Os dados foram apresentados por representante da Secretaria de Agricultura, durante audiência das Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Agropecuária

Produtores de leite reclamam de custos e preços do produto

Apesar de ter a maior produção de leite do País, Minas ocupa quinta colocação em termos de produtividade.

25/02/2016 - 15:39

Minas Gerais produz ao ano 9,4 bilhões de litros de leite, o que faz do Estado o primeiro produtor do Brasil, com perspectiva de crescimento de 25% nos próximos 10 anos. Agregado a isso, o Estado tem o segundo maior rebanho do Brasil, com 23,7 milhões de cabeças de gado e deve creditar aos produtos lácteos R$ 18,3 bilhões do Produto Interno Bruto do agronegócio mineiro em 2014. Apesar disso, o Estado ocupa a quinta posição no País em termos de produtividade, atingindo o patamar de 1.612 litros de leite por vaca ao ano, ficando atrás de Estados como Rio Grande do Sul (2.900 litros), Santa Catarina (2.577 litros), Paraná (2.534 litros) e Alagoas (1.642 litros), embora esteja acima da média nacional (1.525 litros).

Os dados foram apresentados pelo assessor técnico de política e economia agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Francisco Augusto, durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (25/2/16), pelas Comissões de Desenvolvimento Econômico e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A audiência discutiu os desafios da cadeia produtiva do leite e as dificuldades enfrentados pelo produtor, que sofre com o aumento no custo da produção e a diminuição no preço do produto.

As informações apresentados pelo assessor da secretaria fazem parte do Programa Minas Pecuária, apresentado na última quarta-feira (24) pelo Governo do Estado. A assessora técnica da Superintendência de Interlocução e Agroindústria (Siag), representante da Seapa, Jaqueline de Fátima Santos, ressaltou a importância de agregar esforços para melhorar a vida do produtor rural, que é o foco do programa governamental, e incentivar a sua permanência no campo.

Nesse sentido, segundo Francisco Augusto, o Minas Pecuária pretende incorporar tecnologia e estabelecer sistemas de produção sustentável e competitivos para gerar renda e melhorar a qualidade de vida do produtor. Entre as diretrizes do programa estão a implementação e a prestação de assistência técnica e extensão rural, a defesa sanitária, o melhoramento genético dos animais, a pesquisa e a transferência de tecnologias. Uma das metas pretendidas, segundo o assessor, é prestar assistência técnica em 8 mil unidades de referência técnica até 2018 na pecuária leiteira, com projeção de atingir 80 mil propriedades.

Parlamentares apontam gargalos enfrentados pelo produtor

O deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB), presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, falou das suas preocupações com relação aos problemas que enfrentam os produtores de leite. O aumento no custo da produção e a diminuição do preço pago pelo produto, agravado pela inflação, foram alguns dos pontos abordados pelo parlamentar.

“O produtor precisa de dois litros de leite para comprar uma garrafinha de 300 ml de água”, comparou o deputado, ao pontuar que o litro do leite custa em média R$ 1, com variações para mais e para menos. Além disso, Antônio Carlos Arantes lamentou o aumento de impostos para o produtor, como, por exemplo, na energia elétrica, e se disse preocupado com o aumento da insegurança no campo e com o significativo crescimento da importação do leite, "especialmente num País que poderia produzir o suficiente para o seu consumo".

Presidente da Comissão de Agropecuária e Agroindústria, o deputado Fabiano Tolentino (PPS) também cobrou o ajuste da balança econômica do leite e demonstrou preocupação com o dado apontado por ele de que em 10 anos, a produção do leite vai ter um crescimento de apenas 25%. “Se temos crescimento populacional que vai passar disso, como vamos fazer daqui a 10 anos? 25% é pouco”, disse.

O deputado Glaycon Franco (PTN) disse que, com passar dos anos, a tendência foi só de agravamento das dificuldades do produtor rural. Ele também cobrou mais apoio do governo. O deputado Inácio Franco (PV) também criticou a política governamental de importar leite de outros países como Paraguai e Uruguai e cobrou a necessidade de pressionar os governos para apoiar o setor.

Vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, o deputado Felipe Attiê (PP) considerou que o Brasil tem poucas empresas com inserção internacional e é, em contrapartida, sustentado pela agricultura. Nesse sentido, ele defendeu o desenvolvimento e a valorização da atividade.

O vice-presidente da Comissão de Agropecuária e Agroindústria, deputado Emidinho Madeira (PTdoB), lembrou que a vida do produtor rural nunca foi fácil e que o segmento é sempre esquecido pelos governos. Na avaliação do deputado Nozinho (PDT), é preciso que haja um arranjo na política de exportação e importação, bem como na questão tributária, questões que afetam a categoria.

Ao citar o Minas Pecuária, o deputado Rogério Correia (PT) disse que a situação do produtor não é fácil, sendo necessária a ação do governo.

Custo de produção - O vice-presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo de Carvalho Pena, acredita que, quando se fala em custo de produção, há que se considerar os aumentos da energia elétrica, dos impostos e da carga tributária.

Entretanto, ele ponderou que muitos produtores de leite também produzem milho e soja, insumos que são usados como ração de gado e que passam por um momento favorável de preços na economia. “Não podemos questionar o custo de produção com base nesse tipo de insumo”, afirmou. Ele também defendeu a adequação do produtor aos programas governamentais existentes e que o tornam mais competitivo.

Por fim, defendeu o projeto para formação do Conseleite, um conselho que atuaria junto a produtores e indústrias em busca de um preço de referência para o produto.

Mercado – O diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira, pontuou que há alguns meses o mercado pagava acima de US$ 5 mil a tonelada do leite e que hoje esse valor está abaixo de US$ 2 mil, uma realidade considerada difícil tanto para o produtor quanto para a indústria. Nesse contexto, ele defendeu o Conseleite como uma ferramenta importante.

O diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Marcos Vinícius Dias Nunes, pontuou que cerca de 80% da produção de leite vem de agricultores familiares e, ao falar do pequeno produtor, ele disse que mais de 500 mil propriedades têm no leite a sua atividade principal. Ele também abordou a questão da assistência técnica no campo, considerada por ele como um gargalo. Nunes exemplificou que a agricultura muitas vezes não recebe essa assistência em virtude do limitado quadro de técnicos da Emater.

Requerimentos – Foram aprovados dois requerimentos do deputado Antônio Carlos Arantes com pedidos de providência ao Ministério da Agricultura sobre ações do governo para combater a tripanossomose bovina e para a aplicação do disposto na Lei Federal 13.137, de 2015, que trata da modernização da cadeia produtiva do leite.

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