Comissão cobrará providências sobre ameaças à vida de vereador

A Comissão de Segurança Pública vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre as ameaças sofridas pelo presi...

19/08/2003 - 18:52
 

Comissão cobrará providências sobre ameaças à vida de vereador

A Comissão de Segurança Pública vai acompanhar as investigações da Polícia Civil sobre as ameaças sofridas pelo presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Betinho Duarte. Ouvido pela comissão na tarde desta terça-feira (18/8/2003), o vereador está sob escolta policial e usando colete à prova de balas. Durante a reunião, uma testemunha que prestou depoimento aos deputados, mantendo a identidade preservada, acusou um ex-companheiro de ser o autor de diversas ameaças ao vereador. Ele atuaria como tatuador no Centro de Belo Horizonte e seria envolvido com tráfico de drogas. Esse e outros dois homens foram presos na última sexta-feira (15), acusados de ameaçar de morte o presidente da Câmara, e liberados no sábado, após instauração do Termo Circunstanciado de Ocorrência.

Além de se reunir com o delegado responsável pela prisão para saber mais informações sobre a prisão, a comissão pedirá ao chefe da Polícia Civil dados sobre dois atentados sofridos por motoristas da Prefeitura de Belo Horizonte que atendiam ao vereador, quando ele ocupava, interinamente, o cargo de prefeito. O primeiro caso foi no dia 2 de abril deste ano e envolveu o seqüestro de um deles, em carro oficial; no segundo, no dia 25 de maio, outro motorista foi atingido por um tiro. O requerimento, apresentado pelo deputado Célio Moreira, questiona se foi feita perícia e, caso contrário, o motivo pelo qual ela não foi realizada. O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), encaminhará as denúncias ao órgão estadual responsável por apurar crimes contra autoridades e policiais.

Interesses - Betinho Duarte também afirma ter recebido vários telefonemas ameaçadores, que foram objeto de representação na polícia. Ele disse que até hoje não obteve qualquer esclarecimento sobre os casos, a não ser pelos jornais. "Estou contrariando interesses de grupos muito poderosos", destacou, relacionando ações na Justiça, projetos de lei e outras campanhas de sua autoria que poderiam suscitar reações adversas. Algumas de suas ações mais polêmicas dizem respeito à proibição da comercialização de videogames violentos; à instituição do novo Código de Posturas de Belo Horizonte, que determinou a realocação de camelôs, toreiros e vendedores ambulantes do Centro da Capital; e a projeto de lei, sancionado, que proíbe menores de 18 anos de fazerem tatuagem e piercing sem autorização dos pais.

Segundo testemunha, tatuador fazia ameaças constantes

A mulher que prestou depoimento para a Comissão de Segurança Pública afirmou ter ouvido do ex-companheiro, com quem viveu por seis meses, várias ameaças à integridade física do presidente da Câmara Municipal. Esse homem trabalharia como tatuador na Capital, e, segundo ela, envolvia-se com venda de remédios abortivos e tráfico de drogas. Apesar de não praticar os delitos em casa, ele relataria a ela com constância, por exemplo, a prática de moer luz fluorescente e misturar com cocaína, para vender o produto. Ela contou ainda que o homem, que tem passagem pela polícia em Ipatinga, por estupro, a agredia fisicamente e a dopava, como forma de intimidação. O irmão dele, segundo ela, cumpre pena na Penitenciária de Ipaba e também estaria envolvido na quadrilha. A testemunha afirmou que, após abandonar a casa do companheiro, relatou a denúncia ao setor de segurança da Câmara Municipal e, depois, à Polícia Civil, quando fez acareação com o homem.

De acordo com o deputado Rogério Correia, o depoimento tem consistência e deve ser investigado. "Ela faz denúncias graves que não podem deixar de ser apuradas, pois os envolvidos têm passagem pela polícia", afirmou. Correia disse que a comissão vai conversar com o delegado responsável e, se for necessário, pedirá a prisão preventiva dos denunciados, até que a investigação seja concluída. Outra providência será garantir a proteção da testemunha. Para o deputado Alberto Bejani (PL), entretanto, as ameaças aparentam ser originadas de "pessoas mais poderosas", devido ao alcance, principalmente financeiro, das medidas do vereador.

Presenças - Participaram da reunião os deputados Sargento Rodrigues (PDT), presidente da comissão; Alberto Bejani (PL), Rogério Correia (PT) e Célio Moreira (PL).

 

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