Produtores de mudas acham desnecessárias restrições sanitárias

O greening, uma doença dos laranjais que vem devastando os pomares de São Paulo há anos, já entrou em Minas Gerais pe...

08/06/2010 - 00:01
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
 

Produtores de mudas acham desnecessárias restrições sanitárias

O greening, uma doença dos laranjais que vem devastando os pomares de São Paulo há anos, já entrou em Minas Gerais pelas cidades fronteiriças. Como é transmitida por um inseto voador, logo atingirá vastas regiões do território mineiro, e pode chegar aos produtores de mudas de cítricos de Dona Euzébia e Astolfo Dutra, na Zona da Mata. Uma portaria do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) exige que os viveiros de mudas sejam protegidos por telas para evitar a contaminação. Caso contrário, a Defesa Sanitária Vegetal não permitirá a comercialização das mudas fora do Estado.

Produtores de mudas insatisfeitos com a restrição procuraram o deputado Délio Malheiros (PV), que pediu uma audiência pública da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para debater o assunto na tarde desta terça-feira (8/6/10). O clima tenso foi aliviado logo no início da reunião, quando o representante do IMA, Pedro Hartung, anunciou a retirada dos prazos previstos na Portaria 937, em atendimento à solicitação do deputado. Novos prazos serão fixados de comum acordo entre as autoridades e os produtores.

Existem cerca de 300 pequenos produtores em Dona Euzébia e Astolfo Dutra, que produzem anualmente 3 milhões de mudas de laranja, limão e tangerina. Apenas quatro ou cinco seriam de maior porte, segundo o diretor da Cooperativa de Produtores de Mudas local, Márcio Ribeiro. "São pessoas simples, da agricultura familiar, que não têm condições de pagar R$ 40 mil para telar um viveiro de 500 metros quadrados, nem de comprar substratos. Eles não sabem ir ao banco pedir empréstimo. Só sabem fazer as mudas de melhor qualidade do Brasil", disse Ribeiro.

A qualidade das mudas produzidas na Zona da Mata é reconhecida por agrônomos da Emater e professores da Universidade Federal de Viçosa, e a produção é disputada pelos produtores de laranja do Triângulo e Alto Paranaíba e exportada em carretas para Manaus e para a Guiana Francesa. No entanto, em obediência a instrução normativa do Ministério da Agricultura, que resultou na Portaria 937, os estados vizinhos já não compram mudas de Minas, e na Bahia sequer as laranjas mineiras entram. Se a doença se agravar, os produtores podem ficar sem mercado.

Seis municípios mineiros já têm pomares contaminados

A praga do greening é causada pela bactéria Candidatus liberibacter americanus, propagada nos laranjais por um inseto voador. Invadiu os pomares de centenas de municípios paulistas desde a década de 90, provocando a erradicação de 5 milhões de laranjeiras. Em Minas já foi detectada em seis municípios: Guaxupé, Campanha, Frutal, São Sebastião do Paraíso, Monte Santo de Minas e Carmo do Rio Claro, e exigiu a destruição de cerca de 200 mil plantas.

Os produtores da Zona da Mata resistem à exigência do telamento, sob o argumento de que o greening jamais foi detectado num viveiro de mudas, e que a região ficou a salvo de outra praga anunciada há cinco anos, o CVC, por causa da proteção natural dos maciços de mata atlântica e pela falta de pomares extensivos na região. Também o período de 11 meses que a muda fica no viveiro não seria suficiente para a incubação da doença. O IMA considera razoável essa argumentação e retirou os prazos, mas alerta que a praga chegará à região mais cedo ou mais tarde, e que as medidas preventivas, se num primeiro momento podem representar uma despesa alta para o produtor, no futuro garantirão sua sobrevivência na atividade.

Presenças - Deputados Antônio Carlos Arantes (PSC), presidente; Délio Malheiros (PV) e Antônio Júlio (PMDB). Além dos citados, compuseram a mesa Marco Aurélio Salgado Pires, agrônomo da Emater-MG; Romildo Pereira, presidente da Cooperativa dos Produtores e Comerciantes de Mudas de Dona Euzébia; Fernando Defilippo, técnico agrícola; Domiciano Ferreira dos Santos, produtor; e Pedro Lúcio Ribeiro Pinto, secretário de Agricultura de Dona Euzébia.

 

 

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