Mais de 80% dos municípios mineiros se beneficiam do ICMS Cultural

Após 15 anos de aprovação da Lei Robin Hood, que concede incentivos aos municípios que promovem ações na área cultura...

02/06/2010 - 00:02
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
 

Mais de 80% dos municípios mineiros se beneficiam do ICMS Cultural

Após 15 anos de aprovação da Lei Robin Hood, que concede incentivos aos municípios que promovem ações na área cultural, recebem recursos oriundos do ICMS Cultural 698 municípios mineiros, quase 82% do total de 853 cidades do Estado. A informação é do diretor de Promoção do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), Carlos Henrique Rangel. Juntamente com outros convidados ligados ao setor cultural, ele participou de reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na tarde desta quarta-feira (2/6/10). Solicitada pela presidente da comissão, deputada Gláucia Brandão (PPS), a audiência pública teve como objetivo divulgar mecanismos de fomento à cultura do Governo do Estado.

Carlos Henrique Rangel lembrou que quando a Lei Robin Hood foi sancionada, em 1995, pouco mais de 30 municípios se habilitaram para receber o benefício do ICMS Cultural. Ele destacou ainda que Minas Gerais é o único Estado que contempla o patrimônio cultural com uma lei desse tipo. Rangel afirmou que com essa norma foi possível promover uma maior descentralização na distribuição dos recursos.

Paralelamente, registrou Rangel, o Iepha começou a capacitar os municípios para protegerem seu patrimônio cultural e artístico. Essa capacitação envolveu a conscientização da necessidade de cada município aprovar lei de proteção a esse patrimônio, criar conselho municipal, promover o tombamento e inventário de bens culturais e desenvolver atividades de educação patrimonial. Sobre os conselhos municipais de patrimônio cultural, a pesquisadora da Fundação João Pinheiro Isabella Virgínia Freire Biondini destacou que Minas responde por 70% do total existente no País.

Carlos Rangel também destacou que o Iepha atualmente promove cerca de 30 cursos para 300 municípios em várias regiões do Estado, para formar 1.700 agentes culturais, sempre com foco na orientação e fiscalização. Ele defendeu a articulação dos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte no campo da cultura por meio da atuação em consórcios. De acordo com Rangel, alguns municípios estão mais avançados no uso do ICMS Cultural, como Contagem. Dessa forma, todos podem trocar informações e os mais qualificados podem emprestar profissionais qualificados, que municípios menores não têm.

Curso na Escola do Legislativo capacita agentes culturais

A superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado de Cultura, Nora Vaz de Mello, divulgou o curso que será realizado no dia 9 de junho, às 14 horas, na Escola do Legislativo da ALMG. Com 130 vagas destinadas a produtores, gestores e agentes culturais dos municípios mineiros, o curso busca capacitá-los para apresentarem projetos de captação de recursos junto à Lei Estadual de Incentivo à Cultura e ao Fundo Estadual de Cultura.

De acordo com Nora Vaz, em 2009 foram destinados R$ 159 milhões para esses projetos, mostrando um grande incremento no setor - em 1998, haviam sido destinados R$ 9 milhões. Apesar disso, ela constata que não basta esse incentivo, pois na outra ponta é necessário que empresas se interessem em patrocinar alguma ação cultural. Já o Fundo Estadual de Cultura recebe R$ 9 milhões do Estado, destinados a projeto que tradicionalmente têm mais dificuldades na captação de recursos no meio empresarial.

Depois de tratar do trabalho da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Agência RMBH), o seu diretor-geral, José Osvaldo Guimarães Lasmar, defendeu a atuação do órgão na área cultural. "Por quê? Porque a cultura gera emprego e renda. Gera também identidade da população com sua cidade", observou. Mas nesse último quesito ele mostrou preocupação com a criação de uma identidade metropolitana. "Qual é a identidade da RMBH? Quais são as suas marcas?", questionou. Ao final do debate, Lasmar avaliou que essa identidade só será firmada com a articulação dos 34 municípios da região, definindo claramente a vocação cultural de cada um e além disso, promovendo a vinculação da cultura com o turismo.

Municípios precisam articular ações culturais

Representando os municípios, falaram representantes das secretarias de Cultura de Sabará, Pedro Leopoldo e Florestal. Kelly Cardozo, de Sabará, elogiou a participação da Agência RMBH como parceira na articulação para ações culturais. Ela destacou que o órgão propiciou a participação dos municípios metropolitanos no Fórum Nacional de Cultura. Ela divulgou que haverá reunião dos membros do Fórum Metropolitano de Cultura no dia 17 de junho, no Museu Inhotim, em Brumadinho, às 9 horas. Entre os temas a serem debatidos no encontro, Kelly destacou a implementação do Sistema Nacional de Cultura e a articulação dos municípios com o Governo do Estado para ações culturais.

Cleber Bispo dos Santos, da Secretaria de Cultura de Florestal, declarou que está em discussão no fórum a criação de uma rede de cultura da RMBH. Ele também defendeu a mudança de paradigma, para que a cultura deixe de ser encarada apenas como evento cultural e passe a ser vista também como propulsora do desenvolvimento econômico. Ele concordou com José Osvaldo Lasmar quanto à necessidade de articular a área cultural com o turismo nos municípios. E reivindicou mais treinamento dos órgãos governamentais sobre o uso do ICMS Cultural.

Sobre esse último aspecto, Angélica Grellmann Breunig, gerente da Secretaria de Educação e Cultura de Pedro Leopoldo, também defendeu a maior profissionalização de artistas, gestores e demais envolvidos com a área cultural. Segundo ela, muitos municípios não conseguem montar projetos por falta de qualificação técnica.

A deputada Gláucia Brandão também frisou a importância da qualificação de profissionais para elaborarem projetos culturais. "Temos ideias e sonhos. Mas temos que transformá-los em projetos viáveis, com metas e dados corretos", disse. Ela pediu a colaboração do representante do Iepha, Carlos Henrique Rangel, nesse sentido Ele se colocou à disposição para promover cursos também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Presença - Deputada Gláucia Brandão (PPS), presidente.

 

 

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