Projeto sobre taxa de incêndio tem relator designado em
Comissão
O Projeto de Lei (PL) 1.078/2003, uma das seis
proposições sobre tributos encaminhadas pelo governador à
Assembléia, na última semana, foi oficialmente recebido na Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), na reunião extraordinária desta
terça-feira (23/9/2003). O projeto, que tramita em regime de
urgência, será relatado pelo deputado Leonídio Bouças (PTB) e cria a
Taxa de Serviço Potencial de Extinção de Incêndio, a ser cobrada nos
32 municípios onde o Corpo de Bombeiros mantém unidades, e determina
que a Polícia Militar de Minas Gerais passe a cobrar pelo
fornecimento, por exemplo, de informações estatísticas constantes de
seu banco de dados.
A Comissão de Constituição e Justiça tem cinco dias
para apreciar o projeto, que depois será examinado na Comissão de
Fiscalização Financeira e Orçamentária, antes de ser discutido e
votado pelo Plenário em 1º turno. A reunião ordinária da CCJ está
marcada para quinta (25), às 9h30.
Foram aprovados pareceres pela constitucionalidade,
legalidade e juridicidade dos seguintes projetos, todos em 1º
turno:
* PL 651/2003, do deputado
Biel Rocha (PT), que obriga a implantação do Programa de Redução de
Resíduos. No parecer, o deputado Gilberto Abramo (PMDB) apresentou o
substitutivo nº 1, que condiciona a realização de empreendimento
público ou privado degradador ou potencialmente poluidor do meio
ambiente à implementação de programa de redução de resíduos. As
metas de redução serão estabelecidas pelo órgão governamental
competente com base em estudos técnicos, levando em consideração
alternativas tecnológicas, características de cada empreendimento e
viabilidade de sua implementação. A critério do órgão competente,
empreendimento de pequeno porte e com baixo potencial poluidor
poderá ser dispensado das exigências. Já o responsável pelo
empreendimento encaminhará relatório de resultados. O infrator
estará sujeito a multa, mediante processo administrativo. A futura
lei será regulamentada em 180 dias.
* PL 829/2003, do deputado
Antônio Júlio (PMDB), que torna obrigatório o oferecimento de
cardápios em braile nos restaurantes e bares do Estado. O relator
foi o deputado Leonardo Moreira (PL). O projeto determina a
regulamentação da futura lei em 60 dias.
* PL 871/2003, do deputado
Weliton Prado (PT), que institui a Política Estadual de
Descentralização de Emissão de Carteira de Identidade - "Identidade
na Escola". Relatado pelo deputado Leonardo Moreira, o projeto
recebeu o substitutivo nº 1. Esse substitutivo cria a política
estadual de descentralização de emissão de carteira de identidade,
cujo objetivo é facilitar a expedição de carteira ao estudante
regularmente matriculado na rede estadual ou municipal de ensino.
Ele determina que o Estado assegurará ao estudante o acesso
facilitado à expedição da carteira de identidade, preferencialmente
nos estabelecimentos de ensino.
* PL 962/2003, do deputado
Weliton Prado, que acrescenta dispositivo à Lei 12.227/96, que cria
o Fundo de Assistência Social (Feas), determinando que os recursos
desse fundo sejam aplicados, preferencialmente, nos municípios ou
regiões que registrem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de até
0,5. O relator também foi o deputado Leonardo Moreira. Na
justificativa para apresentar a matéria, o autor explica que o IDH,
índice de aferição do desenvolvimento de países e regiões, varia de
0 a 1, sendo 0,5 considerado baixo. Minas possui 195 cidades com
índice de até 0,5. Há tempos, o IDH é utilizado pela Organização das
Nações Unidas (ONU), constituindo-se num índice sintético elaborado
pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), sendo
composto por indicadores de três áreas: saúde, educação e renda.
Adiada análise de projeto sobre meia entrada para
estudantes
Foi adiada a análise do PL 18/2003, do deputado
Weliton Prado, que institui a cobrança de meia entrada em
estabelecimentos culturais, de lazer e esportivos no Estado (estende
o benefício a jovens não estudantes de até 18 anos). O autor da
proposição pediu vista do parecer do deputado Leonardo Moreira, ou
seja, solicitou mais prazo para analisá-lo. Weliton Prado se
comprometeu a retirar requerimento que apresentaria em Plenário,
pedindo que o PL fosse remetido à comissão seguinte, já que o prazo
da CCJ está esgotado. O relator apresentou o substitutivo nº 1, que
promove algumas alterações, entre elas esclarece que o projeto
altera a Lei 11.052/93.
O deputado Weliton Prado também pediu prazo, mas na
condição de relator, para apresentar o parecer sobre o PL 667/2003,
que dispõe sobre a criação do pólo de desenvolvimento de
fruticultura na região do Triângulo Mineiro. Ele informou ao
presidente da Comissão, deputado Bonifácio Mourão (PSDB), que o
autor do projeto, deputado Ricardo Duarte (PT), iria retirar do
Plenário requerimento que solicitava o envio do projeto à comissão
seguinte pelo fim do prazo da CCJ para apresentar parecer.
