Estado voltará a crescer com planejamento de médio e longo
prazos
A segunda audiência pública sobre o Plano Mineiro
de Desenvolvimento Integrado e Plano Plurianual realizada na
Assembléia Legislativa, nesta quinta-feira (09/10/2003), mostrou um
diagnóstico do Estado, feito por secretários estaduais e técnicos
que participaram de sua elaboração. Diante das indagações sobre a
viabilidade de o Estado voltar a crescer, o governo apresentou
projetos que serão implantados nos próximos quatro anos. Na abertura
da audiência, o presidente da Comissão de Participação Popular da
Assembléia, deputado André Quintão (PT), reiterou o pioneirismo da
audiência, "que pela primeira vez discute o planejamento de médio e
longo prazos do Estado".
O deputado Leonardo Quintão (PMDB), também membro
dessa comissão, falou da importância do apoio do Governo Estadual
aos empresários e produtores mineiros. Para ele, hoje Minas ocupa a
liderança brasileira em setores como o leiteiro, mineral e café,
produzindo bens primários. Com o apoio governamental, esses e outros
produtos poderiam ser industrializados no Estado, o que aumentaria
seu valor agregado e as receitas com exportação.
Planejamento estratégico do Estado está distribuído
em três projetos
O subsecretário de Estado de Planejamento e Gestão,
Tadeu Barreto Guimarães, fez uma explanação geral sobre o
planejamento estratégico de Minas Gerais, que está distribuído em
três projetos: o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI),
o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e o Orçamento. Ele
tratou também da metodologia empregada na elaboração do PMDI e PPAG,
incluindo o diagnóstico da situação atual do Estado e os cenários
exploratórios, que seriam os prognósticos para o futuro do Estado
até o ano de 2020.
Para o representante do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social, responsável constitucionalmente pela
apresentação dos planos, Luiz Aureliano Gama de Andrade, o Estado
está numa encruzilhada e deve responder à seguinte pergunta: "Minas
Gerais é ou não viável?". Mesmo considerando que o PPAG-PMDI faz jus
à tradição mineira dos grandes planos estratégicos (como os de
Juscelino Kubitschek e Gustavo Capanema), ele avalia que não basta o
plano. "É preciso tirá-lo do papel, e essa implementação depende da
máquina pública, que precisa estar saneada e bem capacitada",
concluiu.
Um dos integrantes da mesa diretora da audiência, o
secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Agostinho
Patrús, fez um diagnóstico do setor, antes de tratar da política de
transportes no planejamento estadual. Ele destacou que Minas Gerais
possui a maior malha rodoviária do País, mas não tem recebido
investimentos do Governo Federal, o que foi reforçado por números.
"Enquanto em 1975, 2% do PIB eram aplicados em transportes, em 2002,
foi aplicado apenas 0,15%, gerando gargalos na área: restrição da
capacidade de ferrovias e hidrovias, impedindo o transporte
multimodal de cargas; precárias condições de manutenção das
rodovias, que refletem negativamente nos custos da produção, na
distribuição de mercadorias e nas decisões de localização de novas
empresas.
Ainda segundo Patrús, 224 municípios mineiros,
correspondentes a um quarto do total, ainda não contam com asfalto,
principalmente nas regiões Norte e Vale do Jequitinhonha. Para
atingir o objetivo de modernizar a área de transportes, o governo
pretende prover a infra-estrutura requerida por Minas, com ênfase na
ampliação e recuperação da malha rodoviária. Dentro desse objetivo,
estão cinco dos projetos estruturadores relacionados com a área de
infra-estrutura.
Secretaria de Agricultura quer atuação nova
A "nova Secretaria de Estado da Agricultura" foi o
tema da palestra feita por seu titular, deputado Odelmo Leão
Carneiro Sobrinho. Ele informou que foi formado um grupo de trabalho
com técnicos do Governo, das empresas do Estado do setor, como
Ruralminas, Emater, Ima, e representantes do agronegócio em Minas,
com o objetivo de traçar um perfil do setor em Minas. Segundo Odelmo
Carneiro, os estudos formulados por esse grupo permitiram ao
governador Aécio tomar decisões estratégicas e ainda subsidiar os
trabalhos da Secretaria. Foram realizadas 700 conferências
municipais, mais 18 regionais e uma estadual.
Nas conferências, os produtores e trabalhadores
rurais levantaram as dificuldades do setor como infra-estrutura,
transportes, eletrificação rural e outras. Também como fruto dessas
ações, foi criado o Conselho Estadual de Política Agrícola, para
coordenar a instalação e funcionamento das câmaras setoriais (hoje,
são mais de seis, entre elas a de café e de piscicultura). Ficou
constatado, segundo o secretário, que os principais gargalos estavam
no crédito rural e na agricultura familiar.
