Assembléia cobra da Cemig solução para falta de energia em Monte
Sião
A Comissão de Defesa do Consumidor e do
Contribuinte vai cobrar da Cemig e do governo estadual a melhoria
imediata no oferecimento de energia elétrica ao município de Monte
Sião, no Sul de Minas. Há anos tentando, em vão, resolver o problema
das constantes interrupções de energia, que causam prejuízos às 2,3
mil malharias da cidade, empresários e políticos do município
participaram de reunião realizada pela comissão nesta quarta-feira
(8/10/2003), com a presença também da companhia energética. "Várias
ações já estão sendo ajuizadas por perdas e danos. Alguns
empresários estão à beira da falência", disse o deputado Dalmo
Ribeiro Silva (PSDB), autor do requerimento que originou a reunião.
Segundo Dalmo Ribeiro Silva, além da mobilização em
nível estadual, o Ministério Público também poderá ser acionado para
resolver o problema emergencialmente. A construção de uma nova linha
para Monte Sião, com previsão de entrega em 2006, conforme anunciou
o superintendente Regional de Distribuição Leste da Cemig, Nelson
Fonseca Leite, não satisfez os participantes da audiência. "Ao que
parece, a proposta continua sujeita a mudanças econômicas e
políticas. Inúmeras promessas já foram feitas", afirmou Dalmo
Ribeiro.
Índices - Atualmente, três
linhas de distribuição servem a Monte Sião: uma subestação de
Jacutinga, que atende à área rural, e duas de Ouro Fino, sendo que
apenas uma delas alimenta o núcleo urbano. Segundo o superintendente
Regional da Cemig, o tempo médio que cada consumidor fica sem
energia (chamado índice de confiabilidade) e a freqüência de
interrupção por ano, para cada consumidor, vêm abaixando nos últimos
três anos. "Em 2001, os índices foram piores porque os condutores
dos circuitos de Ouro Fino foram trocados".
Já os recursos aplicados em manutenção, nesse
período, cresceram de R$ 82 mil, em todo o ano de 2001, para, nos
primeiros meses de 2003, R$ 67 mil, além dos R$ 80 mil previstos
para a rede de baixa tensão. Ainda serão investidos R$ 360 mil em
equipamentos, como reguladores e capacitores, nos próximos três
meses. Nelson Fonseca Leite informou que a peça orçamentária da
Cemig, que está sendo elaborada, vai prever a construção de uma nova
subestação para Monte Sião para 2006. No próximo ano, começariam os
primeiros passos do projeto, como escolha do terreno.
Empresários cobram investimento igual ao
consumo
Segundo o empresário José Ayrton Labegalini, os
números apresentados pela Cemig impressionam e estão de acordo com
as necessidades da Aneel, mas não do parque industrial da cidade.
"Se a única linha que nos abastece de fato pifar, ficamos no escuro.
A Cemig deveria comparar o quanto investe e o quanto arrecada na
cidade", afirmou. "Quando falta energia, o consumidor residencial
arruma facilmente o rádio-relógio e o microondas. Mas e as mil
máquinas importadas da cidade, que custam em média U$ 70 mil cada?",
criticou.
Para o presidente da Associação Comercial e
Industrial de Monte Sião, João Tadeu Dorta Machado, o prejuízo
poderia ser diminuído se as interrupções programadas de energia
fossem informadas com maior antecedência, em horários compatíveis
com as necessidades das indústrias. As dificuldades com as
seguradoras, que estão aumentando o valor das apólices devido aos
constantes estragos de equipamentos, são outro problema apontado
pelos empresários. "Há tempos cobramos uma posição concreta da
Cemig, que sempre deixa claro que o problema não seria resolvido de
forma definitiva. Como ficam os prejuízos intermináveis da cidade?",
questionou o prefeito de Monte Sião, Mário Márcio Zucato.
Cemig reconhece problemas
Após ouvir as reivindicações dos participantes da
reunião, o superintende Regional da Cemig afirmou que a companhia
está empenhada em resolver os problemas, mas que todas as ações
devem estar dentro das possibilidades orçamentárias. Ele confirmou
que o consumo de energia em Monte Sião é comparável ao de Belo
Horizonte. "Os indicadores não são piores nem melhores que de outras
cidades. O problema é que Monte Sião tem cargas sofisticadas",
analisou. Nelson Fonseca Leite disse que recebeu uma informação
recente de que o problema naquele município poderia ser causado pela
falta de ligação das malhas de terras das indústrias à central
energética. Segundo ele, também é preciso verificar os mergulhos de
tensão da região.
"É preciso paciência. A Cemig está se
reestruturando para melhorar os serviços", reforçou o
superintendente regional. Ele afirmou ainda que a companhia vai
fazer uma visita técnica à cidade nos próximos dias 15, 16 e 17,
para conhecer melhor a realidade do parque industrial de Monte Sião,
atendendo a pedidos dos empresários.
Emergência - Para a
deputada Maria Tereza Lara (PT), é preciso uma ação emergencial para
evitar que as empresas acabem saindo da cidade e gerando desemprego.
"Se for preciso, vamos ao Ministério das Minas e Energia", disse.
"Essa reunião precisa ter um desdobramento concreto. Pelo Código de
Defesa do Consumidor, a energia é um serviço que não pode faltar",
destacou a presidente da comissão, deputada Lúcia Pacífico (PTB). A
deputada Vanessa Lucas (PSDB) também expressou sua preocupação com
as conseqüências da crise para os trabalhadores da região.
Presenças - Participaram
da reunião as deputadas Lúcia Pacífico (PTB), presidente da
comissão, Vanessa Lucas (PSDB) e Maria Tereza Lara (PT) e o deputado
Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), além dos seguintes convidados: Nelson
Fonseca Leite, superintendente Regional de Distribuição Leste da
Cemig; Mário Márcio Zucato, prefeito de Monte Sião; João Tadeu Dorta
Machado, presidente da Associação Comercial e Industrial de Monte
Sião; José Ayrton Labegalini, empresário; José Rafael de Castro
Ribeiro, vereador; e Pedro Gazolla, respectivamente, superintendente
de Relacionamento com o Poder Público da Cemig e gerente de
Relacionamento Comercial da Cemig de Varginha.
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