A maior reclamação dos gestores do Hospital Alberto Cavalcanti é a ineficiência da Fhemig e a falta de diálogo da cúpula da entidade com a direção hospitalar

Hospital responsabiliza Fhemig por equipamentos parados

Parlamentares visitaram instituição especializada em atendimentos oncológicos para entender os problemas enfrentados.

04/04/2016 - 18:41

O tomógrafo novo está há dois anos sem funcionamento porque ainda não foi feita a extensão da rede elétrica. Os funcionários reclamam da falta de reposição de mão de obra, o que tem sobrecarregado os servidores. Essas e outras situações foram relatadas para os deputados da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em visita ao Hospital Alberto Cavalcanti, em Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira (4/4/16).

A instituição conta com 102 leitos operacionais, sendo seis de CTI. A sua principal especialidade é a oncologia. De acordo com o chefe deste setor, o cirurgião Alberto Wainstein, o hospital já realizou procedimentos que nenhum outro da rede pública do País fez, como a chamada “perfusão isolada de membro”, na qual um membro é isolado do resto do corpo e ligado a um coração artificial enquanto é feita nele a quimioterapia. “Somos uma instituição pequena, mas temos um corpo clínico muito capacitado e podemos nos tornar referência. Mas, para isso, precisamos de suporte”, disse.

A maior reclamação dos gestores do hospital é a ineficiência da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a falta de diálogo da cúpula da entidade com a direção hospitalar. A situação seria a causa de problemas como o tomógrafo que não funciona por falta de rede elétrica ou o mamógrafo que, há mais de um ano, está com defeito, por exemplo. “O problema é o recurso, mas não se trata de enviar uma grande quantidade em dinheiro para o hospital, e sim de garantir sua aplicação aonde for necessário. Falta autonomia para nós, que estamos na ponta, para decidir onde e como investir. Um câncer não espera essas decisões burocráticas para se desenvolver”, afirmou Wainstein.

O deputado Arlen Santiago (PTB), presidente da comissão, disse que a Fhemig não tem oferecido o apoio mínimo à instituição e disse que o presidente da fundação, Jorge Nahas, “ainda não assumiu adequadamente o cargo”. O deputado Doutor Jean Freire (PT) disse que esteve no Hospital Alberto Cavalcanti há cerca de um mês para se reunir com os funcionários e que é preciso agilidade para resolver as questões apresentadas de forma a permitir que o hospital volte a ser um “centro de excelência”.

Diálogo - Os funcionários do hospital, por sua vez, reclamaram da falta de diálogo com a diretoria. O técnico de enfermagem do Alberto Cavalcanti e representante da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Marcelino Jonas dos Santos, disse que a principal demanda é a falta de reposição de funcionários diante da saída de alguns servidores. “Os funcionários não aguentam mais, estão adoecendo”, disse. De acordo com ele, já existe uma conversa para realizar uma paralisação, caso não haja diálogo.

A presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) também esteve presente e reforçou as demandas. O diretor assistencial da instituição, Adriano Pivoto, por sua vez, disse que tem feito levantamentos e relatórios sobre os setores que precisam de mais funcionários e encaminhado às autoridades competentes.

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