Através de parcerias, o Estado, que em 2002,
ofereceu R$ 870 milhões em recursos para o crédito agrícola, em
2003, aumentou esse volume para R$ 2,1 bilhões. Na agricultura
familiar, o atendimento foi ampliado de 73 mil famílias em 2002 para
200 mil em 2003. Outra ação governamental é a parceria com
universidades, responsáveis por pesquisas no agronegócio, e
empresas, que viabilizam financeiramente negócios no campo.
Ele citou como exemplo de parcerias com empresas, a
produção do milho em que foi firmado um convênio onde a empresa
garante a compra da produção dos agricultores e o governo, o preço
mínimo para o produto. O governo Aécio, segundo o secretário, tem
utilizado também a redução do ICMS para produtos agrícolas e
pecuários, como o trigo, o algodão e o leite. Isso já vem
apresentando resultados, de acordo com Odelmo, como o aumento da
produção, dos ganhos dos produtores e a redução nos preços.
Secretário defende planejamento integrado
O subsecretário de Indústria, Comércio e Serviços,
Marco Antônio Rodrigues da Cunha, destacou o planejamento do
desenvolvimento integrado do Estado. "Minas Gerais voltou a
planejar. Já fizemos o diagnóstico e temos hoje conhecimentos
específicos sobre nossa realidade econômica. Isso vai permitir levar
o desenvolvimento econômico aos mais longínquos recantos do Estado",
garantiu. Ele falou do potencial de crescimento do Estado, que tem
posição geográfica privilegiada. "Num raio de 800 quilômetros ao
redor do centro do triângulo formado por São Paulo, Belo Horizonte e
Rio de Janeiro, concentram-se 48% da população brasileira e 50% do
PIB nacional", disse.
Além disso, segundo o subsecretário, Minas conta
com boa infra-estrutura para atrair investimentos. O Estado tem a
maior malha rodoviária do país e possui 17% da capacidade de geração
de energia elétrica nacional. Todo esse potencial, de acordo com
ele, vem sendo subaproveitado. Prova disso é que Minas, com 10% da
população brasileira, detém apenas 7,8% do PIB nacional. Para
reverter essa situação e tirar proveito do potencial do Estado,
Marco Antônio Cunha defende que é preciso agregar maior valor aos
produtos mineiros. Segundo ele, dos 10 principais produtos da pauta
de exportações do Estado, nove são os considerados "românticos", ou
seja, produtos primários, de baixo valor agregado. "Temos que buscar
mais eficiência e qualidade, para que o nosso produto final seja
competitivo", afirmou.
Turismo e geração de renda
O secretário de Estado de Turismo, Aracely de
Paula, defendeu o turismo como fator de geração de renda para o
Estado. O principal projeto de sua secretaria, a estruturação do
circuito turístico da Estrada Real, foi definido por ele como
referência para o turismo mineiro nos próximos anos. Aracely cobrou
maior empenho dos empresários no fortalecimento do turismo e
defendeu parcerias com universidades e empresas para viabilizar a
implantação dos projetos de governo. Outros projetos de sua
secretaria são o incremento do turismo de negócios em Belo
Horizonte, com a conclusão do centro de convenções da Gameleira, e a
exploração do turismo rural e ecológico.
Modernização da gestão ambiental
Já o representante da Secretaria de Estado de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ilmar Bastos Santos,
presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), enfatizou a
necessidade de modernização da política de gestão ambiental. O PMDI
contempla dois grandes projetos na área ambiental, e um deles é a
revitalização do Rio São Francisco. Os objetivos são garantir a
sustentabilidade da bacia, aumentar a oferta de água do rio e
melhorar a qualidade de vida das populações ribeirinhas. "O governo
federal discute a transposição do rio, mas a posição do governo de
Minas é revitalizar primeiro, para depois fazer a transposição",
explicou.
Outro projeto ambiental contemplado no PMDI é a
modernização das políticas de gestão. Ele defendeu maior agilidade
dos processos de licenciamento ambiental, que passam por três órgãos
de fiscalização e podem levar até dois anos para serem concluídos.
Para dar maior agilidade a esses processos, a secretaria criou em
agosto o guichê único, integrado pelos três órgãos de licenciamento.
Ilmar defendeu também a unificação dos bancos de dados dos órgãos de
fiscalização, a revisão da legislação, a integração entre todas as
secretarias de Estado e a descentralização da gestão ambiental, que
começa a ser implementada nesse mês, com a inauguração do primeiro
núcleo do Copam em Uberlândia. O objetivo é tornar mais ágil a
liberação dos processos de licenciamento ambiental, que passará a
ser feito tendo em vista as particularidades de cada região do
Estado. A Secretaria pretende implantar outros seis núcleos como
esse no interior.
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