Centro de Convenções pode salvar hotelaria em BH

As obras do Centro de Convenções George Norman Kutova, na Gameleira, estão em ritmo acelerado, e a previsão de conclu...

08/10/2003 - 18:38
 

Centro de Convenções pode salvar hotelaria em BH

As obras do Centro de Convenções George Norman Kutova, na Gameleira, estão em ritmo acelerado, e a previsão de conclusão é para setembro de 2004. A informação é do secretário adjunto de Turismo, Roberto Fagundes, que prevê a fim da crise da hotelaria na capital mineira tão logo Belo Horizonte se consolide como pólo do turismo de convenções. O presidente da Belotur, Manoel Costa, identifica inúmeros pontos positivos na cidade para tomar a dianteira nacional nesse lucrativo ramo do turismo, como sua posição geográfica privilegiada, facilidade de acesso, rede hoteleira bem distribuída e inúmeras opções de lazer e diversão.

A crise da hotelaria mineira foi debatida por autoridades, deputados e representantes do setor turístico na reunião da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio desta quarta-feira (8/10/2003) na Assembléia. O secretário Roberto Fagundes relatou que a hotelaria na Capital esteve estagnada durante muitos anos, e só em 1989 foi inaugurado o primeiro apart-hotel. No entanto, nos últimos 14 anos, houve um "boom" desses empreendimentos, com 30 novos prédios surgindo só na região da Savassi. Fagundes observou, todavia, que o público não aumentou. "O queijo é o mesmo, mas as fatias ficaram menores", explicou. Cinco hotéis chegaram a fechar as portas.

Paulo César Pedrosa, presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte, acredita que "é hora dos hotéis pararem com a choradeira e de pôr a culpa na concorrência dos flats, admitindo que esses estão muito melhor equipados e atendem a uma nova tendência do mercado de hotelaria". Para ele, a crise é de má gestão, e só atinge os pequenos. Os cinco estrelas não enfrentariam crise. No entanto, apontou os altos preços das passagens aéreas e o ISS de 5% cobrado pela Prefeitura como fatores adversos. Pedrosa disse também que, a curto prazo, só o turismo combate o desemprego.

Taxa de ocupação é inferior a 40%

Raimundo Lage, da Associação Brasileira das Agências de Viagem, considera que uma taxa de ocupação abaixo de 40% é desastrosa para o empreendimento. Sugeriu a criação de tarifas de final de semana e tarifas para idosos como atrativo. Lamenta que os vôos internacionais de passageiros de Confins, que eram 14 por semana, hoje se reduzem a um vôo para Miami.

Gargalo - Manoel Costa, da Belotur, propôs uma pesquisa quantitativa com os turistas em 90 hotéis da Capital, para traçar seu perfil, seu fluxo e média de permanência e criar políticas consistentes. Ele percebe que a questão do transporte é um dos gargalos do turismo. "Precisamos de uma política mais agressiva com o Departamento de Aviação Civil, porque os vôos de negócios para cá vêm de manhã e regressam à tarde. O executivo não pernoita mais em Belo Horizonte", disse ele.

Fiat - A Belotur está abrindo novas frentes turísticas, como a dos eventos esportivos, e também a do turismo dos funcionários públicos. "Belo Horizonte tem 40 mil funcionários, Buenos Aires tem 120 mil e Montevidéu 70 mil. Estamos querendo fazer um intercâmbio com essas prefeituras". Outra iniciativa da Belotur é trazer italianos para conhecerem a maior fábrica da Fiat fora da Itália, e não só a fábrica, mas um pacote completo de atrativos no entorno.

Cuba - O deputado Biel Rocha (PT) fez um relato sobre o êxito do turismo em Cuba, que não estaria afetado pela crise econômica da ilha. Em 1990, segundo o deputado, Cuba recebia 340 mil turistas por ano. Hoje o número é de 1,8 milhão. Tinha 13 mil acomodações. Hoje são 40 mil, e os hotéis, que eram 17 em Havana, hoje são 102, principalmente da rede espanhola Melià. "Das camareiras aos motoristas de táxi, os cubanos estão sendo treinados como agentes turísticos", afirma o deputado petista, que destacou também um êxito do turismo em Juiz de Fora. "O evento Miss Gay lota todos os hotéis da cidade", assegurou.

Estatística - O deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), autor do requerimento que originou a reunião, debateu com os convidados a oportunidade de apresentar um projeto de lei semelhante a um que tramita na Assembléia de São Paulo, criando um sistema ágil de estatística imediata do turismo, capaz de orientar políticas públicas. O presidente da comissão, deputado Paulo César (PFL), informou ao presidente da Belotur que iria debater dentro da Assembléia sua sugestão de desmembramento da comissão em duas, uma de Turismo, e outra de Indústria e Comércio.

Durante a reunião foram aprovados ainda quatro requerimentos que dispensam a apreciação do Plenário.

Presenças - Participaram da reunião os deputados Paulo César (PFL), presidente; Maria Olívia (PSDB), vice; Biel Rocha (PT), e Dalmo Ribeiro Silva (PSDB).

 

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