Deputados querem bloqueio de dividendos a acionista da Cemig

Deputados da Comissão de Administração Pública da Assembléia Legislativa estão preocupados com a possibilidade de o c...

08/04/2003 - 19:56
 

Deputados querem bloqueio de dividendos a acionista da Cemig

Deputados da Comissão de Administração Pública da Assembléia Legislativa estão preocupados com a possibilidade de o consórcio formado pelas empresas AES, Southern Electric e Banco Opportunity não honrar o débito de R$ 83 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vence em maio próximo. O valor representa a primeira parcela da dívida de US$ 650 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) que o grupo contraiu junto ao banco para comprar 33% das ações da Cemig em maio de 1997. A requerimento do deputado Rogério Correia (PT), a comissão realizou nesta terça-feira (8/4/2003) uma reunião para obter esclarecimentos sobre a dívida e a situação atual dos contratos entre a estatal e a AES.

No entanto, nem os representantes da AES nem os do BNDES compareceram. A AES afirmou, em ofício enviado à Assembléia, que não mantém nenhum contrato com a Cemig e que, por isso, não teria qualquer explicação a dar. Conforme o superintendente jurídico da Cemig, Manoel Bernardino Soares, a compra das ações foi feita pelo consórcio, que na época chamava-se Southern Electric Brasil Participações, e não diretamente pela AES. Já o banco enviou carta alegando que não poderia prestar esclarecimentos devido ao sigilo a que estão submetidos os contratos mantidos pela instituição.

Sem a presença daqueles que seriam os principais personagens do encontro, os deputados questionaram o presidente da Cemig, Djalma Morais, sobre a possibilidade de a estatal bloquear o envio de dividendos à AES caso o pagamento da dívida junto ao BNDES não se efetive. O executivo, no entanto, informou que a estatal não tem poder para isso. Desde que o contrato foi firmado, em 1997, a Cemig já repassou cerca de R$ 235 milhões em dividendos à AES (incluindo R$ 32 milhões referentes a 2002).

O deputado Leonardo Quintão (sem partido) mostrou-se preocupado com os riscos para as finanças da Cemig e do governo estadual em caso de inadimplência por parte da AES. Porém, Djalma Morais esclareceu que o débito é com um banco federal. Os recursos do empréstimo foram repassados ao Estado e, por isso, nem a Cemig nem o governo seriam afetados diretamente.

A deputada Jô Moraes (PCdoB) propôs à comissão a elaboração de um requerimento no sentido de enviar ao BNDES um pedido de esclarecimento sobre os mecanismos possíveis para que o banco retenha os dividendos que cabem à AES em caso de não-pagamento da dívida. O presidente da comissão, deputado Domingos Sávio (PSDB), acrescentou que a bancada mineira no Congresso Nacional deve ser mobilizada, seja para bloquear o envio de dividendos, seja para promover o penhor dos bens da empresa, a fim de evitar que a população brasileira seja prejudicada por um possível "calote".

O deputado Carlos Pimenta (PDT) lembrou que a Cemig é um dos maiores patrimônios do povo mineiro e questionou se o prejuízo de R$ 1 bilhão da estatal apurado em 2002 tem algo a ver com a AES. Ele aproveitou para perguntar a Djalma Morais sobre a possibilidade de retomada do Projeto Lumiar, criado para levar eletricidade a populações carentes da zona rural. O presidente da Cemig esclareceu que o déficit de 2002 não foi causado pela AES. Quanto ao Projeto Lumiar, ele informou que a estatal tem mantido contatos com a Eletrobrás e que, dentro de 60 ou 90 dias, um programa semelhante de eletrificação rural deverá ser anunciado. Morais afirmou ainda que a empresa mineira está à disposição para oferecer ajuda à companhia paulista de energia Eletropaulo, seja na operação ou até mesmo na participação acionária. A Eletropaulo, controlada pela AES, está em dificuldades financeiras e operacionais.

O deputado Paulo Piau (sem partido) ressaltou o prejuízo considerável no valor patrimonial da Cemig, cuja ação, hoje vendida a US$ 6 cada, valia US$ 35 em maio de 1997.

Presenças - Compareceram à reunião os deputados Domingos Sávio (PSDB), Dalmo Ribeiro Silva (PPB), Carlos Pimenta (PDT), Dinis Pinheiro (PL), Jô Moraes (PCdoB), Leonardo Quintão (sem partido), Rogério Correia (PT) e Paulo Piau (sem partido), além do presidente da Cemig, Djalma Morais, o superintendente jurídico da estatal, Manoel Bernardino Soares, o diretor de controladoria da Cemig, Cristiano Corrêa de Barros, e o diretor do Sindicato dos Engenheiros de Minas Gerais, Alexandre Ehringer Lisboa.

 

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