Contas do Estado de 2002 recebem parecer favorável
A prestação de contas do Estado referente ao ano de
2002 recebeu parecer pela aprovação da Comissão de Fiscalização
Financeira e Orçamentária da Assembléia Legislativa de Minas, sendo
o parecer aprovado nesta quarta-feira (1º/10/2003). A Mensagem
43/2003, que encaminhou o balanço geral daquele ano, teve como
relator o deputado Sebastião Helvécio (PDT). Os deputados Jayro
Lessa (PL) e Chico Simões (PT) registraram seus votos contrários à
aprovação do parecer. Os parlamentares que se posicionaram a favor
foram Ermano Batista (PSDB), Mauro Lobo (PSB), Doutor Viana (PFL) e
José Henrique (PMDB).
Em sua declaração de voto, o deputado Jayro Lessa
explicou que não se trata de votar sistematicamente contra o
ex-governador Itamar Franco. Ele afirmou que o Legislativo precisa
cumprir sua obrigação de exigir que as leis sejam respeitadas. O
deputado Chico Simões também cobrou o cumprimento do que determina a
Constituição do Estado.
Já o deputado Doutor Viana, que na reunião anterior
havia pedido vista do parecer, atestou que não houve má-fé na
execução orçamentária de 2002 e que, por isso, optou por votar
favoravelmente ao relatório do deputado Sebastião Helvécio. O
presidente da comissão, deputado Ermano Batista, disse que o
Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCMG) mostrou que os erros
detectados na execução do Orçamento foram de ordem técnica, não
havendo registro de apropriação indébita dos recursos por quem quer
que seja.
A prestação de contas do próprio TCMG referente ao
ano de 2002 também recebeu parecer favorável da comissão. O relator
da matéria, deputado Mauro Lobo (PSB), disse que não verificou
irregularidades no relatório apresentado pelo órgão, e que não há
como analisar qualitativamente o aumento das despesas em relação a
1999. Esse parecer também foi aprovado.
Reforma tributária - Antes
do início da reunião, os deputados Sebastião Helvécio e Mauro Lobo
solidarizaram-se com a manifestação do senador e ex-governador
Eduardo Azeredo, que enviou uma correspondência à comissão
questionando a reforma tributária proposta pelo governo federal,
principalmente no que diz respeito à legislação sobre o ICMS. De
acordo com os parlamentares, o Poder Legislativo Estadual vai perder
a prerrogativa de legislar sobre o imposto, concentrando ainda mais
o poder nas mãos da União.
Sebastião Helvécio pediu que o deputado Ermano
Batista lidere um movimento parlamentar para que seja mantida a
legislação sobre o ICMS pelos seus respectivos Estados. O presidente
da comissão acatou a sugestão e vai enviar uma correspondência nesse
sentido aos presidentes das Comissões de Fiscalização Financeira e
Orçamentária de todas as Assembléias Legislativas do País.
Virgílio Guimarães falará sobre reforma tributária
e guerra fiscal
A reforma tributária e a guerra fiscal também foram
objeto de requerimento do deputado Rogério Correia (PT), aprovado.
Ficou definido que o relator da Reforma Tributária na Câmara dos
Deputados, deputado federal Virgílio Guimarães (PT/MG), falará à
comissão na próxima quinta-feira (9). Ele abordará, em reunião
marcada para as 15 horas, os efeitos da reforma do governo federal
em Minas, além das repercussões da guerra fiscal. A audiência
pública terá ainda os seguintes convidados, além da presença
confirmada de Virgílio Guimarães: secretário de Estado de
Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer; presidente do Sindifisco,
Antônio de Pádua; presidente da Fiemg, Robson Andrade; e um
representante da Casa dos Economistas.
Projetos dos tributos - O
deputado José Henrique (PMDB) foi designado, pelo presidente,
relator de requerimento do deputado Chico Simões (PT) que trata dos
projetos sobre tributos, encaminhados recentemente à Alemg pelo
governo do Estado. O parlamentar convida o secretário de Estado da
Fazenda, Fuad Noman Filho, a prestar esclarecimentos sobre os seis
projetos, além do presidente do Sindifisco, Antônio de Pádua, e do
presidente da OAB/MG, Marcelo Leonardo.
