Secretários da área social mostram planos para próximos 4 anos

Para apresentar e discutir os planos do governo estadual para os próximos quatro anos na área social, três secretário...

16/10/2003 - 17:43
 

Secretários da área social mostram planos para próximos 4 anos

Para apresentar e discutir os planos do governo estadual para os próximos quatro anos na área social, três secretários e quatro subsecretários de Estado estiveram no Plenário da Assembléia na manhã desta quinta-feira (16/10/2003). Eles participaram da terceira audiência pública para discutir o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), promovida pela Comissão de Participação Popular da Assembléia Legislativa em parceria com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag).

Sob a coordenação do deputado André Quintão (PT), o evento teve a participação das seguintes autoridades: os secretários estaduais de Desenvolvimento Social e Esportes, deputado estadual João Leite da Silva Neto; Desenvolvimento Regional e Política Urbana, Maria Emília Rocha Mello; Ciência e Tecnologia, deputado estadual Bilac Pinto; os secretários adjuntos de Saúde, Hely Tarqüínio; Educação, João Antônio Filocre Saraiva; e Defesa Social, Luís Flávio Sapori; Planejamento e Gestão, Renata Maria Paes de Vilhena; e o representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Luiz Aureliano Gama de Andrade.

Desenvolvimento Social - As principais ações da Secretaria de Desenvolvimento Social e Esportes visando a integração com o PMDI e PPAG foram apresentadas pelo titular da pasta, João Leite. São elas: geração de emprego, através do Programa Primeiro Emprego; melhoria da segurança pública; e as Parcerias Público-Privadas. A secretaria atua também na defesa e proteção da criança e do adolescente, atendimento a deficientes, qualificação profissional, fomento ao desporto e direitos humanos, entre outros. João Leite falou também sobre a interlocução com o Programa Fome Zero, através da capacitação de agentes locais de segurança alimentar, criação de comitês gestores e fornecimento do Cartão Alimentação. Há também o Minas sem Fome, um subprograma do Fome Zero voltado para o combate à fome, à pobreza e à desnutrição, atendendo 6,5 milhões de pessoas em 600 municípios mineiros.

Secretário defende "Estado-meio" que cria oportunidades através de parcerias

Induzir o sistema de inovação tecnológica para Minas, promovendo a articulação entre universidades, institutos de pesquisa, setor privado e governo, e também supervisionar o desenvolvimento do ensino superior do Estado. Em linhas gerais, esse é o objetivo da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, segundo o secretário Bilac Pinto. Depois de tratar dos vários programas que a pasta pretende implantar, todos já aprovados pelo Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, ele defendeu a mudança do conceito de Estado-fim para Estado-meio, que alavanca oportunidades, não mais sozinho, mas através de parcerias.

Regionalização do desenvolvimento - Política urbana, habitação, saneamento, questões metropolitanas e municipais, telecomunicações. Depois de apresentar essas que são as atribuições da Secretaria de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, a secretária Maria Emília Rocha Melo enfatizou a política habitacional do Estado. De acordo com Maria Emília, os objetivos dessa política são universalizar o acesso à moradia, ampliar o estoque de moradias, regularizar assentamentos e modernizar a área habitacional. Para atingi-los, a secretaria pretende construir 120 mil unidades habitacionais, contribuindo para a redução do déficit da habitação em Minas, de 630 mil unidades (80% nas famílias com renda de até três salários mínimos).

CDES - "Política social, numa época de vacas magras, não é tarefa fácil", afirmou o representante do CDES, Luiz Aureliano Gama de Andrade. Para ele, essa política só será implementada a contento se houver articulação entre as áreas de governo, visando eliminar o desperdício, obter sinergia dos vários setores e a colaboração entre o poder público e a sociedade civil.

