legislativo discutirá a proposta em audiências públicas nas comissões. “A Assembleia quer ser um órgão facilitador na busca dessa solução”, afirmou Lopes. O trabalho já deverá ser iniciado na reunião do Conselho de Administração da Metrominas, na próxima terça-feira (19).

Marcio Lacerda explicou que o projeto prevê a concentração dos serviços da PBH num só local, integrado com os eixos do transporte público e localizado no Centro, o que é uma tendência no mundo inteiro. A iniciativa também traria a revitalização de toda a área da rodoviária, além de uma praça suspensa que faria a transposição do Rio Arrudas e da linha do metrô, interligando o Cento à região da Lagoinha. E aumentaria a demanda pelo metrô, já que reuniria no local cerca de 8 mil funcionários da prefeitura, além de terceirizados e visitantes.

O terreno da rodoviária, porém, pertence ao Estado e teria que ser doado à PBH, por meio de um projeto de lei que tramitaria na ALMG. Mas a interferência no projeto do metrô poderia, inicialmente, inviabilizar a doação. O deputado Durval Ângelo (PT), líder do Governo na ALMG, argumentou que a área seria estratégica para o Estado. Mas sinalizou que há abertura para o diálogo. Durante o encontro, que reuniu técnicos da PBH, da Metrominas e dos escritórios de engenharia, entre outros, as intervenções foram no sentido da convergência entre as propostas.

Projeto do metrô teria que ser refeito

Os técnicos concordaram que o ponto de maior interferência, o shaft no estacionamento, pode ser mudado de lugar. Porém, será preciso refazer o projeto do metrô, o que implica, inclusive, nova licitação. Atualmente, o projeto está aprovado e aguarda recursos no Ministério das Cidades. Poderia haver, ainda, a necessidade de que as obras fossem tocadas simultaneamente. A deputada Marília Campos (PT) manifestou preocupação com o eventual atraso de implantação do metrô, em função da necessidade de um novo projeto.

Questionado pelo deputado João Leite (PSDB) sobre a participação da sociedade na construção da proposta, Marcio Lacerda afirmou que a questão foi discutida, entre outras instâncias, na Conferência Municipal de Política Urbana, com reuniões semanais durante seis meses. João Leite sugeriu que as discussões na ALMG sejam iniciadas o mais rapidamente possível, o que foi apoiado pelos deputados Anselmo José Domingos (PTC) e Roberto Andrade (PSB). O deputado Alencar da Silveira Jr (PDT) também esteve no encontro.

Outra iniciativa que deverá ser considerada nas análises do grupo técnico é a reforma da rodoviária, anunciada na reunião pelo presidente da Prominas, empresa que administra a rodoviária, Fernando Cabral. O prédio deverá ter novas rampas e escadas rolantes, além de painéis de energia solar. Com a previsão de que a rodoviária passe a ser um terminal metropolitano, será preciso ainda remover vigas para dar passagem aos ônibus do Move. Os investimentos podem chegar a R$ 90 milhões, com previsão de entrega das obras em 2018.

Arquitetura – O projeto arquitetônico do Centro Administrativo de Belo Horizonte foi apresentado pela arquiteta Laura Penna, do escritório de Gustavo Penna, que venceu o concurso promovido pela prefeitura. Entre outras características, o prédio tem uma elevação de 18 metros, para permitir a visão da rodoviária, que é tombada. Também tem iluminação natural e estacionamento no subsolo para 300 carros. Agora, a equipe trabalha para adequar a proposta aos estudos de viabilidade financeira.