Deputados debatem prejuízos do vazamento em Cataguases

Decorridos dois meses do rompimento da barragem de produtos químicos da Indústria Cataguazes de Papel, os deputados d...

03/06/2003 - 18:30
 

Deputados debatem prejuízos do vazamento em Cataguases

Decorridos dois meses do rompimento da barragem de produtos químicos da Indústria Cataguazes de Papel, os deputados da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial debateram com técnicos da Feam, da Emater, do IMA e do Ibama os prejuízos ambientais, sociais e à produção ao longo do curso do córrego do Cágado, afluente do Rio Pomba.

Após o transtorno inicial causado pelo acidente, com mortandade de peixes e avanço dos resíduos até a bacia de Campos, no Rio de Janeiro, as águas do Rio Pomba foram liberadas para consumo humano em poucos dias. Já as do córrego do Cágado continuam interditadas até para a lavoura. Ao todo, 36 agricultores tiveram prejuízos com a inundação de suas várzeas com poluentes químicos. Márcia Cristina Romanelli, da Feam, relatou que "os principais poluentes foram sódio, alumínio, ferro, silício e titânio, que têm grande potencial de degradação ambiental, mas não são tóxicos". A análise apurou também a presença de cobre, cromo e mercúrio, mas em baixas dosagens.

Solo compactado e com pH 12 - Como os dados preliminares do relatório não são conclusivos, os convidados não quiseram estimar quantos hectares de várzeas foram inutilizados, nem a quantidade de animais, hortaliças e grãos que foram perdidos. Pedro Hartung, do IMA, disse que não foi constatado risco residual para pessoas e animais, mas que as condições de acidez do solo são adversas para a agricultura. "O pH normal do solo agrícola é de 5,5 a 6. Nossas medições na área afetada deram pH de 7 a 12, o que é totalmente inusitado, e está acima do nosso conhecimento tentar reverter", disse o agrônomo.

O sódio derramado floculou (transformou em flocos) a argila e impermeabilizou o solo nas áreas inundadas. Ubaldina Costa Isaac, do Ibama, constatou que apenas gramíneas estão rebrotando ali. "É prematuro prever quando acontecerá a recuperação da vegetação", afirma ela. Os técnicos recomendam que seja contratado um especialista, às custas da indústria de papel, para assessorar trabalhos de recuperação do solo. Maurício Fernandes, da Emater, relatou que sobraram para os agricultores ao longo do córrego apenas as áreas acidentadas, mais propícias à pecuária, e afirmou que será preciso monitorar por longo tempo os efeitos nocivos dos produtos no solo e na cadeia alimentar.

Os riscos da segunda barragem - O deputado Gilberto Abramo (PMDB) elogiou o empenho dos órgãos na restauração ambiental, mas cobrou um diagnóstico dos danos que o acidente pode ter causado à saúde humana. Também o deputado Padre João (PT) perguntou se não haveria risco de câncer. Pedro Hartung disse que as análises não evidenciavam riscos para a saúde humana, mas alertou que nenhum dos técnicos ali presentes estava qualificado para esse tipo de avaliação.

Respondendo a outra pergunta do deputado Abramo, Márcia Romanelli informou que a segunda barragem da Cataguazes está segura por algum tempo, até a chegada da nova temporada de chuvas. Romanelli acrescentou que a empresa está inadimplente com o termo de ajuste de conduta e que, até sexta-feira, a Feam pode decidir por sanções mais graves para obrigá-la a cumprir o termo. O deputado apresentou então requerimento, aprovado pela comissão, para que a Feam envie permanentemente informações sobre o cumprimento do termo de ajuste de conduta por parte da empresa.

Padre João lembrou que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, havia prometido até três meses de salário para os pescadores da bacia de Campos que tivessem sua atividade prejudicada e reivindicou que o mesmo benefício fosse concedido aos agricultores cujas terras foram atingidas. Já o deputado Paulo Piau (PP) lamentou que a lei ambiental em Minas seja tão severa, a ponto de provocar a evasão de produtores para outros estados. Para ele, "a Secretaria do Meio Ambiente tem que ser menos cartorial e deixar de cobrar taxas abusivas, as mais altas do País, porque está tirando a competitividade do produtor mineiro".

Ainda na reunião, o deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB) foi designado relator do PL 337/2003, do deputado Agostinho Patrús, que trata da fabricação de queijo artesanal. Além do requerimento do deputado Gilberto Abramo, foi aprovado outro do deputado Doutor Viana, que pede audiência pública para discutir um projeto de desenvolvimento para o Consórcio da Microrregião da Serra Geral de Minas.

Presenças - A reunião foi aberta pelo deputado Doutor Viana (PFL), que passou a condução dos trabalhos ao deputado Padre João (PT). Participaram também os deputados Gilberto Abramo (PMDB) e Paulo Piau (PP).

 

 

 

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