Projeto quer incentivar uso de sacolas recicláveis no comércio

O comércio varejista poderá ser obrigado a oferecer sacos e sacolas de material reciclável para o consumidor guardar ...

01/10/2003 - 15:51
 

Projeto quer incentivar uso de sacolas recicláveis no comércio

O comércio varejista poderá ser obrigado a oferecer sacos e sacolas de material reciclável para o consumidor guardar as mercadorias compradas, sob pena de receber advertência ou multa por parte do Estado. É o que determina o Projeto de Lei (PL) 779/2003, do deputado Leonardo Moreira (PL), que recebeu, nesta quarta-feira (1º/10/2003), parecer pela aprovação em 1º turno, em reunião da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte. A relatora, deputada Maria Tereza Lara (PT), lembrou, no parecer, que o poder público já exige algumas normas físico-químicas para a produção de sacolas de todo tipo (recicláveis ou não, biodegradáveis ou não), e pode restringir determinados usos, conforme permite a Constituição Federal. No parecer, a deputada apresentou cinco emendas.

A emenda nº 1 melhora a redação do artigo 1º, que determina que sacos e sacolas fornecidos no varejo devem ser de material reciclável ou biodegradável. A emenda nº 2 suprime o artigo 2º, que faculta ao consumidor optar pelo uso das sacolas comercializadas, proibindo o fornecimento gratuito desse produto. Segundo o parecer, ao Estado cabe apenas assegurar a liberdade contratual entre consumidor e comerciante, e não interferir nessa relação. A emenda nº 3 suprime o artigo 3º, que cria uma taxa pela reciclagem das embalagens. Segundo o parecer, essa taxa não tem fundamento na Constituição, que estabelece que as taxas só podem ser criadas "em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição".

A emenda nº 4 suprime os incisos III e IV do artigo 4º, que prevê penas de suspensão de atividades e perda de licença para funcionamento, respetivamente. De acordo com o parecer, nenhuma das penas é pertinente, já que esse controle é privativo do município. Assim, ficariam válidas apenas advertência e multa para os infratores. Como o artigo 5º se relaciona ao item anterior, por condicionar a licença ambiental às regras proposta pelo projeto, ele é suprimido pela emenda nº 5.

Tramitação - O PL 779/2003 que não recebeu parecer da Comissão de Constituição e Justiça devido à perda de prazo. A proposta será analisada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, ainda em 1º turno, antes de estar pronta para discussão e votação em Plenário.

Falta de energia em Monte Sião será debatida

A Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte vai realizar, no próximo dia 8, audiência pública para debater as constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica, pela Cemig, no município de Monte Sião, no Sul de Minas. "A cidade é pólo têxtil, mas as 1.385 indústrias locais têm tido prejuízos incalculáveis e estão paralisando as atividades com medo de as máquinas estragarem", afirmou o deputado Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), autor do requerimento pedindo a reunião. Segundo ele, várias reclamações já foram feitas à Cemig, nos últimos dois anos, mas o problema não é resolvido.

Habitação - Outro requerimento aprovado, apresentado pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB), pede realização de audiência para debater os problemas das políticas públicas de habitação no Estado. Serão convidados representantes da Cohab/MG, da Caixa Econômica Federal, do Procon Estadual e da Associação Brasileira dos Mutuários de Habitação/MG, a requerimento da deputada Lúcia Pacífico (PTB), presidente da comissão. Ela sugeriu que a associação participasse no lugar no Procon Assembléia, uma vez que o Procon Estadual já estará representado.

Grupo de trabalho - Foram aprovados dois requerimentos da deputada Maria Tereza Lara (PT). O primeiro é para a realização de uma reunião conjunta entre as Comissões de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, Comissões de Participação Popular e do Trabalho, da Previdência e da Ação Social, para discutir a criação de um grupo de trabalho formado por elas e por representantes de organizações ligadas à economia popular solidária, para elaborar propostas de políticas para o assunto. No segundo requerimento, a deputada pede à Comissão de Defesa do Consumidor que solicite à presidência da Assembléia a criação desse grupo.

Projeto que cria taxas será discutido pela comissão

O deputado Antônio Júlio (PMDB) também apresentou dois requerimentos, aprovados, a respeito da tramitação de projetos enviados pelo governador visando à reforma tributária no Estado. No primeiro, ele pede o apoio da comissão a requerimentos que ele apresentará, em Plenário, para que os projetos sejam analisados pela comissão. No outro requerimento, o deputado solicita a realização de audiência pública para debater uma dessas proposições, o Projeto de Lei (PL) 1.078/2003, que cria taxa a de incêndio.

O deputado fez críticas ao PL 1.078, considerando-o maléfico ao Estado e oneroso para o contribuinte, e afirmou que seu objetivo, ao debater a questão, não é fazer oposição, mas sim buscar o aperfeiçoamento dos projetos. "Esta é a comissão mais indicada para analisar o mérito da reforma. O Estado é o maior cliente do setor bancário, que cobra o que quer", disse. A crítica foi endossada pelo deputado Irani Barbosa (PL) que defendeu a concorrência pública para os serviços bancários prestados para o Estado. Os deputados Dalmo Ribeiro Silva, Maria Tereza Lara e Adalclever Lopes (PMDB) concordaram que a discussão dos projetos da reforma será mais aprofundada se passarem pela Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte.

Durante a reunião, o deputado Antônio Júlio também expressou seu descontentamento com as negativas ao pedidos de vista apresentados por autores de projetos. "O papel do parlamentar é questionar, analisar e usar os instrumentos legais a que tem direito", disse. Ele afirmou que entregou um documento ao presidente da Casa, deputado Mauri Torres (PSDB), solicitando que os critérios sejam revistos. O deputado Dalmo Ribeiro Silva defendeu a valorização do diálogo como forma de aprimoramento dos projetos que tramitam na Casa.

Presenças - Participaram da reunião os deputados Lúcia Pacífico (PTB), presidente, Vanessa Lucas (PSDB), Antônio Júlio (PMDB), Irani Barbosa (PL), Maria Tereza Lara (PT), Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) e Adalclever Lopes (PMDB).

 

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