Professores indicados para o CEE recebem parecer favorável da Comissão

Depois de argüir durante quase duas horas quatro dos cinco professores indicados para integrarem o Conselho Estadual ...

03/07/2002 - 15:56
 

Professores indicados para o CEE recebem parecer favorável da Comissão

Depois de argüir durante quase duas horas quatro dos cinco professores indicados para integrarem o Conselho Estadual de Educação, a Comissão Especial criada para emitir parecer sobre essas indicações, encaminhadas ao Legislativo por meio da Mensagem 297/2002, do governador do Estado, aprovou o parecer favorável do deputado Eduardo Brandão (PL) à indicação dos professores Antônio Valadão Cardoso, Diva Chaves Sarmento, Gilson Soares e Irene de Melo Pinheiro.

Segundo o relator, os quatro professores apresentaram um currículo adequado às funções que deverão desempenhar no Conselho Estadual da Educação e responderam satisfatoriamente a todas as questões propostas pelos deputados. O presidente da Comissão Especial, deputado Ermano Batista (PSDB), lamentou a ausência da professora Magda Mara Assis, justificada por motivos de saúde, e esclareceu que nova reunião deverá ser marcada oportunamente, para a argüição da professora.

Na avaliação dos professores, um dos grandes desafios das escolas do ensino fundamental de Minas Gerais será o de viabilizar a mudança do modelo pedagógico, que já vem sendo adotado por algumas escolas, mas com resultados ainda insuficientes. Esse modelo, que substitui a organização em série das escolas por um novo formato, baseado em ciclos, promove mudanças significativas, valorizando mais o processo de aprendizado e respeitando as características individuais das crianças. Diferente da escola organizada em série, que tende a valorizar mais a avaliação e a seleção, num ambiente competitivo e excludente, o novo modelo tem sofrido, no entanto, resistências junto aos próprios professores e familiares dos alunos.

Eficácia do novo modelo - A professora Diva Chaves Sarmento, quando questionada pelos deputados sobre a eficiência do novo modelo, esclareceu que não tem dúvidas quanto aos resultados positivos que ele possibilita, mas que, de fato, as escolas ainda estão se adaptando a essa mudança, que é também uma mudança de cultura. "Nossas legislações sempre privilegiaram o exame. O aluno estudava para passar na prova. Agora, estamos preocupados com a aquisição do conhecimento, com o processo de aprendizado, mas, para isso, a escola precisa adotar uma avaliação permanente do aluno e do trabalho. Precisa fazer um acompanhamento muito próximo de cada aluno e muitas escolas não estão preparadas para isso e, às vezes, nem mesmo o professor" - afirmou.

Ela ressaltou, ainda, que os críticos deste novo modelo pedagógico tendem a traduzi-lo de forma inadequada como sendo um modelo de promoção automática ou de ausência de avaliação. Mas esse entendimento é equivocado e reflete apenas a resistência de alguns setores da educação a essa mudança. Segundo Diva Sarmento, as escolas que optaram por esse novo modelo precisam fazer avaliações permanentes. O grande impasse que essas escolas estão ainda tentando superar é sobre o que fazer depois da avaliação; como podem garantir aos alunos com desempenho mais lento oportunidades para que eles continuem o seu aprendizado e não caiam na armadilha da repetência.

Necessidade de quebrar resistências - A professora Irene de Melo Pinheiro, depois de fazer uma breve apresentação da Fundação Helena Antipoff, onde trabalha, falou sobre a importância dos novos cursos de formação superior de professores do ensino fundamental e médio estarem atentos para essas mudanças. Ela defendeu que é preciso quebrar a resistência dos professores em relação a esse novo modelo pedagógico a partir da sala de aula. Irene Pinheiro, também respondendo a questionamento dos deputados, propôs uma revalorização do ensino profissionalizante, que perdeu ênfase nas últimas mudanças da política educacional do País. "Um sistema educacional que não aborda a prática está fatalmente condenado ao fracasso" - disse ela.

O professor Antônio Valadão Cardoso, apesar de concordar com a importância do ensino técnico, chamou atenção para as transformações por que o mundo vem passando, fortalecendo a sociedade do conhecimento, que exige dos alunos muito mais do que uma formação técnica. "O ensino tecnológico, demandado por essa nova sociedade, é mais sofisticado e só se realiza no terceiro grau" - disse ele.

Falta de integração entre escolas - O professor Gilson Soares também fez uma avaliação do ensino em Minas Gerais e identificou alguns dos seus principais problemas, como o da falta de integração entre as escolas superiores com as unidades do ensino fundamental e médio. "Uma das missões das escolas superiores deveria ser a de refletir sobre o processo de ensino no seu Estado" - defendeu ele. Gilson Soares argumentou que Minas só conseguirá alcançar um sistema educacional organizado quando pensar o seu sistema como um todo, do ensino básico ao superior, e não como segmentos estanques.

Durante a argüição, os professores falaram ainda sobre as formas de financiamento do setor educacional; sobre o ensino da ciência e tecnologia; sobre o ensino superior; reserva de vagas, por meio de cotas, para minorias, entre outros temas.

Presenças - Participaram da reunião os deputados Ermano Batista (PSDB), Eduardo Brandão (PL), Paulo Piau (PFL) e Dinis Pinheiro (PL)

 

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