Detenta denuncia policiais envolvidos com tráfico e assassinatos

A detenta Sílvia Helena Menezes, da Penitenciária Estêvão Pinto, no bairro Horto, denunciou o envolvimento de policia...

13/06/2003 - 00:28
 

Detenta denuncia policiais envolvidos com tráfico e assassinatos

A detenta Sílvia Helena Menezes, da Penitenciária Estêvão Pinto, no bairro Horto, denunciou o envolvimento de policiais civis e militares numa quadrilha de traficantes de drogas, que seria responsável pelos assassinatos de garotas de programa, no Centro de Belo Horizonte. Ela revelou os nomes dos envolvidos, mas esses serão mantidos em sigilo. O depoimento foi prestado reservadamente a deputados da Comissão de Direitos Humanos, na tarde desta quinta-feira (12/06/2003), em sala do presídio, para evitar que as informações comprometessem a segurança da detenta e as investigações do Ministério Público (MP) e das corregedorias das Polícias Militar e Civil. Pela manhã, Sílvia Helena foi ouvida também pelas corregedorias dessas polícias e pelo MP e reconheceu 10 policiais, em fotos a ela apresentadas, sendo nove civis e um militar, que participariam do esquema de tráfico no hipercentro da Capital.

Sílvia Helena Menezes, 48 anos, disse que foi presa em flagrante pela Polícia Militar no dia 30 de maio, às 4 horas da manhã, quando traficava drogas, no Centro de Belo Horizonte. Ela contou que começou a traficar há dois anos, depois que uma sobrinha dela foi presa e um detetive se prontificou a liberar a jovem. Mas esse policial civil exigiu em troca que ela, desempregada à época, passasse a traficar no hipercentro de Belo Horizonte. Ele a instruiu a receber pacotes de maconha de um fornecedor e vendê-los, à noite, a usuários em hotéis no entorno das ruas São Paulo, Curitiba, Guaicurus e a avenida Santos Dumont, que funcionariam como pontos de tráfico.

Policiais cobram "pedágio" sobre o tráfico, diz detenta

A presa detalhou que alugava um quarto na região para guardar drogas, o que seria feito também por prostitutas, as quais teriam pontos e turnos para atuarem, com clientela já definida. Segundo a depoente, o trato feito com o policial foi o de que, de cada 15 "papéis" (pacotes de maconha), vendidos a R$180,00 (cento e oitenta reais), ela ganharia três, e teria que pagar "pedágio" para os policiais envolvidos (R$20,00 por dia, para dois deles e R$10,00 para outros, que aparecem com menor freqüência). "Eles chegavam e falavam: 'meu dinheiro está aí?'; eu já cumprimentava com o dinheiro na mão", afirmou. "É uma máfia muito grande; só eu conheço mais de 20 policiais", disparou a mulher.

Um hotel na avenida Pedro II funcionaria como um centro de distribuição de drogas, de acordo com ela. Sobre as cinco prostitutas assassinadas este ano no centro de Belo Horizonte, ela afirmou todos os casos têm relação com essa quadrilha de policiais. E acrescentou que, como ela, várias prostitutas foram induzidas a entrar para o tráfico e gostariam de denunciar o esquema, só que têm medo de serem mortas.

Quadrilha pode ser desbaratada após denúncias

Ao comentar as declarações da detenta à imprensa, o deputado Durval Ângelo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos, disse que as denúncias "podem ser o começo do desbaratamento de uma das maiores quadrilhas de Minas envolvendo policiais". Segundo Durval, as informações da detenta foram, inclusive, confirmadas pela Associação das Profissionais do Sexo, em entrevista à Rede Globo. Ele afirmou também que vários dos policiais apontados já respondem por crimes na Justiça comum e continuam trabalhando normalmente

O deputado Durval Ângelo acrescentou que a comissão já solicitou ao Ministério Público que inclua a depoente no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas, e está estudando a possibilidade de entrar com um pedido junto ao MP de prisão preventiva dos policiais denunciados. O deputado disse ainda que, se até a próxima semana as investigações das polícias Civil e Militar não avançarem, a comissão acionará a Polícia Federal.

Presenças - Participaram da visita e acompanharam o depoimento os deputados Durval Ângelo (PT), presidente da Comissão; Roberto Ramos (PL), Mauro Lobo (PSB) e Marília Campos (PT) e também o promotor Antônio Aurélio Santos, da Promotoria Especializada em Defesa dos Direitos Humanos, a vereadora Maria Lúcia Scarpelli, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Belo Horizonte; representantes da Coordenadoria Municipal dos Direitos da Mulher, da PBH e da Pastoral da Mulher Marginalizada.

 

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