Familiares pedem mais agilidade na apuração de assassinato
Expulsão imediata do cabo PM Ezequiel Pinheiro
Ramos. Foi o pedido da família do gerente de uma fábrica de
alumínio, Wayne do Carmo Braga, em audiência pública realizada pela
Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas
Gerais, na manhã desta quinta-feira (9/12/10). A audiência foi
requerida pelo presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT),
que não pôde comparecer por motivos pessoais. A reunião foi
presidida pelo deputado Adelmo Carneiro Leão (PT).
Wayne Braga foi assassinado em janeiro de 2004, no
bairro Jaqueline, na divisa de Belo Horizonte com Santa Luzia, pelo
concunhado, o cabo PM Ezequiel. De acordo com a irmã do gerente,
Imaculada Conceição Braga, o crime teria sido motivado por ciúmes.
Segundo relatos de testemunhas, o cabo estaria à paisana quando
teria abordado Wayne e lhe dado uma coronhada na cabeça. Em seguida,
teria disparado um tiro à queima-roupa. Na ocasião, a polícia
apurou, baseada em depoimentos de familiares, que Ezequiel já teria
feito várias ameaças contra Wayne. No inquérito, o cabo Ezequiel
Ramos confessou ter assassinado o vendedor, mas afirmou que agiu em
legitima defesa.
Durante a audiência, Imaculada Braga relatou que a
Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) não se preocupou em saber
como a família estava e não expulsou o cabo de seus quadros.
"Queremos atitudes concretas da polícia e do Estado", pediu. O irmão
de Wayne, Jair do Carmo Braga, reforçou que a família sofre muito
até hoje por causa do assassinato, e cobrou mais empenho dos órgãos
públicos na apuração do caso.
O comandante-geral da PMMG, coronel Hebert
Fernandes Souto Silva, disse que a instituição apurou o fato por
meio de sindicância, concluída em 2007. Conforme a apuração, o cabo
Ezequiel não poderia ser expulso da corporação porque o crime foi
cometido durante a folga do PM, com arma própria. Ele classificou o
caso como "uma tragédia familiar", que não interferia na postura
profissional de Ezequiel. "A conduta dele não se enquadrava na
ofensa de princípios da Polícia Militar", destacou o comandante. Ele
pontuou, ainda, que o policial poderá ser demitido apenas se for
condenado pela justiça comum, onde o processo tramita.
Insatisfação - Conceição
Braga considerou o posicionamento da PM "insatisfatório" e
questionou a falta de ações por parte da instituição. "A conduta
dele não ofende a corporação? Que policial é esse que está nas ruas
para nos proteger?", manifestou-se, indignada. O coronel Hebert
Silva enfatizou que a PM agiu conforme a lei e sugeriu que, na
próxima reunião, sejam convidados representantes do Ministério
Público e do Tribunal de Justiça, que podem dar mais informações em
relação ao andamento do caso.
O deputado Adelmo Carneiro (PT) criticou a demora
no andamento do processo contra o cabo Ezequiel. "Essa história de
que a justiça tarda, mas não falha, não é satisfatória. Justiça que
tarda é falha", considerou. Segundo o deputado, a Comissão de
Direitos Humanos da ALMG vai continuar acompanhando o caso para
apoiar a família e o cumprimento dos seus direitos.
Presenças - Deputado Adelmo
Carneiro Leão (PT). Além dos convidados citados na notícia, a filha
de Wayne Braga, Rosa Lorena Diniz Braga, e o subcorregedor da PM,
tenente-coronel Valter Braga do Carmo, também participaram da mesa.
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