Debate público abordará inclusão de catador na previdência social

Os catadores de materiais recicláveis estarão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta segunda-feira (7/6/10) ...

02/06/2010 - 00:04
Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
 

Debate público abordará inclusão de catador na previdência social

Os catadores de materiais recicláveis estarão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta segunda-feira (7/6/10) para discutir sua inclusão no regime geral de previdência social. Com esse objetivo, a Comissão de Participação Popular promoverá um debate público em Plenário, a partir das 13h30. O presidente da comissão e autor do requerimento do debate, deputado André Quintão (PT), pretende reunir catadores, estudiosos e representantes dos Ministérios da Previdência e do Trabalho e Emprego, para discutir projeto de iniciativa popular sobre o assunto, a ser apresentado à Câmara dos Deputados.

Segundo Gilberto Warley Chagas, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, os trabalhadores reivindicam a aposentadoria especial nos moldes dos benefícios do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Segundo ele, a ideia é garantir a aposentadoria ao catador depois de 25 anos de serviço ou a compulsória para aqueles que têm mais de 60 anos de idade. Ideia surgida em Minas Gerais, a proposta popular conta com o apoio do Fórum Estadual Lixo e Cidadania e tem recebido sugestões das entidades de catadores de materiais recicláveis de outros Estados. Chagas lembra que há dificuldades para comprovar o tempo de serviço, mas ressalta que o pleito dos catadores visa sobretudo às gerações futuras.

Hoje, aquele que trabalha com coleta de materiais recicláveis inclui-se na categoria "contribuinte individual" (pessoa física que exerce por conta própria atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não). Assim, o catador paga alíquota de 11%, se seu salário de contribuição for o mínimo, ou 20% sobre a renda, se o valor for superior.

Desamparo na velhice - O deputado André Quintão enfatiza que os catadores estão presentes principalmente nas médias e grandes cidades brasileiras e formam hoje uma categoria profissional com reconhecimento no Brasil. No entanto, a maioria não tem o amparo do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e não pode se aposentar, após uma vida inteira de trabalho. O parlamentar lembra ainda que a remuneração desses trabalhadores varia de acordo com a quantidade e o tipo de material recolhido e com o mercado, que foi prejudicado com a recente crise econômica mundial.

Números - Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, estima-se que, no Brasil, 1 milhão de pessoas trabalhem com a coleta de recicláveis para sobreviver. As estatísticas evidenciam o crescente número de pessoas em exclusão social, sofrendo os efeitos do desemprego estrutural e da precarização do trabalho. Em Minas, a remuneração dos trabalhadores varia conforme o local, o que revela as desigualdades regionais. No Norte, por exemplo, um dia de trabalho rende entre R$ 2,00 e R$ 5,00, dependendo da quantidade e do tipo de material recolhido. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no Sul e no Triângulo, a remuneração pode chegar a R$ 30,00. No Estado, há apenas 85 empreendimentos organizados de catadores.

Catadores estiveram na Assembleia para reivindicar apoio na época da crise econômica

Em 2009, a crise econômica mundial trouxe cerca de 1,2 mil catadores de papel e seus familiares à Assembleia, a fim de buscar o apoio dos deputados para buscar alternativas àquele cenário adverso. Vindos de 60 municípios, os trabalhadores reivindicaram a definição de orçamento para a implementação da Política Estadual de Resíduos Sólidos (Lei 18.031, de 2009) e a inclusão de incentivos às associações e cooperativas de catadores no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), o planejamento de médio prazo do Executivo.

Segundo Gilberto Chagas, o debate público é uma oportunidade também de reforçar essas reivindicações. Ele cobra mais apoio do Estado para o segmento e também uma nova relação com as prefeituras, hoje pautada pela assistência social às entidades. "Defendemos um vínculo de parceria e de prestação de serviços com as prefeituras", afirma Chagas.

No final de 2009, durante as audiências de revisão do PPAG, a Assembleia aprovou emendas populares que viabilizaram o apoio às associações e cooperativas de catadores de resíduos sólidos, com repercussão no Orçamento para 2010. Já a Política Estadual de Resíduos Sólidos é originada de projeto do Executivo que foi enriquecido com as contribuições do Seminário Legislativo Lixo e Cidadania, promovido pela Assembleia de Minas em 2005 em parceria com diversas entidades.

Saiba mais - A Lei 18.031, que trata da política de resíduos sólidos, dispõe que, na hipótese da ocorrência de atividades em torno de lixões, como a catação de materiais, o município deverá apresentar proposta de inserção social para as famílias de catadores. Essa proposta deverá incluir programas de ressocialização para crianças, adolescentes e adultos e a garantia de meios para que estes passem a freqüentar escolas - medidas que devem integrar o plano de gerenciamento integrado de resíduos sólidos do município.

Programação do debate público

* 13h30 - abertura com o presidente da Comissão de Participação Popular, deputado André Quintão (PT); o secretário executivo da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Social do Ministério Público, Fernando Tadeu David, que representa o Fórum Estadual Lixo e Cidadania (Felc-MG); e Maria Madalena Rodrigues Duarte Lima, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis

* 14 horas - painel "Os catadores de materiais recicláveis e a luta pelo direito à previdência social". Expositores:

- professor Teodoro Adriano Costa Zanardi, representante da PUC Minas no Fórum Estadual Lixo e Cidadania. Falará sobre a minuta do projeto de lei

- deputado federal Leonardo Monteiro, membro da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. Falará sobre o processo de tramitação de projetos na comissão

- secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, Fernando Rodrigues. Falará sobre o regime geral de previdência e as possibilidades de inclusão dos catadores

- superintendente substituto da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego, Carlos Henrique Ramos Mello Filho. Falará sobre o trabalho associado, o catador de material reciclável e o direito à aposentadoria

- Gilberto Warley Chagas, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Falará sobre a importância da aposentadoria para os catadores.

Atuará como debatedora a pesquisadora Maria Lúcia Lopes da Silva, do Grupo de Estudos e Pesquisas em Seguridade Social e Trabalho da Universidade de Brasília (UnB)

* 17 horas - debates, com encerramento previsto para as 18 horas

 

 

 

 

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