TVs Legislativas contribuem para aprimoramento da
democracia
"A Assembléia de Minas participa com honra e
alegria deste momento rico na busca de ações para garantir ao povo
informações capazes de aprimorar a democracia do Estado brasileiro",
disse o 2o-vice-presidente da Assembléia, deputado Adelmo
Carneiro Leão (PT), representando o presidente Mauri Torres (PSDB),
na abertura do I Encontro da Associação Brasileira de Televisões e
Rádios Legislativas (Astral), na noite desta quinta-feira
(20/11/2003). Segundo Adelmo Leão, não há como manter mais as TVs
legislativas restritas à TV a cabo. Mesma opinião tem o presidente
da Astral, Rodrigo Lucena, gerente-geral de Rádio e TV da Alemg, e o
pesquisador da Usp, Laurindo Lalo Leal Filho, que também
participaram do evento.
Rodrigo Lucena defendeu a melhor qualidade na
informação, que possa chegar a todos. "O Encontro significa um
avanço para as TVs legislativas do Estado para que elas possam
aumentar seu sinal na colaboração da melhor formação do cidadão",
afirmou. Rogério Tavares, da ONG Tver de Minas Gerais, também
destacou a importância dos canais de acesso público, entre eles a TV
legislativa e sua qualidade.
Já o papel do Estado na comunicação social foi
abordado pelo presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa
das Rádios e Tvs Públicas, deputado federal Evilásio Farias. "A
comunicação social, como algo tão importante e estratégico quase não
tem controle do Estado. Precisamos saber por que o Estado não assume
sua responsabilidade em relação à comunicação", opinou Evilásio. Ele
destacou ainda que a Frente Parlamentar é a maior constituída na
Câmara dos Deputados, com a participação de 260 parlamentares, entre
deputados e senadores.
Pesquisadores destacam papel das emissoras públicas
Após a abertura do evento, os participaram
assistiram a palestra "O papel da Rádio e da TV Públicas no Brasil",
dos pesquisadores Laurindo Leal Filho, da USP, e Sandra Freitas, da
PUC Minas. Laurindo ressaltou que a TV legislativa nasceu devido à
lei do cabo e chegou no momento dela romper esse laço. "Nós não
podemos continuar amarrando as TVs legislativas naquilo que chamo de
aparthaid, porque estão presas às TVs a cabo", disse. Ele
definiu TV pública como "aquela que mantém afastada dos recursos do
Estado e da propaganda e é gerida pela sociedade". E foi além: "é
responsabilidade da TV pública mostrar que existe alternativa para a
emissora comercial".
Laurindo lembrou que o Brasil só conhece o modelo
comercial de TV e um pouco da TV estatal. "Infelizmente, no Brasil,
essa idéia de emissora pública ficou subordinada ao modelo
comercial", disse. Para Laurindo existem três momentos de emissoras
públicas no País: a Fundação Roquete Pinto no rádio, nos anos 20; a
inauguração da Fundação Padre Anchieta, em São Paulo, em 1968; e a
Constituição de 1988, que determina a complementaridade das
emissoras privada, pública e estatal.
Já a professora da PUC, Sandra Freitas, fez um
relato de sua experiência na frente da TV Universitária, uma das
formas de TV pública, inaugurada em 1998. "Nosso papel é constituir
uma TV pública, que consiga dar resposta aos grandes problemas e
demandas coletivos, da sociedade". Ela acredita também, assim como o
pesquisador da Usp, que o Estado tem de bancar os recursos da TV
pública, na medida que dá visibilidade ao seu trabalho. Outros dados
fornecidos por Sandra Freitas é que, em Belo Horizonte, há 130 mil
assinantes de TV a cabo, pela Net, e 8 mil assinantes pela Way. "É
um número muito pequeno", ponderou. Laurindo acrescentou ao dizer
que o número de assinantes de TV a cabo não chegam a 10% da
população brasileira.
Programação desta sexta-feira (21)
Na sexta (21), o secretário de Comunicação
Eletrônica do Ministério das Comunicações, Eugênio Fraga, falará
sobre o tema "Como ficam as TVs não comerciais no anteprojeto de lei
de radiodifusão". A palestra será às 9 horas, no Auditório da Escola
do Legislativo (avenida Olegário Maciel, 2.161, bairro de Lourdes),
seguida de debate. À tarde, a partir das 14 horas, dois grupos de
trabalho vão discutir "O compartilhamento do canal legislativo a
cabo, criação da TV institucional e estruturação da Astral" e também
"A TV da América Latina". Na plenária final serão apresentados os
relatórios dos grupos.
Presenças - Compuseram a mesa de trabalhos o
2o-vice-presidente da Assembléia Legislativa de Minas,
deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), representando o presidente Mauri
Torres (PSDB); o presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa
das Rádios e Tvs Públicas, deputado federal Evilásio Farias; o
presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte,
deputado Robson Faria; o 1o-vice-presidente da Assembléia
Legislativa do Mato Grosso, deputado Jota Barreto; o deputado
estadual da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, Paulo Êccel; o
diretor de Comunicação Institucional, Ramiro Batista de Abreu; o
gerente-geral de Rádio e Televisão da Assembléia, Rodrigo Lucena; a
professora da Puc-Minas, Sandra Freitas; o pesquisador da USP
Laurindo Leal Filho; e da Ong Tver de Minas Gerais, Rogério Tavares.
Participaram do evento autoridades de Minas Gerais e de outros
estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins, Amazonas
e Pará.
|