Expositores depositam esperança no futuro do Estado

O secretário adjunto de Saúde, Hely Tarquínio, afirmou que até hoje o atual governador está "apagando incêndios" de governos passados, no que diz respeito à saúde. "Temos que lutar contra um déficit público acumulado, que nos impede de fazermos logo todos os investimentos necessários", admitiu. Na opinião do secretário adjunto, a iniciativa do governador Aécio Neves de discutir os planos com a sociedade merece aplauso, uma vez que Executivo e sociedade precisam ser parceiros, se quiserem resolver os problemas da saúde. Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) já provou que pode ser auto-sustentável, mas ainda funciona de forma precária, porque o próprio conceito de saúde ainda está sendo construído. "Estamos em fase de construção do sistema, e isso não leva quatro anos, leva vinte", disse ele, afirmando que o governo não vai "vender a ilusão" de que tudo será resolvido até 2007.

Prefeitos devem buscar recursos federais

Como metas do governo para os próximos quatro anos, Hely Tarquínio citou o Plano Diretor Regionalizado, que visa trazer a saúde o mais próximo possível da residência do cidadão, e o Programa de Saúde da Família, focalizando a medicina preventiva. De acordo com dados da própria secretaria, o Saúde da Família atende hoje a 654 municípios, mas ainda de forma precária também. Hely Tarquínio conclamou os prefeitos do interior a buscarem recursos junto à União, através dos deputados federais, para construção de hospitais e centro cirúrgicos, que completariam a base material do SUS e do Plano Diretor Regionalizado.

O secretário adjunto também citou a o programa "Viva a Vida", cujo objetivo é reduzir a mortalidade infantil no Estado, e o "Farmácia de Minas", através do qual o governo pretende ampliar a produção e a distribuição de remédios. Atualmente, segundo ele, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) produz 42 medicamentos básicos. O objetivo é produzir de 60 a 67 tipos no próximo ano.

Segurança pública não pode ser tratada de forma intuitiva

O secretário adjunto de Defesa Social, Luis Flávio Sapori, afirmou que os planos do governo para a segurança pública foram feitos com base em dois pressupostos: de que o tráfico de drogas está se consolidando em Minas, especialmente o de crack na região metropolitana; e de que há um alto nível de impunidade no Estado. "Fizemos uma análise séria para planejar os próximos quatro anos", afirmou. Segundo ele, esta é a primeira vez que a segurança pública é tratada como algo tão importante para o Estado como saúde, educação e habitação. "Até hoje, o governo agia de forma intempestiva, intuitiva, ao sabor dos acontecimentos", afirmou Sapori.

De acordo com ele, o plano para segurança pública inclui ampliação do sistema prisional; integração das polícias, com valorização dos profissionais; prevenção social da criminalidade e atenção especial à questão do menor infrator, incluindo a criação de uma carreira específica para os que trabalham com esses menores.

Mais vagas no ensino fundamental e médio

A secretária de Estado da Educação, Vanessa Guimarães Pinto, foi representada na audiência pública pelo secretário adjunto, João Antônio Filocre. Segundo ele, o conjunto de ações previstas para os próximos quatro anos tem como objetivo desenvolver a educação básica no Estado. A previsão é de que serão oferecidas mais 200 mil vagas no ensino médio, para garantir vagas a todos os jovens e jovens adultos que tenham concluído a 8ª série. Outra inovação prevista é o acesso de crianças com seis anos de idade ao ensino fundamental público.

A partir da constatação de que o governo do Estado não tem dinheiro para implantar a jornada escolar em tempo integral, João Antônio Filocre anunciou que a Secretaria da Educação está fazendo um levantamento para selecionar um grupo de alunos que terão assistência integral, ampliando a jornada para algumas turmas.

Panfletos - O período da manhã foi encerrado com várias perguntas dos participantes aos expositores. A maior parte dos questionamentos foi direcionada ao secretário adjunto de Saúde, por causa da situação dos hospitais do Estado e da falta de repasses para a saúde, conforme previsto na Constituição. O deputado Adelmo Carneiro Leão fez uma ressalva, pedindo que os representantes da Secretaria de Saúde não fiquem com os olhos apenas no futuro, esquecendo-se do presente.

Representantes do Sind-Saúde chegaram a distribuir panfletos pedindo socorro para o Hospital João XXIII.

 

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