Comissão de Educação apoia consórcio universitário

A Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai enviar ofício...

13/12/2010 - 00:01
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
 

Comissão de Educação apoia consórcio universitário

A Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Informática da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai enviar ofício ao ministro da Educação, Fernando Haddad, manifestando apoio ao consórcio universitário das sete universidades públicas federais do Sul e Sudeste do Estado. Requerimento neste sentido foi aprovado na tarde desta segunda-feira (13/12/10), em audiência pública à qual compareceram reitores e vice-reitores ligados a essas instituições federais de ensino superior (Ifes).

Convocada a requerimento do deputado Carlin Moura (PCdoB), a audiência pública teve por objetivo expor e debater o Plano de Desenvolvimento Institucional do Consórcio PIDC/2000, que institui o Consórcio das Universidades Federais do Sul-Sudeste, em Minas Gerais. A iniciativa vai reunir, num raio de 200 quilômetros a partir do município de Lavras, as Universidades Federais de Lavras, Alfenas, Viçosa, São João del-Rei, Itajubá, Ouro Preto e Juiz de Fora, o chamado "Vale do Saber".

A proposta de criação de um consórcio universitário na região começou a ser colocada em prática há cerca de seis meses, quando as universidades se reuniram com o objetivo de somar forças visando desenvolver ações estratégicas comuns voltadas para ensino, pesquisa e extensão.

Segundo o reitor da Universidade Federal de Viçosa, Luiz Cláudio Costa, o consórcio não interferirá na autonomia e especificidades das instituições. Ele afirma que a ideia do consórcio universitário é inovadora e inédita no Brasil e no mundo e vai beneficiar toda a comunidade universitária da região, a começar pelos alunos.

Entre outras vantagens, eles poderão, por exemplo, prestar um único concurso vestibular, pagando uma só taxa e concorrendo a vagas nas sete instituições. Além disso, ao longo do curso de graduação, terão à disposição também o recurso da mobilidade, isto é, poderão cursar diferentes disciplinas em mais de uma instituição. Isso funcionará muito bem, por exemplo, entre as diferentes áreas de engenharia ou entre cursos afins, como artes e design.

Cooperação - O reitor Luiz Cláudio Costa disse ainda que o Brasil é o 13o. produtor mundial de ciência nova e que 86% dessa produção originam-se nas universidades, mas que ainda existem carências a suprir. Ele ressalta que o papel da universidade pública não é apenas o de produzir conhecimento e pesquisa, mas focar o conhecimento e a pesquisa nas necessidades da sociedade como um todo, não se deixando levar pelas exigências do mercado globalizado. Ele acredita que o consórcio avança também nesse sentido, já que desloca o eixo central da competição para o da cooperação entre as instituições, formando alunos críticos e preocupados com as questões sociais.

O consórcio também traz vantagens administrativas e orçamentárias, já que permitirá que as instituições associadas adquiram bens em comum e invistam de forma unitária em laboratórios, atividades de pesquisa e culturais. A principal vantagem, porém, está relacionada às ações estratégicas de desenvolvimento para o Estado e o País, principalmente na área de pesquisa de ponta, como de energias renováveis e nanotecnologia.

A implantação do consórcio está sendo feita em três etapas: a pré-proposta, já encaminhada e aprovada pelo MEC; a fase atual, de discussão nos Conselhos Superiores das Universidades, que poderão agregar sugestões; e a fase final, de formatação dos aspectos jurídicos, administrativos e financeiros. Três instituições já fizeram sua pré-adesão: as Universidades Federais de Lavras, Itajubá e Viçosa.

O reitor Antônio Nazareno Guimarães Mendes, da Universidade Federal de Lavras, disse que a expectativa no meio acadêmico é que a sua instituição, considerada de excelência em matéria de ensino, mas de médio porte em termos de tamanho, deverá se expandir a partir da consolidação do consórcio. Paulo Ide, vice-reitor da Universidade Federal de Itajubá, lembrou que o consórcio abrangerá todas as áreas de conhecimento e facilitará também a mobilidade dos docentes entre as Ifes.

Do ponto de vista legal, a iniciativa ainda terá que contornar alguns entraves. A Lei de Consórcios, por exemplo, não permite que instituições de uma mesma esfera (no caso, federal) sejam consorciadas. Para isso, a saída, conforme proposta do próprio ministro da Educação, seria uma pequena alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Vencidos os entraves burocráticos e legais, os reitores e todo o meio acadêmico esperam que nos primeiros meses de 2011 o consórcio já possa estar funcionando efetivamente.

Deputados se dispõem a fazer gestões em Brasília

Os deputados presentes à audiência pública manifestaram total apoio ao projeto e se colocaram à disposição para fazer gestões junto à Brasília, se necessário, visando à concretização da proposta.

Os deputados Carlin Moura e Dalmo Ribeiro (PSDB) cumprimentaram os reitores pela iniciativa e colocaram a Comissão e a Casa à disposição para colocar em prática o consórcio.

Adelmo Carneiro Leão (PT) destacou "o momento rico e desafiador" que está sendo vivido pelas universidades e pelo País, acrescentando que "as universidades podem contribuir muito para a construção de um outro mundo possível, mais solidário, mais próspero e de inclusão social". O presidente da Comissão, deputado Ruy Muniz (DEM) lembrou que o consórcio, "uma invenção brasileira para a aquisição de bens, volta-se agora para as universidades, com muita criatividade". Carlos Gomes (PT) lembrou que participou de uma das primeiras reuniões sobre a formação do consórcio, ao lado do ministro da Educação, e destacou o ineditismo da iniciativa na área de educação.

Presenças - Deputados Ruy Muniz (DEM), presidente, Adelmo Carneiro Leão (PT), Carlin Moura (PCdoB), Carlos Gomes (PT), Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), Gláucia Brandão (PPS). Convidados: Antônio Nazareno Guimarães Mendes, reitor da Universidade Federal de Lavras; Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora; Luiz Cláudio Costa, reitor da Universidade Federal de Viçosa, Paulo Márcio de Faria e Silva, reitor da Universidade Federal de Alfenas; Paulo Shigueme Ide, Vice-Reitor da Universidade Federal de Itajubá.

 

 

 

 

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