Solenidade homenageia luta operária e consciência negra

Dois ex-deputados operários, representando os sete que já tiveram assento na Assembléia Legislativa, foram homenagead...

24/11/2003 - 14:55
 

Solenidade homenageia luta operária e consciência negra

Dois ex-deputados operários, representando os sete que já tiveram assento na Assembléia Legislativa, foram homenageados numa sessão solene no Plenário da Assembléia, na noite de sexta-feira (21/11/2003), dedicada à Luta Operária e ao Dia da Consciência Negra. São eles Francisco Delfino, o Chico Ferramenta, hoje prefeito de Ipatinga, e Clodesmidt Riani, ex-líder operário no Sul de Minas, cassado no início do movimento militar de 1964, e reabilitado há alguns anos pela Assembléia.

Riani deu um longo e emocionado depoimento da tribuna, compondo um painel da eferverscência política nos meios operários durante o governo João Goulart, em que os sindicatos realizaram nada menos que 10 congressos operários de abrangência nacional, sendo quatro de metalúrgicos. O ex-deputado disse ter orgulho do resultado das mobilizações, que resultaram em maiores conquistas para consolidar a CLT iniciada no tempo de Getúlio Vargas.

A solenidade foi presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB), uma das signatárias do requerimento, juntamente com Cecília Ferramenta e Maria Tereza Lara, ambas do PT. Jô Moraes lembrou a "heróica atitude de Zumbi, que fundamentou a consciência racial a partir da celebração dos sentimentos de liberdade e igualdade". No entanto, a deputada assinalou a dupla discriminação da mulher negra no mercado de trabalho, apontada pelo Dieese. Quanto à luta operária, Jô Moraes manifestou suas expectativas de que o governo do líder metalúrgico Lula seja o ponto alto de uma luta operária que teve seus momentos trágicos, como o massacre de Ipatinga, ocorrido há quarenta anos, com um saldo de 33 mortos.

A deputada Cecília Ferramenta, que representa o Vale do Aço, também falou sobre as mortes de Ipatinga. "O massacre de trabalhadores, ocorrido em uma das portarias da Usiminas, foi um triste episódio no desenvolvimento histórico do movimento operário brasileiro. Mas é bom lembrar que, 21 anos depois, em 1984, surgiu ali um movimento operário marcante para a história do sindicalismo nacional", destacou a deputada.

Maria Tereza Lara concentrou-se nas questões de interesse da população negra, citando o presidente Lula, quando disse que "a Lei Áurea abriu a porta da senzala mas escondeu a chave da cidadania". Maria Tereza afirmou que a taxa de analfabetismo da população negra é o dobro e a renda dos brancos é o dobro da dos negros. Para reduzir essas desigualdades, ela disse que o presidente Lula está dando início à titulação das terras dos antigos quilombos, que são 743 no Brasil.

Durante a solenidade, a orquestra sinfônica Stradivarius, do Colégio Santo Agostinho, executou várias peças, a contralto Helena Pena cantou o Hino Nacional a capela e o Canto das Três Raças. O ator Olavo de Castro fez a leitura dramática de um poema de Vinicius de Moraes. Maria das Graças Saboya, da Coordenação Nacional das Entidades Negras, e José Antônio Lacerda, presidente da CUT, discursaram da tribuna.

Os ex-deputados operários, presentes ou representados, receberam placas com a inscrição "Há pessoas que, em nome da liberdade e da justiça social, se dispõem a sacrificar a própria vida. A Assembléia Legislativa de Minas Gerais as homenageia pela sua luta em defesa de uma sociedade mais justa, onde os direitos dos homens e das mulheres sejam uma realidade". Outras receberam diplomas em reconhecimento por sua luta em defesa dos direitos dos operários e dos negros, entre eles o cantor Maurício Tizumba.

 

 

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