Solicita, entre outras, as seguintes informações do
governo: impacto da redução de 2% para 1% do IPVA e redução em 50%
da Taxa de Renovação e Licenciamento Anual para veículos destinados
exclusivamente à locação; mecanismo de controle e fiscalização a ser
adotado para identificação das empresas que atuam no ramo de locação
e aqueles que têm o objetivo de locação apenas em seus contratos
sociais; impacto da elevação das alíquotas do ITCD em até 300% para
as menores faixas de bens e direitos transmitidos e redução da
alíquota para a faixa superior; e impacto da redução do ICMS de 18%
para 12% sobre operações realizadas com óleo diesel e informações
quanto à variação do volume de vendas do produto em Minas.
Está pronto para o Plenário projeto que trata da
destinação dos lucros da Loteria
Está pronto para ser discutido e votado em 1º
turno, pelo Plenário, o Projeto de Lei (PL) 150/2003, do deputado
Carlos Pimenta (PDT), que dispõe sobre fabricação de medicamentos
genéricos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Relatado pelo
deputado Sebastião Helvécio (PDT), o projeto recebeu parecer pela
aprovação na forma do substitutivo nº 1, da Comissão de Constituição
e Justiça, com a subemenda nº 1 à emenda nº 1, da Comissão de Saúde,
e com a emenda nº 2, apresentada. O parecer foi aprovado, com voto
contrário da deputada Marília Campos (PT).
A subemenda nº 1 determina que a renda líquida dos
concursos de prognósticos explorados pela Loteria do Estado terá a
seguinte destinação: 20% para o Fundo Estadual de Assistência Social
(Feas); 20% para o Fundo para a Infância e Adolescência (Fia): 25%
para a Funed, a ser utilizado na aquisição de matéria-prima para a
fabricação, pela instituição, de medicamentos genéricos e de uso
continuado necessários às atividades de órgãos estaduais,
instituições públicas, autarquias e outras, bem como para o
atendimento a estabelecimentos particulares, até que a atividade se
torne auto-sustentável; 25% para a Fundação Hospitalar do Estado de
Minas Gerais (Fhemig); 5% para o Fundo Estadual de Promoção dos
Direitos Humanos; 5% para o Fundo Estadual de Recuperação do
Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico (Funpat).
A emenda nº 2 determina que a Loteria publicará, no
órgão oficial do Estado, o resultado, as memórias de cálculo da
apuração mensal da renda líquida e o valor destinado a cada
beneficiário, até o final do mês subsequente ao da apuração.
Debate - Para a deputada
Marília Campos, o parecer da Fiscalização Financeira, apesar de
promover avanços em relação ao quadro atual, falha quando destina
recursos para órgãos de governo (Funed e Fhemig) e não para o Fundo
Estadual de Saúde. Ela teme que essa verba, sem destinação
específica, na sua opinião, seja usada até para custeio da máquina
administrativa. Para a deputada, é preciso valorizar o papel dos
conselhos, bem como dos fundos a eles vinculados.
O relator, deputado Sebastião Helvécio (PDT),
ponderou que há destinação de recursos também para fundos, mas
lembrou os objetivos originais do projeto de fomentar a produção de
medicamentos genéricos para pacientes crônicos, como hipertensos e
diabéticos (caso da Funed), e de melhorar o desempenho da saúde e o
atendimento de emergências médicas (caso da Fhemig). Já o deputado
Doutor Viana (PFL) afirmou que é positiva a destinação do lucro da
Loteria às causas sociais, bem como o investimento em medicamentos
essenciais, de uso continuado.
Estudo - A deputada
Marília Campos também colocou à disposição da Comissão de
Fiscalização Financeira relatório solicitado à Consultoria da Casa
sobre a aplicação de recursos da Loteria Mineira, nos anos de 1999 a
2002. A parlamentar indagou sobre o fato de que verbas teriam sido
destinadas a, por exemplo, prefeituras e entidades cuja finalidade
filantrópica ela também questionou.
