Deputados reuniram-se com membros do Movimento dos Atingidos por Barragens e moradores da região de Barra Longa
Parlamentares questionaram sobre diversas casas semidestruídas na entrada no distrito

Deputados reforçam reivindicações das vítimas de tragédia

Comissão Extraordinária das Barragens visita Bento Rodrigues e Barra Longa para cobrar mais rapidez em ações da Samarco.

01/02/2016 - 19:23 - Atualizado em 01/02/2016 - 19:51

Em visita da Comissão Extraordinária das Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (Região Central do Estado), moradores pediram manutenção da verba de subsistência e entrega de cestas básicas pela Samarco. Na visita, realizada nesta segunda-feira (1°/2/16), deputados reuniram-se com membros do Movimento dos Atingidos por Barragens e moradores da região de Barra Longa (Zona da Mata). 

A comunidade local também questionou os critérios para a distribuição de recursos aos atingidos, a reposição das ferramentas e insumos para que trabalhadores possam retomar suas atividades produtivas, e o retorno do acesso à água nas propriedades rurais. Entre as dificuldades relatadas, eles apontaram problemas de saúde ocasionados pela lama com resíduos de minério que tomou conta das fontes de água e ruas do município, além do estresse causado pela situação em que se encontram.

Os moradores presentes também reclamaram da falta de autonomia e auxílio na reforma das casas que ainda se encontram em condições de serem recuperadas e lembraram a construção de um muro de contenção, ainda não realizado, com o objetivo de preservar Barra Longa de tragédias semelhantes no futuro. Representantes do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e moradores leram documento, que será entregue a representantes do Minsitério Público, elaborado a partir das reivindicações feitas durante as reuniões realizadas com a mineradora, desde o ano passado. 

Nos escombros da escola e da policlínica de Bento Rodrigues, os deputados foram acompanhados pelo presidente da Associação de Moradores, José Nascimento de Jesus. Ele relatou que foi o barulho que alertou os moradores para que fugissem da avalanche de lama após o estouro da barragem, em novembro do ano passado. Também segundo José Nascimento, estariam adiantadas, por parte da Samarco, providências para a criação de um novo Bento Rodrigues, em área ainda a ser designada. 

O relator da comissão, deputado Rogério Correia (PT), e o deputado Gustavo Valadares (PSDB) questionaram sobre diversas casas semidestruídas, sem telhas e sem janelas, na entrada no distrito. De acordo com o presidente da associação, esses locais foram atingidos pelos saques, logo em seguida ao rompimento da barragem. José Nascimento ressaltou que a Samarco ofereceu caminhões aos moradores, para buscarem seus pertences. "Eram em torno de 200 casas e 600 habitantes ao todo que o distrito tinha", disse.

O deputado Rogério Correia frisou que o objetivo da visita era ver a realidade da população quase 90 dias depois do acidente com a Barragem de Fundão e fortalecer as reivindicações das vítimas da tragédia. "Queremos saber quais as condições de trabalho de vocês aqui, do que vocês ainda precisam", ponderou.

O deputado federal Padre João (PT-MG) lembrou que, por causa do desastre, a Câmara dos Deputados queria apressar a aprovação do novo Código da Mineração, segundo ele, com o objetivo de beneficiar as empresas. "Felizmente conseguimos barrar a tramitação irresponsável. Mas ainda temos desafios gigantescos, não é uma situação fácil, que vai se resolver da noite para o dia", afirmou.

Samarco - O gerente de Infraestrutura da Samarco, Cláudio Siqueira, disse que a empresa está ciente de sua responsabilidade e vem tomando todas as providências possíveis para atender a todos os moradores atingidos.

“Temos em Barra Longa 580 homens trabalhando, com 140 mil metros cúbicos de material já retirado dos rios. No entanto, não conseguiremos solucionar tudo a curto prazo. Noventa e duas residências precisam ser recuperadas, sendo que, neste primeiro momento, não estamos discutindo reassentamento, apenas recuperando, demolindo e reconstruindo. Até julho deste ano imaginamos que 80% das residências estarão entregues aos moradores. E faremos um estudo para a recuperação do rio até, no máximo, março”, informou.