Cafeicultura familiar do Sul é ameaçada por grandes empresas

A cafeicultura familiar no Sul de Minas está ameaçada pela agricultura empresarial. O alerta foi feito pelo president...

13/10/2003 - 19:34
 

Cafeicultura familiar do Sul é ameaçada por grandes empresas

A cafeicultura familiar no Sul de Minas está ameaçada pela agricultura empresarial. O alerta foi feito pelo presidente da Certificadora Sapucaí de Produtos Orgânicos, Sérgio Pedino, durante audiência pública da Comissão Especial da Cafeicultura Mineira, realizada nesta segunda-feira (13/10/2003), em Machado. Segundo Pedino, a cafeicultura praticada em larga escala, com colheita mecanizada e utilização intensiva de insumos importados, pode representar uma ameaça aos pequenos produtores do Sul de Minas, que não têm como competir com o produto de baixo custo das grandes fazendas do cerrado mineiro. "Vejo com preocupação grandes empresas que ocupam áreas de relevo suave e praticam a agricultura mecanizada", disse.

De acordo com Pedino, a produção familiar do Sul de Minas compete em condições desiguais com o café das grandes fazendas de outras regiões do Estado. Isso porque o relevo acidentado encarece a produção, já que a colheita não pode ser mecanizada. Mesmo com as condições adversas, o café do Sul de Minas é considerado de boa qualidade e encontra boa recepção no mercado internacional. É o que atesta Luiz Adalto de Oliveira, presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Poço Fundo. A entidade congrega 75 famílias que produzem café orgânico, com selo de qualidade que garante a exportação do produto para Europa e Japão.

A busca pela qualidade, aliás, foi lembrada por Adalto como forma de enfrentar a concorrência com os grandes produtores. "Como não somos os maiores, temos que ser os melhores", justificou. A opinião foi referendada por Sérgio Pedino. "O momento é de aproveitar a valorização da cafeicultura familiar. No mercado internacional, o consumidor se solidariza com a produção familiar em regiões com dificuldades para mecanizar a colheita", afirmou, completando que, para competir nesse mercado, é preciso assegurar a qualidade necessária para a certificação internacional do produto.

Produtor pede moratória

Gilson Ximenes de Abreu, integrante do Conselho Nacional do Café, concorda que a busca da qualidade é importante, mas acha que somente o perdão da dívida pode ajudar os cafeicultores a enfrentarem a crise. "A situação é desesperadora. Precisamos da ajuda dos deputados para salvar a cafeicultura. Estamos à beira da falência e precisamos de uma moratória de nossas dívidas", declarou. A mesma opinião foi compartilhada por boa parte dos produtores que assistiram à reunião e o aplaudiram de pé.

Os deputados se solidarizaram com a difícil situação dos cafeicultores do Sul de Minas. O deputado Laudelino Augusto (PT), que pediu a realização da reunião, disse que os questionamentos dos produtores serão levados ao vice-presidente da República, José Alencar, em encontro a ser agendado com os membros da comissão.

Já o relator, deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), apresentou dois requerimentos, que foram aprovados pela comissão. Um vai pedir ao Banco do Brasil e ao Ministério da Fazenda mais um alongamento de quatro anos da dívida dos cafeicultores do Sul de Minas. Outro vai pedir ao Banco do Brasil que altere as garantias financeiras dos empréstimos concedidos aos cafeicultores, de modo que a cédula penhoratícia tenha seu valor reduzido à medida em que o produtor amortize o principal da dívida, viabilizando, assim, a concessão de novos empréstimos antes da quitação dos débitos. Os deputados Paulo Piau (PP), Domingos Sávio (PSDB) e José Henrique (PMDB) também manifestaram apoio aos cafeicultores.

Presenças - Participaram da reunião os deputados Paulo Piau (PP), presidente; Laudelino Augusto (PT), vice; Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), relator; José Henrique (PMDB); Domingos Sävio (PSDB) e Sebastião Navarro Vieira (PFL). Também estiveram presentes o presidente da Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil, Ivan Franco Caixeta; o diretor da Bourbon Speciality Coffees, Cristiano Carvalho Ottoni; o presidente da Cooperativa Mineira de Cafeicultores, Breno Pereira Mesquita; o prefeito de Machado, José Miguel de Oliveira; o presidente da Câmara Municipal, Ribamar José da Costa; o ex-deputado Jorge Eduardo de Oliveira; e o diretor da Faemg João Roberto Puliti.

 

 

 

 

 

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