Comissão recebe denúncia de assassinato de rapaz em Raposos

A Comissão de Direitos Humanos recebeu, nesta quarta-feira (27/11/2002), denúncia de abuso de autoridades da Polícia ...

27/11/2002 - 17:41
 

Comissão recebe denúncia de assassinato de rapaz em Raposos

A Comissão de Direitos Humanos recebeu, nesta quarta-feira (27/11/2002), denúncia de abuso de autoridades da Polícia Militar que resultaram na morte de Jovito Alves Coelho, em Raposos, no dia 24 de novembro de 2002. Estiveram presentes na reunião a vice-prefeita de Raposos, Nanci Souto, a viúva do rapaz morto, Cláudia Elias Silva Coelho e a mãe dele, Efigênia Coelho.

Cláudia Elias afirmou que o incidente começou com um engano da Polícia Militar, que havia sido chamada devido a uma briga em uma residência próxima à casa onde ela, Jovito, o filho de um mês de idade e amigos comemoravam seus seis meses de casamento. Aos prantos, a mãe relatou que vários policiais agrediram seu filho com murros e tapas na cara. Apesar de seus pedidos para que largassem seu filho, ele foi algemado e ela, empurrada. Na confusão, Efigênia ouviu tiros e desmaiou, acordando com a notícia da morte de Jovito.

O deputado João Leite (PSB) endossou as denúncias da vice-prefeita de uso da violência e abusos por parte da PM, nessa e noutras ocasiões, exigindo que a Comissão tomasse uma atitude de esclarecimento e de apoio à família. Para isso, foi aprovado requerimento do deputado Márcio Kangussu (PPS), pedindo o comparecimento do Major Geraldo Magela, comandante da PM em Nova Lima, responsável pelo policiamento de Raposos, para esclarecer o crime. O requerimento ainda convida o médico José Lúcio, que atendeu os feridos no incidente, e Aguinaldo Petrônio da Silva, presidente da Associação comunitária dos Bairros Turma e Vila Bela, esse último cenário do crime.

Relatos de agressão e repressão

A Comissão recebeu também a denúncia de Vagner Alves Clemente, de 29 anos. Ele conta que foi agredido por 12 policiais, comandados pelo Cabo Camilo, na última segunda-feira (25), às 21 horas, no bairro Santa Efigênia. Mostrando marcas na cabeça, barriga e pernas, ocasionadas pelo espancamento, ele disse que foi agredido e sofreu ameaças do cabo por já estar "marcado" pela Polícia. Vagner afirmou que, em 1997, a PM havia acusado-o pela morte da soldado do Corpo de Bombeiros, Kátia Heler, e desde então, vem sendo perseguido. A comissão aprovou requerimento de ofício a ser encaminhado ao Comandante-Geral da Polícia Militar para informar sobre o incidente.

Foi ouvido ainda o depoimento de Joaquim Dias, representante da Liga Operária Camponesa, que relatou a repressão da Polícia Militar a famílias de acampamentos rurais em Januária e Janaúba, no norte de Minas. O deputado Márcio Kangussu pediu ao depoente que formalizasse seu pedido, anexando a documentação, para que a comissão pudesse auxiliá-lo.

Também na reunião foram aprovados os requerimentos do deputado Edson Rezende (PT), solicitando ao governador providências para resolver o problema de superlotação da Delegacia de Furtos e Roubos, que está com 540 presos, tendo capacidade para apenas 70; do deputado Durval Ângelo (PT), solicitando audiência pública para debater possíveis irregularidades na desapropriação da Várzea do Moinho, área do bairro General Carneiro, em Sabará, onde cerca de 800 famílias encontram-se em situação precária.

Ex-diretor do Ipem explica demissão

Durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos, o ex-diretor do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Minas Gerais, Wilton Braga de Oliveira, informou sua demissão do órgão, devido a denúncias, infundadas, segundo ele, de irregularidades em sua gestão. O ex-funcionário afirmou que já fez representações junto às Procuradorias e Corregedorias de Justiça e do Ministério Público e à Presidência da Assembléia Legislativa e "até hoje nada foi feito". Por isso, ele recorreu à Comissão, que por sua vez, sugeriu encaminhar um requerimento (ainda não aprovado) a esses órgãos para esclarecimentos.

Presenças - Estiveram presentes os deputados Márcio Kangussu (PPS), presidente da Comissão; João Leite (PSB) e Maria José Haueisen (PT).

 

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