Polêmica sobre pedido de vista marca
reunião
A análise do PL 865/2003, do deputado Gil Pereira
(PP), gerou polêmica na reunião desta terça. Relatado pelo deputado
Weliton Prado, o projeto teve o parecer pela antijuridicidade,
ilegalidade e inconstitucionalidade aprovado pela comissão. Essa
proposição altera os critérios adotados pelo Estado para a concessão
de descontos no recebimento de créditos referentes à MinasCaixa, ao
Bemge e ao Credireal.
A concessão dos descontos previstos na Lei
14.427/99 passa a ser obrigatória (hoje é facultativa). O valor que
vigora hoje, para fins de concessão dos descontos previstos no
inciso I do artigo 1º da lei, é de até R$ 10 mil. O projeto
determina que esse valor será ilimitado. Assim sendo, mesmo que o
crédito seja superior a R$ 10 mil, os descontos poderão chegar a 80%
para quitação à vista. Segundo o relator, o projeto poderá refletir
negativamente nas finanças estaduais, tornando o orçamento
vulnerável. Cita, ainda, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que
impede a concessão de benefícios sem indicar compensação. Quando um
projeto recebe parecer contrário, é enviado ao Plenário. Se este
aprovar o parecer, o PL é arquivado. Se o rejeitar, a proposição é
remetida à comissão seguinte.
Para entender a polêmica -
A polêmica foi gerada pelo indeferimento de pedido de vista feito
pelo deputado Gilberto Abramo. O parlamentar queria mais tempo para
analisar o parecer e ponderou que o projeto tinha conteúdo, mas o
presidente da comissão, deputado Bonifácio Mourão (PSDB), informou
que o prazo da CCJ já estava esgotado e que havia requerimento, em
Plenário, solicitando que a matéria fosse remetida à comissão
seguinte.
Questionado pelos deputados Gilberto Abramo e
Antônio Júlio, o presidente citou o parágrafo 1º do artigo 136
(concessão de vista pelo presidente) e o artigo 120 do Regimento
Interno (competência do presidente de decidir sobre requerimento
sujeito a seu despacho) para justificar sua decisão. Ele se referiu
a reunião informal da CCJ que definiu os procedimentos a serem
aplicados na análise das centenas de projetos que estão hoje na
comissão. O presidente lembrou que ficou decidido não deferir
pedidos de vista, se houvesse em Plenário requerimentos sobre perda
de prazo.
O deputado Antônio Júlio pediu que ficasse
registrado seu protesto contra a decisão, alegando que o pedido de
vista sempre foi um instrumento usado pela oposição, assim como a
distribuição de avulsos, pela situação. Acrescentou que indeferir um
pedido de vista era algo inédito em comissão e chegou a propor que
ele e o deputado Gilberto Abramo se retirassem da reunião. O
presidente Bonifácio Mourão ponderou, no entanto, que medida como
essa tinha sido aplicada em outras ocasiões pelo presidente
anterior, deputado Sebastião Navarro Vieira (PFL). Concluindo,
afirmou que o objetivo era dar agilidade aos trabalhos e preservar o
papel da CCJ de analisar a constitucionalidade das proposições em
tramitação.
Outros pareceres pela inconstitucionalidade
Também foi aprovado parecer pela antijuridicidade,
inconstitucionalidade e ilegalidade do PL 276/2003, do deputado
Sargento Rodrigues (PDT), que autoriza o governo do Estado a criar a
Medalha Cabo Valério. Essa proposição foi relatada pelo deputado
Weliton Prado.
Um segundo parecer, também pela
inconstitucionalidade, foi lido pelo deputado Gilberto Abramo, mas o
deputado Weliton Prado pediu vista. O parecer se refere ao PL
810/2003, da deputada Jô Moraes (PCdoB), que dispõe sobre a
fiscalização e vigilância sanitária dos estabelecimentos que
praticam o bronzeamento artificial.
Retirado de pauta - A
comissão aprovou requerimento do deputado Antônio Júlio solicitando
a retirada de pauta do PL 663/2003, do próprio deputado, que dispõe
sobre a proibição de concessão de garantia, pelo Estado, em
operações de crédito de terceiros.
Projetos serão baixados em diligência à Secretaria
de Governo
A comissão aprovou, ainda, requerimentos
solicitando que sejam baixados em diligência à Secretaria de Governo
os seguintes projetos:
* PLs 999/2003 e 1.033/2003, do deputado Sebastião
Navarro Vieira, que autorizam o Executivo a doar a Botelhos imóvel
que especifica e o DER a doar à Santa Casa de Caridade de Guaranésia
imóvel que também especifica, ambos relatados pelo deputado Weliton
Prado;
* PLs 1.021/2003, do deputado Dinis Pinheiro (PL),
que autoriza o Executivo a doar imóvel que descreve a Ibirité;
1.033/2003, do deputado Sebastião Navarro Vieira, que autoriza
doação de imóvel a Areado; e 1.035/2003, do deputado Zé Maia (PSDB),
que autoriza doação de imóvel à Loja Maçônica Marcos Joeli nº 224,
localizada em Passos. Os três foram relatados pelo deputado Gilberto
Abramo.
Também foram apreciados diversos projetos de
denominações e declarações de utilidade pública.
Presenças - Participaram
da reunião os deputados Bonifácio Mourão (PSDB), presidente;
Gilberto Abramo (PMDB), vice; Leonardo Moreira (PL), Antônio Júlio
(PMDB) e Weliton Prado (PT).
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