Comissão de Direitos Humanos vai a Buritis, no Noroeste

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa vai a Buritis, nesta segunda-feira (1º/4/2002), visitar in l...

27/03/2002 - 18:55
 

Comissão de Direitos Humanos vai a Buritis, no Noroeste

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa vai a Buritis, nesta segunda-feira (1º/4/2002), visitar in loco os assentamentos dos trabalhadores rurais sem terra na Região Noroeste do Estado. A visita ocorre em função de pedido do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e do Iter (Instituto de Terras) e tendo em vista requerimento do deputado Rogério Correia (PT). Nesta quarta-feira (27/3/2002), o superintendente do instituto, Marcelo Rezende, e Ênio Bonenberger, do MST, reuniram-se com os deputados Márcio Kangussu (PPS), presidente da Comissão, e Rogério Correia. Os deputados também receberam o prefeito de Buritis, José Vicente Damasceno, e representante da PM.

A ocupação da Fazenda Nova Ponte, de propriedade do presidente Fernando Henrique Cardoso, o uso das Forças Armadas e a prisão dos líderes do MST pela Polícia Federal após a desocupação foram assuntos abordados nesta quarta-feira. Relatos das divergências entre as lideranças do movimento em Buritis e o prefeito José Vicente Damasceno também marcaram a reunião. O presidente da Comissão, deputado Márcio Kangussu, disse que os parlamentares vão avaliar, entre outros aspectos, as condições dos assentamentos e os motivos que levaram o MST a invadir a fazenda. Ele informou que será apurada, ainda, a denúncia do prefeito de que estaria sendo ameaçado pelo movimento. O deputado Rogério Correia (PT) ponderou, por outro lado, que não se pode confundir as desavenças políticas locais com a ocupação da Fazenda Nova Ponte.

MST FAZ CAMINHADA ATÉ BRASÍLIA

Ênio Bonenberger, do MST, ressaltou a importância de que a Comissão de Direitos Humanos da Alemg verifique as condições dos trabalhadores em Buritis. Ele informou que o movimento fará uma caminhada até Brasília, a partir da Semana Santa, com a perspectiva de chegada de 300 famílias à Capital, na próxima quarta-feira (3/4/2002). A caravana será engrossada com a participação de representantes do MST de Goiás e São Paulo, além de Minas. Eles pretendem ficar acampados na sede do Ministério da Justiça, em protesto contra a prisão dos líderes da ocupação da fazenda.

Bonenberger ponderou que a situação em Buritis se alonga por sete anos, ao ser questionado sobre a ocupação da Nova Ponte. "Os conflitos podem se agravar cada vez mais, se não houver uma solução para o problema agrário", ressaltou, lembrando que o movimento social é explosivo. Ele também comentou declaração do prefeito José Vicente Damasceno de que famílias integrantes do MST, em Buritis, estariam sendo ameaçadas de expulsão dos acampamentos por não participarem de manifestações. Bonenberger afirmou que todas as áreas do MST estão abertas e as famílias também abertas a pronunciamentos.

Damasceno fez um histórico das desavenças políticas entre a Prefeitura e o MST, afirmando que a radicalização compromete a capacidade de diálogo, criando indisposição para negociações. O prefeito citou, entre outras situações, a ocupação da Prefeitura, em janeiro, por vários dias. Ele reafirmou que estaria sendo ameaçado, mas acentuou que muitos integrantes do MST são "sérios e comprometidos com a reforma agrária".

Já o superintendente do Iter, Marcelo Rezende, opinou que os confrontos em Buritis têm se repetido pela falta de seriedade do governo federal. Disse também que o Incra não cumpriu os compromissos assumidos em negociações anteriores. A reunião contou, ainda, com a participação de representante da Polícia Militar e outros convidados, além do ex-deputado estadual Marcos Helênio, primeiro superintendente do Iter e hoje diretor de Cidadania do instituto.

 

 

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