Renovação automática de sistema do ICMS para
produtor rural
Outro projeto que está pronto para ser apreciado
pelo Plenário, em 1º turno, é o PL 873/2003, do deputado Bonifácio
Mourão (PSDB), que estabelece a renovação automática da opção pela
apuração do ICMS pelo sistema normal, nas operações com leite e
derivados, ficando reduzido o valor do imposto a recolher, salvo
manifestação expressa em contrário do produtor rural interessado. O
relator, deputado José Henrique (PMDB), afirmou que a proposição
simplifica procedimentos entre indústria e produtor rural e não
acarreta perda de receita para o Estado.
Segundo o autor da matéria, periodicamente o
produtor que pretende usufruir os benefícios da lei é obrigado a
renovar sua opção junto ao órgão fazendário do município ou à
indústria. Esse encargo sacrificaria as indústrias, que se vêem
obrigadas a manter contato com os produtores, o que gera entraves e
despesas desnecessárias. A inclusão de dispositivo na lei que
faculte ao produtor rural a opção de não permanecer vinculado ao
regime tributário proposto irá desonerar tanto o produtor quanto a
indústria, alega o autor.
Outros projetos apreciados
A comissão aprovou ainda pareceres favoráveis sobre
os seguintes projetos, todos do governador:
* PLs 836/2003, 837/2003 e 839/2003, que autorizam
o Executivo a doar a Lima Duarte imóveis que especificam. Os
relatores foram, respectivamente, os deputados José Henrique (PMDB),
Mauro Lobo (PSB) e Chico Simões (PT).
* PL 838/2003, que autoriza o Executivo a reverter
a Pouso Alegre imóvel que especifica. O relator foi o deputado Jayro
Lessa (PL).
* PL 840/2003, que autoriza o Executivo a doar à
Fundação Helena Antipoff imóvel que especifica. O relator foi o
deputado Ermano Batista (PSDB).
* PL 935/2003, que autoriza o Executivo a permutar
com José Piau de Souza Filho os imóveis que especifica. O relator
foi o deputado Doutor Viana (PFL).
Pedido de vista - A Presidência concedeu ao
deputado José Henrique (PMDB) vista do parecer sobre o PL 429/2003,
do deputado Sebastião Navarro Vieira (PFL), que altera dispositivo
da Lei 13.166, de 1999, que dispõe sobre o pagamento, pelo Estado,
de honorários a advogado não defensor público nomeado para defender
réu pobre. O pedido de vista é feito quando o deputado quer mais
prazo para analisar o parecer. O relator da matéria, deputado
Sebastião Helvécio (PDT), opinou por sua aprovação na forma
proposta. O projeto permite que os recursos devidos pelo Estado ao
advogado que não seja defensor público, detentor de certidão com
eficácia de título executivo, possam ser compensados quando do
pagamento do Imposto de Transmissão Causa Mortis (ITCD) e de custas
processuais.
Visita - O deputado Jayro
Lessa (PL) também fez um relato sobre visita ao secretário Wilson
Brumer, feita por ele e pelos deputados José Henrique (PMDB), Doutor
Viana (PFL) e Chico Simões (PT). Eles conversaram com o secretário
sobre a possibilidade de transferência da Gerdau de Contagem para o
Rio Grande do Sul, levantada em reunião anterior pelo deputado José
Milton (PL). O secretário informou que a mudança tem o objetivo de
sanar prejuízos fiscais do grupo, mas que o que poderá ocorrer é tão
somente o esvaziamento de uma diretoria em Minas. Ficou definido que
a comissão encaminhará correspondência ao grupo sobre o assunto.
Aprovado, ainda, requerimento que dispensa a
apreciação do Plenário.
Presenças - Participaram
da reunião os deputados Ermano Batista (PSDB), presidente; Jayro
Lessa (PL), vice; Chico Simões (PT), Doutor Viana (PFL), José
Henrique (PMDB), Mauro Lobo (PSB), Sebastião Helvécio (PDT), Marília
Campos (PT) e Adalclever Lopes (PMDB).
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