Direitos Humanos ouve sem-terra expulsos no Triângulo Mineiro

O Ministério Público não vai tolerar a atuação de milícias particulares na desocupação de fazendas onde há famílias d...

23/05/2003 - 16:06
 

Direitos Humanos ouve sem-terra expulsos no Triângulo Mineiro

O Ministério Público não vai tolerar a atuação de milícias particulares na desocupação de fazendas onde há famílias de trabalhadores sem-terra acampados no Triângulo Mineiro. A garantia é do procurador de Justiça Afonso Henrique de Miranda, que participou, nesta sexta-feira (23/5/2003), em Uberlândia, de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. A reunião foi convocada para que os deputados pudessem obter esclarecimentos sobre as freqüentes expulsões de famílias de trabalhadores rurais ligados a movimentos de luta pela terra, ocorridas no primeiro trimestre deste ano em municípios da região.

Segundo Afonso Miranda, que é coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Direitos Humanos, Conflitos Agrários e Apoio Comunitário, a situação de conflitos pela posse da terra no Triângulo Mineiro "é uma vergonha", e o Ministério Público "não vai dar espaço para que milícias covardes, contratadas por fazendeiros, se estruturem e atuem na região". Ele elogiou a atuação da Polícia Militar em episódios envolvendo famílias de sem-terra no município de Santa Vitória, dizendo que os policiais têm agido dentro da legalidade.

Famílias expulsas por milícia armada

Durante a audiência, que teve a participação de dezenas de trabalhadores rurais, autoridades locais e dos deputados Durval Ângelo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos, e Roberto Ramos (PL), foram debatidos os casos de expulsão de famílias que estavam acampadas em três fazendas da região. Na fazenda Capoeira, em Santa Vitória, há três anos viviam 58 famílias de trabalhadores ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), expulsos há 15 dias por integrantes de uma milícia armada. Representantes dos trabalhadores denunciaram a forma violenta como foram expulsos, a tiros, e disseram que todo o arroz que tinham colhido foi queimado.

A fazenda Bebedouro, também no município de Santa Vitória, foi ocupada há três meses por 45 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Três dias após a ocupação, as famílias foram expulsas. Vários trabalhadores foram agredidos fisicamente e tiveram seus pertences destruídos por um trator. Desde então, as famílias estão acampadas em frente à Delegacia de Polícia de Santa Vitória. O terceiro episódio de expulsão ocorreu na fazenda Inhumas Sanharão, no município de Campina Verde, onde estavam acampadas 60 famílias de trabalhadores ligados ao MTL.

Após ouvirem os relatos dos presentes, os deputados afirmaram que na próxima reunião da Comissão de Direitos Humanos deverão ser aprovados requerimentos pedindo a apuração rigorosa dos acontecimentos e propondo medidas para evitar a ocorrência de novos conflitos na região do Triângulo.

Também participaram da audiência pública, entre outras autoridades, o diretor-geral do Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (Iter), Luiz Antônio Chaves; Moema de Fátima Soares Rocha, da Superintendência de Conflitos Agrários do Incra em Minas Gerais; e a vereadora Liza Prado, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Uberlândia.

 

 

 

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